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O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

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Boko Haram volta a lançar as "sementes" para uma guerra civil

Alexandre Guerra, 22.01.12

 

Um dos sobreviventes dos atentados de Sexta-feira na cidade de Kano/Foto: Reuters

 

O Boko Haram, ao qual o Diplomata já fez referência, voltou a atacar na Nigéria na passada Sexta-feira, naquela que terá sido a sua mais violenta acção, desde que o movimento foi criado em 2002. Os atentados ocorreram na cidade de Kano, tendo as autoridades até ao momento já confirmados mais de 160 mortos.

 

Aquele grupo, que tem ligações ao ramo da al Qaeda no norte de África, está a cumprir as ameaças que tinha feito, de que iria lançar a violência na Nigéria até que o Governo cedesse na libertação de alguns militantes islâmicos, que foram presos em 2009, numa operação que as autoridades levaram a cabo para tentar destruir aquele grupo. A verdade é que o Governo não apenas falhou nesse propósito como, desde então, o Boko Haram tem intensificado a sua actividade. 

 

Ainda no dia de Natal, vários atentados perpetrados por militantes do Boko Haram nos arredores de Abuja provocaram mais de 40 mortos. 

 

A situação é de tal forma preocupante que o Presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, já disse que o País atravessa um momento mais complicado do que aquele que se viveu durante a guerra civil entre 1967 e 1970. Entretanto, já anunciou algumas detenções, embora dificilmente consiga travar o clima de tensão e de violência que se faz sentir na Nigéria.

 

Estranhamente, é Ehud Barak a sossegar Teerão e Moscovo... por agora

Alexandre Guerra, 18.01.12

 

 

Talvez com o objectivo de acalmar o Kremlin, que através do seu chefe da diplomacia, Sergei Lavrov, veio esta Quarta-feira avisar para os riscos catastróficos de um ataque militar ao Irão, tenha sido conhecido um relatório secreto que revela que Israel está convicto de que o regime de Teerão ainda não decidiu se pretende avançar para a construção de uma bomba atómica.

 

Esta informação está contida num relatório de "intelligence" israelita, divulgado pelo Haaretz, e que deverá ser entregue no final desta semana ao Chefe do Estado Maior das Forças Armadas norte-americanas, Martin Dempsey, em visita a Israel.

 

A reforçar esta ideia, embora de forma indirecta, o ministro dos Negócios Estrangeiros hebraico, Ehud Barak, disse hoje à Rádio do Exército israelita que o Estado judeu está muito distante de qualquer potencial ataque ao Irão.

 

Os ayatollahs declaram guerra às Barbies

Alexandre Guerra, 17.01.12

 

Foto Reuters

 

Alguém entusiasta das famosas bonecas Barbie chamou a atenção do Diplomata para uma das notícias do dia: As autoridades iranianas ordenaram a proibição da venda daquelas bonecas e mandaram retirar todos os exemplares das lojas.

 

O argumento evocado para tal decisão prende-se com a necessidade de defender os valores morais iranianos da cultura perniciosa ocidental materializada na Barbie.

 

O Governo iraniano classifica esta acção de “soft war” contra as influências culturais decadentes do Ocidente. Por isso, a “polícia da moral” iraniana tem percorrido todas as lojas numa autêntica caça às bruxas ou, melhor dizendo, às Barbies.

 

Não é a primeira vez que o regime dos “ayatollahs” persegue as Barbies. Já em 1996 as bonecas produzidas pela empresa americana Mattel Inc. foram declaradas inimigas da República Islâmica por causa das “suas consequências destrutivas culturais e sociais”.

 

Apesar disto, a Barbie tem sido vendida ao longo destes anos nas lojas iranianas, mas parece que esses tempos chegaram ao fim.

 

Desta vez, os ayatollahs declararam guerra às Barbies.

 

Leituras

Alexandre Guerra, 17.01.12

 

La mina que va a decidir el futuro de Perú é uma reportagem do El País, que tem todos os ingredientes de uma grande história, sobre uma empresa mineira norte-americana que quer investir numa zona montanhosa do Perú literalmente coberta de ouro, prata e cobre. Governo regional e organizações ambientalistas, apoiadas por alguma população, opõem-se, mas o Executivo central e outra parte da população local vê com bons olhos o investimento, numa zona marcada pela pobreza.

 

A pirataria parece estar a compensar as gentes da Somália

Alexandre Guerra, 15.01.12

 

 

Ao comparar-se as duas fotografias acima, a da esquerda tirada em Fevereiro de 2002 e a da direita captada em Junho de 2009, ambas do centro de Garowe, Somália, facilmente se chega à conclusão de que houve uma evolução positiva na organização do território em termos da sua malha urbana.

 

Legitimamente, o leitor poderá pôr em causa a assumpção do Diplomata com base em apenas duas fotografias, mas de facto não se trata de uma extrapolação excessiva do efeito visual. Houve, efectivamente, um progresso económico naquela região da Somália, de acordo com um estudo recente do think tank Chatam House.

 

O mesmo estudo revela que nos últimos anos se tem verificado mais investimento nalgumas áreas urbanas somalis, embora esta dinâmica não se repercuta nas zonas costeiras.

 

E o mais interessante de tudo isto é que tal crescimento se ficou a dever à pirataria, uma actividade em franca expansão nos últimos anos nas águas da Somália e que tem rendido muito dinheiro a algumas gentes daquele país.

 

Estima o estudo da Chatam House que os piratas terão recebido em 2009 cerca de 70 milhões de dólares em resgates, cinco vezes mais que o orçamento da região semi-autónoma da Puntlândia.  

 

Um outro estudo das Nações Unidas refere que  30 por cento do dinheiro dos resgates vai directamente para os piratas, 10 por cento é para pagar aos ajudantes em terra, outros 10 por cento são para subornos junto de alguns decisores da comunidade e os restantes 50 por cento são canalizados para financeiros ou promotores de actividades.

 

Por exemplo, uma das conclusões curiosas do estudo da Chatam House tem a ver com o aumento do consumo de electricidade que se verificou em centros urbanos como Garowe ou Bosasso, resultado do crescimento da actividade económica.

 

Outro dado interessante é a constatação de que a média de ordenados tem vindo a aumentar nas províncias com maior incidência de piratas.

 

Leituras

Alexandre Guerra, 15.01.12

 

No âmbito da parceria entre o jornal Público e o Project Syndicate, Omar Ashour, director do Programa de Estudos do Médio Oriente da Universidade de Exeter, no Reino Unido, escreve O desafio salafista no Egipto, no qual se explica a ascensão dos salafistas no Egipto, em concreto do Partido Nour.