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O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

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Nada como um caso de "cama" para animar a política francesa

Alexandre Guerra, 13.06.12

 

Que se pode dizer da mais recente polémica francesa? Delirante, mas se se pensar bem, é a França no seu melhor. Da análise que o Diplomata fez, diria que se está perante um caso clássico de "cama". O leitor atente ao seguinte enredo.

 

A primeira dama, Valérie Trierweiler, deu o seu apoio público, através do Twitter, a um rival político de Ségolène Royal no círculo por onde esta concorre nas legislativas em curso, cuja segunda volta se realiza no próximo Domingo.

 

Até aqui nada de extraordinário, não fosse o facto de François Hollande, Presidente recém-eleito e companheiro de Trierweiler, já ter manifestado o seu apoio a Ségolène, mulher com quem foi casado e teve quatro filhos.

 

Perante este desconcerto do casal presidencial no Eliseu, o  Le Monde cita um conselheiro de Hollande: "Esperava crises governamentais, mas não crises conjugais, é alucinante".

 

As más línguas em França dizem que as razões por detrás da decisão de Trierweiler são, na verdade, muito elementares e ancestrais: a primeira dama não gosta da "ex" do seu actual companheiro.

 

El Salvador aposta no turismo para reconciliar-se com o passado

Alexandre Guerra, 11.06.12

 

O Cerro de Perquín, zona fustigada durante a guerra civil, no nordeste da região de Morazán, fica próximo do Museo de la Revolución Salvadoreña  

 

El Salvador viveu uma das mais sangrentas guerras civis que assolaram a América Latina nas décadas de 70 e 80. Vinte anos depois de ter terminado, aquele país tenta reconciliar-se com o passado, numa espécie de catarse em que é feita uma abordagem pedagógica e até turística aos locais emblemáticos da revolta guerrilheira contra as forças governamentais. 

 

Mas, num país dilacerado pela guerra civil, onde, apesar de tudo, só passaram 20 anos sobre o final da tragédia, é natural que aquela forma de pacificação espiritual não gere consenso.

 

Rajoy com motivos para celebrar...com o golo da Espanha no Euro 2012

Alexandre Guerra, 10.06.12

 

Alejando Ruesga/El País

 

Depois de ter explicado aos jornalistas o resgate de 100 milhões de euros à banca espanhola numa conferência de imprensa no Palácio da Moncloa esta manhã, horas mais tarde, o presidente do Governo, Mariano Rajoy, esteve na Polónia e encontrou motivos para festejar... com o golo da Espanha no seu jogo de estreia no Euro 2012 frente à Itália.

 

Chile, um país que continua dividido na relação com a sua História recente

Alexandre Guerra, 10.06.12

 

Manifestantes em confrontos com a polícia este Domingo por causa de uma homenagem a Pinochet/Foto: AFP

 

O Chile continua a ser um país dividido na relação com a sua História recente. As feridas provocadas pelos 17 anos de regime do General Augusto Pinochet continuam bem vivas e manifestam-se, por vezes, de forma violenta nas ruas chilenas.

 

Este Domingo, polícia e manifestantes confrontaram-se em Santiago do Chile, por causa de um acto de homenagem a Pinochet, que a 11 de Setembro de 1973 depôs o Presidente recém-eleito Salvador Allende, mantendo-se no poder até 1990. Segundo as estimativas do Governo chilento, sob o regime de Pinochet terão morrido mais de 3000 pessoas e cerca de 40 mil terão sido torturadas, presas ou obrigadas ao exílio.  

 

Os manifestantes protestaram contra a exibição do documentário "Pinochet" no Teatro Caupolicán, que dizem ser uma glorificação do general. Os organizadores da iniciativa, por outro lado, disseram tratar-se de uma registo que pretende transmitir a verdadeira natureza de Pinochet, que nada tem a ver com a ideia criada pelos jornais, caracterizando-o como um ditador implacável.

 

Independentemente dos factos históricos que hoje já são conhecidos, na sociedade chilena continuam a coabitar duas visões em relação ao papel de Pinochet. Uns acreditam que ele foi um líder messiânico que salvou o país do comunismo, outros vêem no General um ditador assassino.

 

Stuxnet e Flame, as mais recentes armas de uma guerra silenciosa

Alexandre Guerra, 09.06.12

 

 

A descoberta dos vírus informáticos Stuxnet e Flame, as duas armas "sensação" mais recentes no palco da ciberguerra, parece ter accionado os alarmes nas principais chancelarias internacionais.

 

Não tanto pela sua existência, já que esta é uma realidade há muito conhecida dos Estados (ver texto em O Diplomata), mas sobretudo pelo grau de sofisticação que aqueles vírus vão apresentando.

 

O Stuxnet, a julgar pelo novo livro de David Sanger, jornalista do New York Times, terá sido um vírus criado com o patrocínio da administração americana e do Governo israelita, com um objectivo bem circunscrito: o programa nuclear iraniano.

 

Conta Sanger que o Stuxnet terá sido responsável pela destruição de 1000 das 5000 centrifugadoras de urânio a operar nas instalações de Natanz.

