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O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

O Diplomata

Opinião e Análise de Assuntos Políticos e Relações Internacionais

ODNI aprofunda integração das comunidades de "intelligence" marítima e aérea nos EUA

Alexandre Guerra, 11.11.09

 

O Office of the Director of National Intelligence (ODNI) nos Estados Unidos acabou de publicar um relatório muito importante e que dá seguimento a algumas das recomendações da National Commission on Terrorist Attacks Upon the United Statets (9/11 Commission). Trata-se de uma análise à eficácia e eficiência das comunidades de "intelligence" marítima e aérea dos Estados Unidos.

 

O The Inaugural Report of the Global Maritime and Air Communities of Interest Intelligence  Enterprises reúne informação de toda a comunidade de "intelligence" norte-americana, assim como de todos os agentes governamentais e agências federais, de institutos públicos de investigação e de actores privados. 

 

O objectivo deste relatório é revelar o quão coordenada e interligada está a comunidade de "intelligence" norte-americana nas suas diferentes vertentes e avançar soluções que possam aprofundar o relacionamento na partilha de informação entre as actividades marítima e área. Tudo isto em prol da defesa do "homeland" americano.

 

Com a criação do Global Maritime and Air Intelligence Integration (GMAII) o DNI procura criar uma comunidade de "intelligence" mais integrada e dinâmica ("connect the dots") com vista a prevenir um eventual atentado terrorista em território americano.

 

A elaboração deste relatório é mais um exemplo do esforço que as autoridades americanas têm feito para colmatar as várias falhas de "intelligence" que ficaram a descoberto com os atentados terroristas do 11 de Setembro.  

 

Registos

Alexandre Guerra, 09.11.09

 

O New York Times publica um excelente dossier sobre o 20º Aniversário da Queda do Muro do Berlim, no qual o Diplomata destaca o criativo trabalho gráfico, que expõe de forma evidente as diferenças físicas em vários pontos da cidade de Berlim, no antes e no depois da Queda.

 

Washington e o Muro

Alexandre Guerra, 07.11.09

 

 

Perante a desconfiança de Londres e da Paris e o receio da União Soviética face à possibilidade do ressurgimento de uma Alemanha unificada, o então Presidente dos Estados Unidos, George H. W. Bush, desempenhou um papel fundamental, através de uma abordagem bastante pragmática à desintegração do Bloco de Leste.
 
Para Washington, a unificação alemã era o corolário de um percurso iniciado “nas ruas de Varsóvia, passando pelas praças de Praga e terminando em Berlim”, visto que a “revolução europeia transformaria a natureza e a expressão dos interesses e das preocupações americanas no continente”.
 
Washington estava ciente de que para obter uma solução satisfatória e que resolvesse um problema criado no pós-II GM teria que envolver Moscovo e o líder da ainda RFA, Helmuth Kohl.
 
Partindo dos pressupostos consignados na Carta das Nações Unidas e na Acta Final de Helsínquia na matéria que diz respeito à preservação das fronteiras, os Estados Unidos, tal como Paris e Londres, tinham a perfeita noção de que a nova Alemanha não poderia enveredar por “caminhos isolacionistas ou unilateralistas”, daí ser tão importante absorvê-la na arquitectura política e de segurança europeia, através da Comunidade Europeia e da NATO. Aliás, o famoso Tratado de Maastricht que vem institucionalmente criar a União Europeia e a revisão do conceito estratégico da Aliança são resultado dessa mesma dinâmica.
 
O problema é que o Kremlin não podia aceitar este quadro de forma totalmente pacífica, porque ao longo do ano de 1990 Gorbachev lutava internamente contra uma corrente mais conservadora no seio do Partido Comunista. Perante este cenário, o líder soviético não podia ceder sem obter antes qualquer tipo de contrapartida. Bush percebeu claramente esta realidade e, desde o início, que tentou apoiar Gorbachev e a sua perestroika, proporcionando todos os meios para uma “soft landing” do desmoronamento do império soviético.
 
Quando em Fevereiro de 1990 Gorbachev dá um passo importante, mas ainda insuficiente, e aceita a unificação da Alemanha sob a condição de neutralidade, ou seja, fora da NATO, a Casa Branca propôs ao Kremlin várias garantias, já que não podia aceitar a exclusão alemã da Aliança.
 
Entre as várias garantias propostas, destacam-se a aceitação da permanência de forças soviéticas no território da ex-RDA, a não extensão de forças da NATO a leste do Elba durante um período de transição, a não alteração das fronteiras da Alemanha e, claro está, ajudas económicas à União Soviética.
 
