"A oratória parlamentar, que nesta República reflecte a iliteracia geral, não se ouve sem repugnância. O debate não informa, não explica, não esclarece. Os partidos dizem o que se espera que digam. Um ou outro "notável" tenta meter um 'soundbyte'. E, no fim, a imprensa e a televisão declaram que o primeiro-ministro 'ganhou'."
Vasco Pulido Valente in Público, "A farsa e a polícia" (2/03/07)
Por estes dias, a diplomacia norte-american tem andado particularmente activa. Primeiro, foi o acordo alcançado com a Coreia do Norte. Mais recentemente foi o anúncio da disponibilidade de Washington em reunir-se com representantes iranianos e sírios para discutirem o processo de estabilização no Iraque.
Por isso, e para melhor se compreender o que é o "realismo" nas relações internacionais, o Diplomata sugere a leitura de U.S Had Doubts on North Korean Uranium Drive, escrito pelo conceituado David E. Sanger e William J. Broad, do New York Times.
Também no mesmo jornal, Helene Cooper analisa as recentes movimentações da diplomacia americana. "Terá a administração Bush ficado mais 'soft' face aos seus inimigos?" Uma pergunta à qual se tenta dar resposta no artigo In US Overtures to Foes, Signs of New Pragmatism.

Muitos defeitos e debilidades podem ser apontados ao sistema político italiano, que desde a II Guerra Mundial vai triturando governos a uma velocidade estonteante. Mas uma coisa é certa, a Itália continua a dar mostras de uma grande criatividade política, originando cenários governativos que surpreendem os espíritos dos mais criativos analistas (talvez isto ajude a explicar a longa tradição que a Itália tem em Ciência Política, produzindo autênticos "clássicos" de referência mundial).
Ao fim de dez dias politicamente conturbados, o primeiro-ministro Romano Prodi vê-lhe chegar um apoio, precisamente do último sítio expectável. Efectivamente, Silvio Berlusconi, que lidera a coligação de centro-direita, comprometeu-se a apoiar Prodi na votação de 1 de Abril relativamente à manutenção da missão militar italiana no Afeganistão.
Embora tratando-se de um apoio específico, não deixa de ser curioso que Prodi encontre em Il Cavaliere uma tábua de salvação. "Nós iremos votar para o refinanciamento da missão afegã, porque nós somos um país que tem de actuar seriamente e temos que enviar uma mensagem clara aos nossos aliados", disse hoje Berlusconi.
Por mais que custe a Prodi aceitar a ajuda do seu principal opositor, a verdade é que nesta altura o chefe do Governo tem poucas alternativas, uma vez que o voto de confiança que conquistou ontem no Senado (e que deverá obter na sexta-feira na câmara baixa) não resolve, por si só, o problema do Afeganistão. Dos 9 partidos que integram a coligação governativa, alguns, sobretudo os de cariz comunista, já fizeram saber que continuam a opôr-se à manutenção dos 1800 soldados italianos em território afegão até 2011. AG
Senado italiano (câmara alta)

Fonte: BBC on Line
