Terça-feira, 13 de Julho de 2010

Dimitri Medvedev envia "recado" a Teerão e lança "charme" a Washington

 

 

 

Em declarações raras mas interessantes, o Presidente russo, Dimitir Medvedev, afirmou que o regime de Teerão está “mais próximo” de ter o potencial para desenvolver armas de destruição maciça. Uma afirmação estranha vinda do Kremlin, que raramente se tem pronunciado contra o seu tradicional aliado, tendo esta sido uma das poucas vezes que Moscovo assume uma postura mais agressiva face a Teerão. Medvedev acrescentou ainda que “o Irão não está a agir da melhor maneira”, exortando para que mostrasse mais “cooperação e abertura” com a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

 

As sólidas relações diplomáticas e económicas entre a Rússia e o Irão têm sido mais fortes do que as pressões internacionais no âmbito do programa nuclear iraniano, no entanto, nos últimos tempos Moscovo parece ter adoptado um registo mais crítico para com o regime liderado por Mahmoud Ahmadinejad.

 

Relembre-se que no passado dia 10 de Junho o Kremlin apoiou no Conselho de Segurança a quarta ronda de sanções contra o Irão. Agora, foi a vez do Presidente Medvedev, num encontro ontem com embaixadores, lançar o alerta de que o Irão se está a aproximar de ter tecnologia para produzir armas nucleares.

 

Apesar de Medvedev revelar que tal possibilidade não representa qualquer violação do Tratado de Não Proliferação Nuclear (NPT), as palavras do Presidente russo estão a ser interpretadas como resultado de alguma preocupação de Moscovo.

 

Na verdade, e que o Diplomata se recorde, esta recente posição do Governo russo é inédita perante a problemática do programa nuclear iraniano. Certamente que algo quererá dizer, sendo que a grande dúvida é saber precisamente o quê.

 

Aparentemente nada mudou no “dossier” nuclear iraniano, porém, a Rússia alterou o seu discurso. Por um lado, tal pode dever-se a uma efectiva preocupação por parte de Moscovo, assente em nova informação, eventualmente recolhida através de canais confidenciais. Por outro lado, as palavras de Medvedev podem ser vistas como um gesto de boa vontade com Washington, dias depois de ter eclodido a “crise” dos espiões.  

 

Nesta lógica, uma fonte da administração americana revelou que as declarações de Medvedev são um passo importante para se conseguir uma unidade internacional relativamente ao programa nuclear iraniano.

 

Fontes do Kremlin revelam ainda que o Presidente Medvedev está cada vez mais desconfortável com a relutância de Teerão em fornecer a informação pedida pela AIEA. Ao mesmo tempo, o Presidente russo terá ficado preocupado com as mais recentes informações fornecidas por Washington de que o Irão já teria suficiente material nuclear para fazer uma bomba atómica.

 

No que diz respeito à política interna russa é importante realçar o facto de que a posição de Medvedev sobre esta matéria começar a divergir substancialmente daquela que é defendida pelo seu antecessor e agora primeiro-ministro, Vladimir Putin.

 

Perante este cenário, será muito interessante perceber qual será a reacção de Putin na eventual necessidade de ter que vir defender o alinhamento histórico da Rússia face ao Irão.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 17:30
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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