Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

Imagens raras de um ataque de colonos judeus a uma aldeia palestiniana

Alexandre Guerra, 21.05.12

 

O primeiro vídeo mostra os colonos judeus a descerem o vale em direcção à aldeia. 

São imagens raras, aquelas que foram divulgadas pela B´Tselem, uma organização humanitária israelita, composta por jornalistas, advogados, académicos e membros do Knesset, a operar nos territórios ocupados da Cisjordânia e Faixa de Gaza. De acordo com as gravações feitas por elementos daquela ONG, vê-se alegadamente um ataque perpetrado por colonos judeus armados a uma aldeia palestiniana.

 

Numa replicação invertida da luta bíblica entre David e Golias os acontecimentos que se vêem nas imagens terão ocorrido no passado Sábado perto da aldeia palestiniana de Asira al-Qubliya, próxima do colonato de Yitzhar.

  

No segundo vídeo já é possível ver com mais detalhe a movimentação dos colonos judeus.
Há muito que existiam relatos deste tipo de ataques por parte de colonos judeus a localidades palestinianas vizinhas de colonatos, mas até agora não existiam provas disso.

 

Num dos três vídeos começa-se por ver os colonos armados a descerem pelo vale em direcção à aldeia palestiniana. Na resposta, alguns palestinianos atiram pedras, ouvindo-se pelo meio o disparo de algumas balas vindas dos colonos judeus.

 

Minutos depois chegam soldados das IDF e homens da Border Police, que se limitar a ficar ao lado dos colonos.

 

Destes confrontos resultou um ferido do lado palestiniano. 

 

Neste terceiro vídeo parece ficar claro a passividade dos soldados israelitas perante o incidente.

Momentos com história

Alexandre Guerra, 20.05.12

 

Fareed Khan/Associated Press

 

No dia em que começou a cimeira da NATO em Chicago, centenas de camiões carregados de combustível estavam este Domingo parados em Karachi à espera de um acordo entre Washington e Islamabad para poderem seguir caminho para o Afeganistão, onde devem fornecer as forças da Aliança a operar em território afegão. Uma imagem impressionante que expressa a tensão entre os Estados Unidos e o Paquistão, depois de Islamabad ter encerrado várias das rotas de abastecimento da NATO, na sequência da morte acidental de 24 soldados paquistaneses por causa de um ataque aéreo da Aliança, em Novembro último.


Miliband sugere que Cameron envie um SMS com um LOL a Hollande

Alexandre Guerra, 16.05.12

 

 

"It's a shame [Cameron] didn't see the French president three months ago when he was in the United Kingdom … but I'm sure, Mr Speaker, a text message and LOL will go down very well." Declarações de Ed Miliband, líder do Labour, hoje, durante o debate na Câmara dos Comuns, dirigindo-se ao primeiro-ministro David Cameron, a propósito da eleição do novo Presidente francês, François Hollande. 

 

Jezabel, pura maldade coberta por um manto de sedução

Alexandre Guerra, 15.05.12

 

 

O profeta Elias confronta a sedutora e maléfica Jezabel

 

Num dos textos anteriores, a propósito da problemática dos judeus se sentirem historicamente perseguidos, o Diplomata referiu que seria “interessante recuar ao século IX a.C para se falar um pouco de Jezabel, uma mulher que tinha tanto de beleza e de sedução como de perversidade e de malvadez”.

 

Tida como a vilã das vilãs de todas as mulheres da Bíblia, a infame das infames, Jezabel era pura maldade coberta por um manto de beleza, que não se coibiu de recorrer a todos os meios para perseguir e eliminar todos aqueles que a desafiaram, nomeadamente, os judeus.   

 

Princesa fenícia que casou com Acab, rei de Israel, no século IX a.C., Jezabel não demorou muito tempo para lançar uma campanha de terror sobre os seus súbditos que, a pretexto de impor o poder do monarca, tinha como principal objectivo a destruição do culto monoteísta dos judeus e a sua substituição pela prática religiosa fenícia, assente na adoração de diversas divindades unidas numa espécie de religião chamada Baal.

 

À semelhança dos judeus, também Jezabel vivia intensamente a religião, no entanto, não estava disposta a permitir que os dois credos convivessem no reino de Israel. Embora Acab tenha cedido à sua mulher na construção de um templo Baal no centro da cidade Samaria, Jezabel não se contentou.

 

Da Fenícia mandou vir sacerdotes e profetas e exigiu ao seu marido que impusesse a Baal como religião oficial do reino de Israel. Acab, fortemente influenciado por Jezabel, cedeu ao poder maléfico da mulher e permitiu que se iniciasse uma campanha de extermínio a centenas de sacerdotes judeus.

 

É muito provável que este seja o primeiro exemplo de extermínio sistemático contra o povo judeu ordenado pelo seu próprio Estado.

 

A resistência judaica surgiu na figura do profeta Elias, que poderia ser visto como um ortodoxo. No confronto bíblico entre Elias e Jezabel, Yahewh (Jeová), o deus dos judeus, terá manifestado, através de um fogo intenso enviado dos céus, a sua fúria contra a mulher de Acab.