Além disso, na Cimeira de Londres da NATO, em Julho de 1990, o Pacto de Varsóvia deixava de ser considerado como um inimigo. Duas semanas mais tarde, seria o próprio Gorbachev a informar Kohl de que aceitava a permanência da Alemanha unificada na NATO. Estava assim vencido o último obstáculo para a reunificação alemã.
 

As primeiras “brechas” na Cortina de Ferro

Alexandre Guerra, 06.11.09

 

Lech Walesa, principal rosto da revolta polaca nos anos 80

 

Um dos homens que mais directamente esteve relacionado com a queda do Muro de Berlim foi Egon Krenz, secretário-geral do comité central do partido comunista e líder da RDA entre o curto período de 18 de Outubro a 3 de Dezembro de 1989. Krenz foi o responsável pela abertura de várias fronteiras da RDA, como forma de aliviar a pressão que se começava a abater sobre o regime comunista daquele país. A autorização de passagem nalguns pontos do Muro de Berlim inseria-se nessa lógica.
 
Aliás, foi precisamente devido à pressão da opinião pública que o histórico líder comunista Erich Honecker teve que se demitir da liderança dos desígnios da RDA a 18 de Outubro de 1989, sugerindo o nome de Krenz para seu sucessor. 
 
Aquelas horas de 9 de Novembro precipitariam um efeito dominó que iria culminar na implosão da União Soviética no Natal de 1991 e, consequentemente, no enterro do sistema de Guerra Fria. Em poucos meses, todo um paradigma de relações internacionais era remetido para as calendas do tempo, naquilo que muitos viram como o “fim da História” ideológica.
 
A divisão física e ideológica da Europa, e a consequente aceitação por parte do Ocidente desta realidade, permitiu que durante sensivelmente quarenta anos o mundo ocidental e comunista vivessem separados por uma “Cortina de Ferro”, politicamente tolerada, e que tinha a sua expressão máxima no Muro de Berlim.
 
A queda do Muro foi assim vista pelo Ocidente como uma vitória da luz sobre as sombras que pairavam para lá da “Cortina”. Foi uma ruptura no sistema internacional e que pôs fim à ordem pós-II Guerra Mundial.
 
Por si só, a queda do Muro não foi uma causa, mas terá sido já uma consequência das “brechas” que o regime comunista ia revelando, quer na União Soviética, quer nos seus satélites. A queda do Muro de Berlim acabou, assim, por ter um efeito acelerador nas mudanças profundas que já se faziam sentir em vários países da Europa de Leste, sobretudo a partir dos anos 80.
 
Por um lado, a insustentabilidade económica do regime comunista para manter-se a si e aos seus satélites, por outro, as fissuras políticas e sociais que já começavam a ser muito incómodas para Moscovo. A Polónia e a Hungria são talvez os melhores exemplos da oposição e da emancipação política face ao Kremlin.
 
A Solidariedade de Lech Walesa foi a expressão mais visível da oposição ao Governo polaco, obrigando-o a 31 de Agosto de 1980 a firmar os históricos “acordos de “Gdansk”. Nas palavras de Lesourne e Lecomte foram acordos “efémeros, mas pelo menos revelaram-se como “a primeira grande brecha institucional no sistema comunista”.
 
Esta dinâmica de corrosão interna do regime comunista polaco, associada aos movimentos reformistas da perestroika e da glasnost protagonizados por Mikhail Gorbachev na União Soviética, conduziu à criação de uma mesa redonda entre o Governo de Varsóvia e a Solidariedade. A 5 de Abril de 1898 realiza-se esse encontro, que acabaria por iniciar um processo de democratização do poder, que viria a culminar nas eleições livres de Maio de 1990. Pelo meio, os acontecimentos de Berlim vinham apenas acelerar a “morte” do comunismo polaco.
 
Mas, quando se fala em brecha na “Cortina de Ferro” é obrigatório referir-se a Hungria enquanto país que, embora sob influência de Moscovo, conseguiu adoptar um pragmatismo político e económico que a conduziu para um estádio de desenvolvimento bastante acima de muito dos outros países do bloco comunista.
 
Uma espécie de “ocidentalização subterrânea”, que no final dos anos 80 começa a revelar-se à luz do dia, aproveitando as “aberturas” de Moscovo. Como resultado, a 11 de Fevereiro de 1989 o Partido Socialista Operário húngaro pronuncia-se a favor do multipartidarismo.
 
