Sábado, 12 de Dezembro de 2009

Blair: I would have invaded Iraq anyway

 

“Blair: I would have invaded Iraq anyway”, lê-se este Sábado na versão impressa do The Guardian, antecipando a entrevista que vai passar amanhã na BBC1, na qual o antigo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, reforça a sua convicção no apoio político e militar dado a Washington para a invasão do Iraque em 2003.

 

Ao ler isto, o Diplomata não pôde deixar de notar a oportunidade desta entrevista, já que há poucos dias aqui neste espaço tinha sido abordada precisamente a problemática do Iraque.

 

Nesse mesmo texto falava-se num processo decisório confuso e politicamente desonesto levado a cabo por um grupo restrito de pessoas em Londres e em Washington, sob pressupostos ideológicos, apesar de se ter criado um suposto “casus belli” assente num enredo chamado de “armas de destruição maciça”.

 
Na altura, foram vários os alertas e os avisos para os riscos de uma “aventura” no Iraque, vindos de todos os quadrantes, inclusive de pessoas próximas do então Presidente George W. Bush e de Tony Blair.
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Por exemplo, na notícia do The Guardian constata-se que o então Procurador-geral, Lord Goldsmith, tinha avisado o primeiro-ministro em Julho de 2002, oito meses antes da invasão, que não bastavam os critérios ideológicos para sustentar a posição de Blair para derrubar um regime. Tal argumentação não tinha sustentação jurídica.
 
No entanto, desde a denúncia do embuste das armas de destruição maciça, Blair justifica a sua acção, ainda com mais veemência, com base num “direito para remover Saddam Hussein do poder”. Assume o erro das armas de destruição maciça, mas adianta que este não era o único factor para justificar uma invasão. A percepção da ameaça e a necessidade de afastar um mal maior da liderança de um país são para si factores para afastar um homem como Saddam.
 
Uma visão que Sir John Sawers, antigo conselheiro de Blair para a política externa e actualmente chefe do MI6, não partilha. Citado pelo The Guardian, Sawers revela que o Iraque era apenas um dos vários países onde Londres gostaria de ver um “regime change”, mas isso não quer dizer que se estejam a delinear políticas activas com esse fim.
 
Publicado por Alexandre Guerra às 17:28
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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