 

Receosa, Jezabel recorreu mais uma vez aos seus dotes de manipulação e exigiu ao rei que ordenasse a sentença de morte de Elias. Este fugiu para o monte Sinai.

 

Os anos passaram e Acab morreu, assim como o seu filho mais velho, Acazias. Jezabel passou a governar através do seu filho mais novo, Jorão. O reino de terror tinha continuado, mas a revolta judaica estava em curso, desta vez feita por Eliseu, sucessor de Elias.

 

Num claro desafio ao poder de Jezabel, Eliseu coroou Jeú, comandante das forças de Jorão. Este viria a ser morto com uma flecha no coração disparada por Jeú.

 

Porém, faltava Jezabel que, aos olhos de Jeú, já tinha encontro marcado com a morte. O recém empossado rei dirigiu-se ao palácio real de Jezreel para a vingança mortal.

 

Jezabel, sabendo da vinda de Jeú e confiante na sua beleza fatal, começou a arranjar-se, penteou o cabelo de forma sedutora, aplicou pó negro nas pálpebras, com o intuito de seduzir o assassino do seu filho. Mas Jeú, que há muito sabia das capacidades de Jezabel, chegou ao palácio e pediu aos eunucos que a atirassem pela janela.

 

De forma violenta, o corpo de Jezabel caiu no chão e conta a Bíblia que o seu sangue salpicou as paredes e os cavalos que estavam perto. Os cães devoraram o seu corpo, ficando apenas o crânio, as mãos e os pés.

 

A mulher fatal tinha assim um fim horrendo, aquela que terá sido a responsável pela primeira perseguição de extermínio ao povo judeu.

 

Leituras

Alexandre Guerra, 14.05.12

 

The Cold War rival to Eurovision é um artigo muito curioso da BBC News sobre o Intervision, o rival soviético do Festival da Eurovisão. Como se pode ler no texto: "Os aliados ocidentais tinham a NATO, a Bloco de Leste tinha o Pacto de Varsóvia; O Ocidente tinha o Mercado Comum, o Leste tinha o Comecom; Nós tínhamos o Festival da Eurovisão, eles tinham... o Festival Intervision."

 

Massada, uma tragédia que alimenta a consciência colectiva do povo judeu

Alexandre Guerra, 13.05.12

 

Fortaleza construída pelo Rei Herodes, por volta dos anos 30 a.C, no monte Massada, nas margens do Mar Morto

 

Na sua consciência colectiva os judeus sentem-se um povo historicamente “perseguido”, que em vários momentos da sua história foi violentamente reprimido, muitas das vezes às ordens do próprio Estado ou do poder instituído onde se inseriam.

 

Além do regime do III Reich, não há literatura hebraica que não lembre o destino trágico dos judeus que se tentaram revoltar contra o Império Romano a partir do ano 66, com os soldados de Tito a destruírem Jerusalém que, segundo o historiador Flávio Josefo, terá provocado a morte de milhares de hebreus, tendo outros tantos sido capturados e vendidos como escravos.

 

O último bastião da resistência judaica acabaria por cair nas mãos dos romanos, quando tomaram de assalto a Fortaleza de Massada, em 73. No entanto, quando conseguiram irromper dentro das suas muralhas, após três anos de tentativas infrutíferas, não encontraram qualquer judeu, pois os cerca de 1000 homens, mulheres e crianças que lá resistiram preferiram suicidar-se do que serem capturados e escravizados.   

 

Este célebre acontecimento de Massada acabaria por marcar o início da diáspora do povo judaico e tornar-se-ia um dos principais símbolos da sua determinação na defesa da Terra Santa contra outros povos, nomeadamente, os palestinianos.

 

Mas séculos antes deste acontecimento trágico, houve pelo menos um outro, menos falado, mas igualmente sangrento para os judeus.

 

E por isso, talvez seja interessante recuar ao século 9 a.C para se falar um pouco de Jezabel, uma mulher que tinha tanto de beleza e de sedução como de perversidade e de malvadez. Mas este assunto fica para o próximo texto.

 

Uma boa medida de fomento à economia que vem de Estrasburgo

Alexandre Guerra, 10.05.12

 

Numa altura em que para muitos tudo o que vem da União Europeia é austeridade sobre austeridade, o Diplomata destaca a votação desta Quinta-feira dos eurodeputados em Estrasburgo. Por uma maioria esmagadora, o Parlamento Europeu aprovou o plano comunitário que permitirá a redução substancial das tarifas de roaming de chamadas de telemóvel nos Estados-membro.

 

Com este novo plano tarifário, que entrará em vigor já a 1 de Julho, as chamadas em roaming nos Estados-membro não vão poder custar mais de 29 cêntimos por minuto*. A 1 de Julho de 2014 o valor descerá para os 19 cêntimos. 

