Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

A relutância de Moscovo em responsabilizar os rebeldes do Cáucaso pelo atentado

 

 

Kirill Kudryavtsev/AFP/Getty Images

 

As autoridades russas revelam que estão a investigar várias pistas que possam identificar de forma peremptória o autor ou os autores do atentado ao Expresso Nevsky, na Sexta-feira, que seguia na linha de ligação entre Moscovo a São Petersburgo, e que provocou 25 mortos e sensivelmente 100 feridos.

 

Até ao momento, Moscovo tem estado com alguma relutância em atribuir responsabilidades aos rebeldes chechenos, adoptando, pelo contrário, uma posição bastante prudente,  tendo o ministro do Interior russo, Rashid Nurgaliev, feito questão de informar os jornalistas de que estão a ser analisadas várias informações. 

 

Uma posição interesssante e de certa forma inédita se se atender que este não tem sido o "modus operandi" de Moscovo neste tipo de situações nos últimos anos. Perante ataques similares,o Kremlin nunca hesitou, desde o primeiro momento, em responsabilizar separatistas islâmicos do Cáucaso do Norte, independentemente das provas conseguidas ou dos factos apurados.

 

Desta vez, até o FSB, que entretanto encontrou vestígios de um engenho explosivo entre os destroços, recusa-se a alimentar as suspeições lançadas pela imprensa de que seriam rebeldes chechenos os responsáveis por este atentado.

 

Por outro lado, a informação avançada por uma cadeia de televisão russa conduz directamente a um antigo soldado e operacional do defundo líder rebelde checheno, Shamil Basayev. O seu nome é Pavel Kosolapov e, segundo o ministério público russo, já terá sido acusado em 2007 por um ataque em circunstâncias semelhantes ao mesmo Expresso Nevsky. 

 

Ora, ao contrário de situações anteriores, desta vez Moscovo até parece ter indícios suficientes para ser um pouco mais ousado nas suas declarações públicas. Ao invés, está remetido a um estranho tom de precaução.

 

Para Alexei Malashenko, um especialista em assuntos do Cáucaso do Norte do Carnegie Centre, citado pelo The Guardian, o atentado terá sido provocado por rebeldes chechenos, que "querem a vingança" e criar um "espaço islâmico". Malashenko relembra ainda que nos últimos dois anos a conjuntura no Cáucaso do Norte deteriorou-se consideravelmente, levando mesmo a que nalgumas regiões se esteja perante um estado de guerra civil iminente.

 

A este propósito, em Agosto último, o Diplomata recomendava a leitura de um artigo do New York Times, no qual se podia constatar o reacendimento da violência nas repúblicas do Daguestão, da Inguchétia e da Chechénia.

 

Nos últimos meses, os rebeldes islâmicos daquelas repúblicas e também de Kabardino-Balkaria têm perpetrado vários ataques e atentados suícidas no território russo.  

 

Apesar destas evidências, desta vez as autoridades russas não parecem estar com pressa para estabelecer uma relação directa entre o atentado do Expresso Nevsky e os movimentos rebeldes do Cáucaso do Norte.

 

É muito provável que Moscovo não queira reconhecer publicamente a responsabilidade dos rebeldes chechenos neste atentado, porque tal acto poderia ser percepcionado como uma admissão do reavivamento de um conflito, que se iniciou nos anos 90 e que o Kremlin há algum tempo teria dado como extinto a seu favor.   

 

Publicado por Alexandre Guerra às 00:24
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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