Domingo, 7 de Fevereiro de 2010

Mais uma cena (repetida) do filme sobre o dossier nuclear iraniano

 

 

O chamado "dossier" iraniano assemelha-se cada vez mais a um filme entediante, cheio de clichés e composto por uma sucessão de cenas repetidas.

 

Nos últimos anos, o processo negocial em redor da questão nuclear iraniana tem sido um "repeat" constante, com uma cascata de propostas do "Ocidente" e respectivas recusas do Irão. Pelo meio, normalmente, existe um período em que os intervenientes tentam passar a ideia de que acreditam verdadeiramente na virtude de tal processo, mas efectivamente, já todos sabem que o desfecho é mais do que prevísivel, ou seja, totalmente inócuo. 

 

Mais uma recusa de Teerão, e consequente contra-ataque, e lá volta o "Ocidente" a demonstrar os seus receios e apelar à comunidade internacional que não ceda às "chantagens" do regime iraniano. 

 

Na imprensa internacional, as notícias vão-se repetindo ciclicamente.

 

Veja-se, por exemplo, o artigo deste Domingo da BBC News: Iran makes new uranium enrichment challenge. Quantas vezes o Diplomata já leu este título em diferentes jornais e em diferentes momentos. 

 

Desta vez, a notícia refere-se à "cena" mais recente: o Ocidente tinha feito em Outubro uma proposta ao Irão, igual a tantas outras, e que consistia na exportação do urânio enriquecido do Irão para outros países que o pudessem processar em combustível nuclear para depois ser devolvido ao Irão, de modo a ser utilizado em "fins pacíficos".

 

Ora, pela enésima vez, o regime de Teerão recusou mais esta proposta há uns dias, provocando as habituais reacções "inflamadas" das chancelarias ocidentais, que ameaçaram de imediato com novas sanções. Quanto a Moscovo e a Pequim, o mesmo registo de sempre, apelando à "paciência" de ambas as partes.

 

Teerão, seguindo o "guião" à risca, contra-ataca e o Presidente Mahmoud Ahmadinejad anunciou há poucas horas na televisão estatal que vai aumentar os índices de enriquecimento de urânio para 20 por cento. Relembre-se que para a utilização em fins pacíficos, como a produção de electricidade, basta apenas um enriquecimento de 3 por cento, enquanto que para a aplicação em fins militares os níveis situam-se nos 90 por cento.

 

No meio de tudo isto, os vários registos noticiosos vão escrevendo esta frase:

"Western countries fear Iran is trying to develop nuclear weapons. But Tehran insists its programme is peaceful." Esta frase, que também já foi lida por este autor alguma centenas de vezes, assume quase um registo de informação institucional, daquela que se pode encontrar no final dos comunicados depois de um entretítulo "Sobre o" ou "About the".

 

Publicado por Alexandre Guerra às 12:56
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De Pedro a 9 de Fevereiro de 2010 às 13:30
Será que ninguém tem em conta as 200 bombas nucleares que Israel possui na central de dimona. Ou seja, pressão internacional contra o Irão existe, no entanto, Israel senta-se sobre um imenso arsenal nuclear que nunca foi sujeito a inspecções da ONU e nem uma palavra sobre o assunto sai nos jornais ou nos blogues. É incrível!
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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