Quinta-feira, 2 de Agosto de 2012

Gore Vidal, um "gentleman bitch" que escreveu magistralmente sobre sexo

 

Gore Vidal nos "2005 Literary Awards" em Los Angeles, 9 de Novembro de 2005/Foto: Reuters/Mario Anzuoni

 

De Gore Vidal, que morreu esta Terça-feira aos 86 anos, o Diplomata conhece pouca obra, embora esteja perfeitamente ciente da importância incontornável que teve numa certa abordagem literária contemporânea.

 

Escritor multifacetado e eclético, que escreveu em diferentes formatos, Vidal era uma figura interventiva nos problemas da sociedade, com uma paixão pela política e uma sedução pela notoriedade. Tinha ainda uma forma provocadora e polémica de “atacar” algumas das temáticas em que trabalhava.  

 

Provavelmente, nenhuma delas terá suscitado tanto prazer (o leitor desculpe o trocadilho fácil) como a da sexualidade. Ou talvez melhor dizendo, a temática do sexo. Aliás, como lembra o New York Times, foi o próprio Vidal a assumir que não era um sentimentalista ou um romântico: “Love is not my bag.”

 

E aos 25 anos já Vidal tinha tido mais de 1000 encontros sexuais. Algo que assumia de forma descomplexada e divertida. E era com elegância que o escritor escrevia sobre sexo, ou não fosse ele um “gentleman bitch” (palavras do próprio).

 

Foi já há alguns anos que o autor destas linhas leu pela primeira vez um brilhante texto de Vidal, num prefácio de uma obra fotográfica sobre as “porno stars” americanas e a sua influência na cultura Pop daquele país.

 

Precedido por uma foto de Jenna Jameson na capa do livro, o prefácio de Vidal começa com uma espécie de piada erótica, uma forma de comunicação que ele considera ser ancestral e reveladora dos costumes da vida privada.

 

Conta então Vidal esta história já antiga: “Um jovem casal está a fazer sexo casual e desprendido até que ambos atingem um (improvável) orgasmo simultâneo. A terra move-se, como Hemingway aludia. Então ela suspira: ‘Eu digo-te em quem estava a pensar se tu me disseres em quem estavas a pensar.’

 

Desta forma simples e humorística, mas reveladora de uma destreza intelectual invulgar, Vidal explicava aquilo a que chamava de “ultimate intimacy” de outros tempos. Um exercício só ao nível de um comunicador de excelência.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 00:05
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Quarta-feira, 1 de Agosto de 2012

Tão simples...

 

Na última edição da revista Fortune lê-se, num artigo assinado por Pankaj Ghemawat (um dos gurus da “moda” na área da estratégia empresarial) e por Stijn Vanormelingen, que a “produtividade laboral espanhola (produção real por trabalhador) aumentou apenas 15 por cento entre 1990 e 2010”.

 

Dirá o leitor: “Nem é um número propriamente mau”. Talvez não seja se não continuar a ler o resto do texto.

 

Veja-se então o seguinte: No mesmo período de vinte anos, nos países do Norte da Europa essa mesma produtividade por trabalhador aumentou 25 por cento. Mas há mais. “Ao mesmo tempo, os custos espanhóis por trabalhador aumentaram 120 por cento.” No Norte da Europa, o aumento ficou-se pelos 60 por cento.

 

Perante estes indicadores, Pankaj Ghemawat e Stijn Vanormelingen concluem que “os custos laborais por unidade produzida em Espanha aumentaram três vezes mais rápido do que no Norte da Europa”.

 

Texto publicado originalmente no Forte Apache.


Publicado por Alexandre Guerra às 22:27
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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