À beira do 60º Aniversário de Israel, William Kristol escreve no The New York Times o artigo The Jewish State at 60, uma perspectiva conservadora sobre o Estado hebraico. Num olhar mais crítico e mordaz, Bradly Burston, na sua habitual coluna A Special Place in Hell no Haaretz, escreve Sixty Years of Nakba, 60 years of nothing.
De acordo com a BBC On Line, o Sudão anunciou o corte de relações diplomáticas com o Chade. Uma notícia preocupante, mas que não surpreende quem tenha estado atento à realidade que se vive naquela região desde 2003. Há muito que o regime de Cartum tem acusado o Chade de estar a apoiar os rebeldes pró-Janjaweed a operar no Darfur.
Depois de um ataque perpetrado num dos subúrbios de Cartum, o Presidente sudanês, Omar al-Bashir, foi à televisão estatal para informar que os responsáveis por aquele acto eram milícias do Chade e, como tal, impunha-se o corte de relações diplomáticas. Mas, o mais importante deste comunicado foi o facto de al-Bashir ter aludido ao direito de retaliar contra o país vizinho, potenciando um cenário de crise regional que já se adivinhava há bastante tempo.
Apesar do Chade ter rejeitado qualquer ligação a este ataque, dificilmente esta posição atenuará o clima de conflito iminente, porque os rebeldes liderados por Khalil Ibrahim, alegadamente uma facção do grupo JEM (com fortes ligações ao Governo do Chade), continuam a atacar posições nos arredores de Cartum. Convém também referir que o Governo do Chade acusa o Sudão de ter tentado elaborar um golpe de Estado para derrubar o Presidente Idriss Debby.
Num altura em que os esforços diplomáticos internacionais na procura de uma solução são praticamente inexistentes e que a força híbrida das Nações Unidas-União Africana no Darfur está muito aquém dos efectivos desejados, começam a estar reunidos todos os factores para a eclosão de um conflito regional entre Estados. Ao qual se juntará também a República Centro Africana (CAR), que tem acusado Cartum de estar a apoiar a União das Forças Democráticas para União (UFDR) a operar no norte do país. Perante este cenário, o Chade já fez saber que enviará forças para a CAR de modo a ajudar aquele país a combater os rebeldes da UFDR. Alexandre Guerra
Ainda a propósito da prestação de Hillary Clinton nas primárias do Partido Democrata, o Diplomata sugere a leitura do artigo de opinião do Nicholas D. Kristof, The Too-Long Goodbye, publicado esta Quinta-feira no The New York Times.
Para Matt Frei, correspondente da BBC World nos Estados Unidos e bloguer atento às primárias norte-americanas, diz que só um milagre salvará a campanha de Hillary Clinton.
São bastante interessante as imagens de satélie da Digital Globe que o New York Times publicou hoje duma região do Myanmar antes e depois de ter sido assolada pelo ciclone Nargis, a 2 e 3 de Maio.
José Manuel Durão Barroso, actual presidente da Comissão Europeia, deverá continuar a residir em Bruxelas nos próximos anos. O seu futuro na alta esfera da política europeia parece estar cada vez mais assegurado, sobretudo depois do Presidente francês, Nicolas Sarkozy, ter vetado o nome de Tony Blair para o recém criado cargo de Presidente da União Europeia.
Sem o apoio de Paris, Blair está praticamente arredado de uma disputa por aquele cargo, até porque a chanceler alemã, Angela Merkel, também não vê com bons olhos a nomeação do antigo primeiro-ministro britânico. No entanto, isto não significa que Barroso tenha a porta aberta para a presidência da UE, porque é possível que seja convidado a manter-se à frente do colégio de comissários.
Caso se verifique este cenário, o cargo de Presidente da UE poderá ser entregue ao primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Junker, ou até mesmo ao chefe do Governo dinarmarquês, Anders Rasmussen.
Para já, são estes os nomes que estão em cima da mesa, mas uma coisa é certa: o simples facto de Barroso poder vir a manter (no caso da presidência da Comissão) ou a ocupar um dos dois mais importantes cargos internacionais é, por si só, um reconhecimento por parte dos parceiros europeus do trabalho desenvolvido nos últimos quatro anos. AG
O Estado de Israel celebra no próximo dia 14 de Maio o seu 60º Aniversário. Para assinalar essa data, o The Israel Project, uma organização não governamental sem fins lucrativos e desvinculada de qualquer governo, reuniu um vasto manancial de informação sobre Israel e o Médio Oriente.
O Diplomata já aqui se referiu à problemática do "esgotamento" das ideias que perpassa a maioria dos comentadores do regime desta República. Entre esses, Pacheco Pereira e Vasco Pulido Valente foram alguns dos nomes mencionados, como portadores de um discurso que se "arrasta" há quase três décadas, e que hoje pouco ou nada tem para oferecer ao leitor.
Não obstante esta (triste) realidade, da longa experiência de vida dessas pessoas e do seu reconhecido valor intelectual resultam ainda alguns textos de recomendável leitura, como aquele que Pacheco Pereira assina hoje no Público.
O ataque cirúrgico perpetrado pelos Estados Unidos na Somália, e confirmado pelo CentCom, demonstra que os serviços de informação norte-americanos estão atentos e activos naquela região. Por mais anárquica que esteja a conjuntura somali, o lançamento de um míssil contra um alvo específico na cidade de Dusamareb revela preparação estratégica e muito trabalho de campo.
Aden Hashi Ayro, chefe militar do movimento al-Shabab (uma espécie de filial da al-Qaeda na Somália) e mais 10 pessoas daquela organização foram eliminadas pelas forças americanas, numa operação cuidadosamente preparada, como confirmou o porta-voz da CentCom, Bob Prucha, à Associated Press.
A al-Shabab é considerada pelos Estados Unidos como uma organização terrorista e representa a ala mais radical da União dos Tribunais Islâmicos, que em 2006 conseguiu conquistar parte do território da Somália, sendo depois derrotada pelas forças etíopes.
De acordo com as várias fontes citadas pela BBC On Line, Aden Hashi Ayro foi um dos muitos terroristas que recebeu treino no Afeganistão nos anos 90, sendo claramente identificado como um homem de acção no terreno e não como um político.
Ainda segundo a informação disponível, o míssil (de alta precisão, embora desconhecendo-se o tipo de sistema) que matou Ayro foi lançado de um dos navios da frota americana no Índico, tendo também sido usados informadores no terreno. Ora, isto aparentemente demonstra que Washington e os serviços de informação tradicionais e militares americanos têm estado, no mínimo, atentos ao que se passa na Somália. Alexandre Guerra