O primeiro passo tinha sido dado e o aparelho comunista daquele país começava a soçobrar, com o poder governativo a ser tomado de assalto pelos mais reformadores que, a 2 de Maio de 1989, ordenam a abertura de um ponto de passagem na fronteira da Hungria com a Áustria. Este é o acontecimento que espoleta meses mais tarde a queda do Muro.
 
Após aquela decisão, rapidamente a brecha fronteiriça se transforma num buraco gigantesco, através do qual milhares de pessoas tinham a oportunidade de alcançar o tão prometido Ocidente.
 
A embaixada da República Federal Alemã (RFA) em Budapeste foi assolada por pedidos de vistos por parte de “turistas” da RDA ansiosos por “visitar” Berlim Ocidental. O processo repetiu-se nas embaixadas da RFA em Varsóvia e em Praga. Em apenas um fim-de-semana, milhares de alemães de Leste passaram para o Ocidente.
 
Daqui até a queda do Muro foi um instante, um acto que culminaria em termos políticos com a reunificação da Alemanha a 3 de Outubro de 1990. O muro só viria ser totalmente desmantelado um ano mais tarde, ficando apenas de pé algumas secções para homenagear a História.
 

A queda do Muro de Berlim foi há 20 anos

Alexandre Guerra, 05.11.09

 

 

 

Em tempos, o autor destas linhas leu que os verdadeiros afortunados são todos aqueles que em determinado momento da sua vida presenciam um acontecimento de dimensões históricas, cujas consequências se perpetuam nas sociedades ao longo dos tempos. Uma visão algo poética, mas certamente partilhada pelas milhares de pessoas que a 9 de Novembro de 1989 assistiram e participaram num dos momentos mais marcantes dos tempos pós-modernos: a queda do Muro de Berlim.
 
Celebram-se agora 20 anos sobre aquele acontecimento, iniciado poucas horas após a conferência de imprensa do responsável pela comunicação do Governo da República Democrática Alemã (RDA), Guenter Schabowski, para anunciar que os cidadãos de Berlim Leste poderiam visitar a parte ocidental da cidade. Embora a sessão plenária do comité central do partido comunista (SED) tivesse acordado que a medida só devia entrar em vigor dias mais tarde, Schabowski desconhecia esse facto, acabando por dizer, erradamente, aos jornalistas que a mesma tinha efeitos imediatos.
 
Foi apenas uma questão de horas até que milhares de berlineses se juntassem dos dois lados do muro, vivendo momentos de festividade e de celebração, anunciando o fim de uma trágica história que se iniciara na manhã do dia 13 de Agosto de 1961, quando o Governo da RDA decidiu pôr cobro ao massivo movimento migratório de Berlim Leste para a zona ocidental, que se fazia sentir desde a chegada do Exército Vermelho a território alemão, em 1945.
 
Relembre-se que a “libertação” da Alemanha assumira rapidamente contornos de “ocupação”, através da “sovietização” de todo o território compreendido entre Berlim e Moscovo. A cidade alemã passou a ser a fronteira entre a Europa ocidental e o império comunista. O famoso Checkpoint Charlie, hoje um local de peregrinação turística, é o símbolo mais conhecido dessa barreira política e militar entre dois mundos, cujas visões das relações internacionais eram concorrentes e incompatíveis.
 
A queda do Muro de Berlim representou o desmoronar de uma Europa de Leste erigida sobre os escombros da II Guerra Mundial, e que à luz dos interesses do equilíbrio do sistema bipolar mantinha um conjunto de Estados sob o jugo do poder soviético.
 
Como escreveram o antigo director do Le Monde, Jaqcques Lesourne, e o jornalista francês, Bernard Lecomte, no seu livro “O Pós-Comunismo do Atlântico aos Urais” (Bertrand Editora), o “ano de 1989 permanecerá na História como o da queda dos regimes comunistas da Europa de Leste. De Varsóvia a Budapeste, de Berlim Leste a Praga, de Sófia a Bucareste.
 
Em poucos meses, todo o edifício erigido por Estaline entre 1945 e 1949 se afundará como um castelo de cartas”. Com isto, assistia-se ao fim de um confronto de ideias universais, defendidas por dois campos irreconciliáveis.
 

Leituras

Alexandre Guerra, 02.11.09

 

Com a desistência de Abdullah Abdullah para a segunda volta das presidenciais no Afeganistão, Hamid Karzai confirmou a sua reeleição para a presidência do país, tendo agora pela frente importantes desafios para ultrapassar. Karzai win complicates White House strategy for Afghanistan, uma análise publicada esta Segunda-feira no Washington Post, aborda as manobras políticas em redor de todo este processo.

 

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