Perante os intentos "revisionistas" do primeiro-ministro britânico, David Cameron, aos moldes da relação com a União Europeia, Washington já avisou Londres para ter calma no caminho que pretende seguir em termos de política externa.
Os Estados Unidos valorizam o facto do Reino Unido estar devidamente integrado no projecto europeu, vendo aqui uma mais valia na "relação especial" entre os dois países. Por isso, Philip Gordon, secretário adjunto do Departamento de Estado para os Assuntos Europeus, deixou bem claro que qualquer medida unilateral tomada por Londres que coloque em causa a sua integração na União Europeia poderá ter consequências negativas na "relação especial" com os Estados Unidos.
O alerta de Philip Gordon, que o autor destas linhas entrevistou há uns anos durante uma conferência na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, deve ser levado muito a sério por Cameron. Convém não esquecer que o processo de integração europeia, orientado por um ideal político de conciliação, foi em grande parte promovido e apoiado pelos Estados Unidos, com o objectivo da criação um espaço transatlântico harmonioso assente em valores comuns.
Washington receia agora que Londres comece a desconstruir os alicerces de um projecto que tem sido solidificado ao longo das últimas décadas e que, com todos os seus defeitos, tem proporcionado estabilidade no eixo transatlântico.
À esquerda vê-se a Linha de Controlo (LoC) que divide o enclave de Caxemira entre a administração indiana e paquistanesa
O enclave de Caxemira é palco do conflito potencialmente mais perigoso do mundo pelo simples facto de estarem nos diferentes lados da barricada dois Estados inimigos assumidamente nucleares: a Índia e o Paquistão.
Em Outubro último, e já depois da intervenção cénica do primeiro-minisro israelita, Benjamin Netanyahu, na Assembleia Geral das Nações Unidas, o Diplomata escrevia que "qualquer observador mais atento sabe que Israel jamais permitirá que Teerão chegue a um estádio próximo da bomba atómica". E acrescentava ainda "que se até aqui não houve qualquer acção militar israelita, isso deve-se não tanto às pressões de Washington para a contenção, mas sim ao facto de Israel ainda não se sentir verdadeiramente ameaçado com o poder nuclear iraniano".
O Diplomata continua acreditar nesta lógica, reforçada pelas declarações proferidas esta Quinta-feira por Netanyahu, durante o tradicional encontro anual com os embaixadores israelitas colocados no estrangeiro. "Bibi" disse que o Irão ainda não passou a tal "linha vermelha" traçada por Israel.
Provavelmente, o Irão ainda estará longe de chegar a essa "linha vermelha" que, de acordo com Israel, será quando 90 por cento do processo já estiver concluído. Netanyahu tem dito que isso pode acontecer já na Primavera ou no Verão. O Diplomata dúvida, embora compreenda o "jogo" de Netanyahu, que vai gerindo o dossier nuclear iraniano em conformidade com os seus interesses.
The Emancipation of Abe Lincoln é um excelente artigo do New York Times assinado por Eric Foner, professor de História na Universidade de Columbia, sobre o antigo Presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, e a escravatura.