 

Na altura em que o vírus foi descoberto, em Junho de 2010, empresas como a Kaspersky ou a Symantec constararam que 60 por cento dos 100

mil computadores infectados estariam no Irão e que o Stuxnet “procurava” exclusivamente um determinado tipo de hardware e de software da Siemens que estava a ser utilizado pelos iranianos no processo de centrifugação do urânio. Tratava-se de material embargado ao Irão, mas ao qual o regime de Teerão terá tido acesso para gerir as centrifugadoras em cascata no complexo de Natanz.  

 

Embora não existam certezas sobre quem esteve por detrás do Stuxnet, uma coisa para ser certa: é muito provável que aquele vírus tenha sido desenvolvido por entidades estatais. Uma conclusão que se retira não tanto pelas capacidades e potencialidades do Stuxnet (que são muitas), mas pelos seus objectivos específicos, neste caso, o projecto nuclear iraniano.

 

Sob este ponto de vista, o Stuxnet pode ser considerado a primeira arma de sucesso da ciberguerra, já que, aparentemente, demonstrou ser eficaz nos propósitos para que terá sido criado.

 

 

Ainda mais eficaz e perigoso parece ser o mais recente Flame, um vírus totalmente direcionado e com características de espionagem e de “intelligence”. O vírus foi descoberto há semanas e, curiosamente, foram as próprias autoridades iranianas, através do Iranian Computer Emergency Team, a soarem o alerta. O que não é de estranhar, uma vez que o Flame infectou sobretudo aquele país e outros Estados politicamente instáveis e que de certa forma ameaçam a estabilidade do sistema internacional, tais como a Síria ou o Sudão.

 

Uma das características do Flame é o seu grau de sofisticação, o que não faz dele um mero acto criminoso, mas sim uma acção deliberada de espionagem só ao alcance de entidades estatais.    

 

E todos os caminhos apontam para Washington ou não fossem os Estados mais afectados pelo Flame fontes de preocupação para a administração americana. Mas para já, está-se apenas no campo da especulação, sem confirmação oficial de qualquer parte.

 

Seja como for, e como escrevia há dias Tom Chatfield na BBC World News, “é cada vez mais claro que um tipo de guerra silenciosa está a começar no online: uma [guerra] em que até os especialistas só reconhecem as batalhas depois destas terem acontecido”.

 

E, efectivamente, tanto o Stuxnet como o Flame só foram descobertos muito tempo depois de andarem a circular nas redes cibernéticas internacionais. Mikko Hypponen, investigador chefe da empresa F-Secure e um dos grandes especialistas mundiais nesta área, admitia num artigo para a Wired essa realidade. “É um espectacular falhanço para a nossa companhia, e para toda a indústria de antivírus no geral.”

 

Texto publicado originalmente no Forte Apache.


Drone mata nº2 da al-Qaeda e dá um importante trunfo eleitoral a Obama

Alexandre Guerra, 05.06.12

 

Abu Yahya al-Libi/Foto: Intelcenter, via Agence France-Presse — Getty Images

 

Numa altura em que a polémica em torno dos drones utilizados pela administração de Barack Obama na guerra contra o terrorismo está bem quente, soube-se esta Terça-feira que os Estados Unidos eliminaram o número dois da al-Qaeda, recorrendo precisamente a um avião não tripulado.

 

De acordo com uma fonte anónima citada pela imprensa americana, Abu Yahya al-Libi terá sido morto ontem numa aldeia da região do Waziristão Norte no Paquistão, numa operação que o New York Times considerou ser "o maior sucesso indiviual na história de oito anos da campanha controversa" de utilização de drones.

 

Apesar do aparente sucesso da operação (falta ainda confirmação oficial), o regime de Islamabad já veio dizer que não deixará de se opôr à utilização dos drones no seu território. 

 

Quem poderá capitalizar com o sucesso desta operação é Barack Obama que vê, assim, refoçada a sua posição no que diz respeito à utilização dos drones. É importante lembrar que o Presidente americano tem defendido este tipo de operação militar, dando-lhe um forte impulso em comparação à administração anterior de George W. Bush. 

 

Além disso, Obama, que era considerado pelos seus detractores uma "pomba" no que dizia respeito à guerra contra o terrorismo, tem vindo a apresentar alguns resultados militares que poderão vir a ser trunfos eleitorais importantes nas presidenciais de Novembro. 

 

Livro revela ataque cibernético da Casa Branca contra o Irão

Alexandre Guerra, 04.06.12

 

Se é verdade o que se lê no novo livro do jornalista do New York Times, David Sanger, de que a administração de Barack Obama terá lançado um vírus informático chamado Stuxnet contra as instalações nucleares iranianas de Natanz, então uma poderosa arma de ciberguerra emerge. De acordo com Sanger, aquele vírus terá destruído pelo menos 1000 das 5000 centrifugadoras de urânio.

 

Caso a informação do livro Confront and Conceal: Obamas's Secret Wars and Surprising Use of American Power seja efectivamente verdadeira, então está-se perante um exemplo concreto das potencialidades das novas ciberarmas. 

 

Leituras

Alexandre Guerra, 03.06.12

 

A propósito do concerto deste Domingo à noite de Bruce Springsteen, a encerrar a edição do Rock in Rio Lisboa 2012, o Diplomata sugere a leitura do texto Reagan & Springsteen no site The Pop History Dig. O texto conta a fascinante polémica que colocou Bruce Springsteen no meio da campanha presidencial americana de 1984 entre Ronald Reagan e Walter Mondale.