 

As mensagens de texto também serão mais baratas, caindo do preço actual de 11 cêntimos para 9 cêntimos. A 1 de Julho de 2014 o preço cairá para 6 cêntimos. 

 

Entre outras medidas, este plano estabeleceu também um tecto máximo de 70 cêntimos para cada megabyte utilizado em transferência de dados móveis, com o objectivo de se chegar aos 20 cêntimos em 2014.

 

Para 2014 está ainda previsto que os consumidores possam vir a escolher a operadora móvel quando estiverem noutro Estado-membro e, assim, não estarem obrigados a manter-se ligados à rede do país de origem.

 

*Nota: A todos os valores apresentados acrescenta-se o IVA em vigor 

 

 

Limites máximos a cobrar aos consumidores, excluindo IVA

 

 

 

Atual

1 de julho de 2012

1 de julho de 2013

1 de julho de 2014

Dados (por megabyte)

Inexistente

70 cênt.

45 cênt.

20 cênt.

Chamadas efetuadas (por minuto)

35 cênt.

29 cênt.

24 cênt.

19 cênt.

Chamadas recebidas (por minuto)

11 cênt.

8 cênt.

7 cênt.

5 cênt.

SMS (por SMS)

11 cênt.

9 cênt.

8 cênt.

6 cênt.

 

 

Limites gerais cobrados entre operadores, excluindo IVA

 

 

 

Atual

1 de julho de 2012

1 de julho de 2013

1 de julho de 2014

Dados (por megabyte)

50 cênt.

25 cênt.

15 cênt.

5 cênt.

Chamadas (por minuto)

18 cênt.

14 cênt.

10 cênt.

5 cênt.

SMS (por SMS)

4 cênt.

3 cênt.

2 cênt.

2 cênt.

 

Fonte: Parlamento Europeu 

 

Da República (francesa)

Alexandre Guerra, 06.05.12

 

Jovens na Praça da Bastilha após a vitória de François Hollande/Foto Reuters 

 

Nos últimos anos, talvez perante a preguiça intelectual de muitos analistas, comentadores ou jornalistas, tem sido comum ouvir-se amiúde que os cidadãos estão cada vez mais afastados da Política, apesar desta ideia não corresponder totalmente à realidade.

 

Naquele que é um dos elementos mais representativos da chamada democracia directa, as eleições, é interessante ver que em muitos casos a taxa de participação dos eleitores é bastante elevada. Por exemplo, no caso francês, nas eleições presidenciais, nas quais os eleitores reconhecem o “big moment” para a organização da sua sociedade, assiste-se a um entusiasmo histórico na corrida ao Eliseu.  

 

Na primeira volta das eleições presidenciais francesas há duas semanas, a taxa de participação foi de 80 por cento, bastante elevada. Este Domingo, a afluência terá sido acima dos 80 por cento. Já em 2007, esse valor esteve próximo dos 84 por cento (média das duas voltas).

 

Razões para explicar esta realidade serão várias, mas uma coisa é certa, os franceses parecem ter em consideração alguns ensinamentos antigos.

 

Já dizia Cícero (106 a.C - 43 a.C), em resposta aos epicuristas que repudiavam a Política por considerarem uma ameaça à harmonia da vida dos cidadãos e à tranquilidade da sua alma, que o primeiro dever moral dos homens era a participação na vida política.

 

Cícero, conceituado jurista, advogado, escritor, alto funcionário da República de Roma, reconhecia que a Política tinha grandes custos e implicava muitos sacrifícios e perigos, mas nem por isso os cidadãos deviam deixar de cumprir o seu dever em participar nas decisões que orientavam as suas sociedades.

 

As radiações de baixa intensidade no quotidiano das pessoas e o seu potencial risco

Alexandre Guerra, 05.05.12

 

 

Uma das grandes questões em torno da problemática do nuclear é o facto de, muitas das vezes, centrar sobre si todo o debate, ofuscando outras matérias que, provavelmente, possam ser mais relevantes para o quotidiano das pessoas. 

 

Normalmente, existe uma tendência para se associar de imediato o potencial perigo de radiações à energia nuclear, mas a verdade é que esse problema praticamente não se coloca para às pessoas, uma vez que raramente estão em contacto com aquele tipo de tecnologia.

 

Já quanto às radiações de baixa intensidade, aqui a questão assume outros contornos, visto que diariamente as pessoas são sujeitas a inúmeros riscos, alguns deles podendo ser potencialmente cancerígenos.

 

É precisamente ao risco da radiação que cada pessoa enfrenta no seu dia a dia que a Bulletin of the Atomic Scientists dedicou um dossier especial na sua edição de Maio/Junho. São vários artigos que podem ser consultados gratuitamente durante o mês de Maio dos quais o Diplomata seleccionou alguns: 

 

Special issue on the risks of exposure to low-level radiation

 

The scientific jigsaw puzzle: Fitting the pieces of the low-level radiation debate

  

Unmasking the truth: The science and policy of low-dose ionizing radiation

 

The social amplification of risk and low-level radiation

 

The perception gap: Radiation and risk