Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

Medidas restritivas da China poderão fazer ressurgir violência no Tibete

 

 

O Tibete pode, nos próximas semanas, voltar a viver momentos conturbados à semelhança daqueles que se verificaram em Março do ano passado, fruto de uma onda de protesto contra a China sem paralelo nos últimos vinte anos. Pequim diz que morreram 18 pessoas, mas grupos defensores dos direitos humanos falam em mais de 200 e muitos outros tantos desaparecidos.

 

O eventual ressurgimento de violência deve-se ao facto das autoridades chineses terem encerrado as fronteiras do Tibete a turistas até ao final de Março, mês durante o qual se celebra o 50º aniversário da revolta tibetana e da consequente partida de Dalai Lama para o exílio.

 

Perante este acto, o próprio Dalai Lama, através do seu porta-voz na Índia, exortou hoje os seus seguidores a não celebrarem a passagem de Ano Novo tibetano, esta Quarta, como protesto e homenagem a todos aqueles que morreram ou estão presos depois dos confrontos do ano passado.

 

A China continua a garantir que o Tibete é uma região socialmente estável e pacífica, estando a crescer economicamente, mas os grupos de direitos humanos e os tibetanos no exílio rejeitam esta visão.

 

O Dalai Lama admitiu em Novembro último, durante um encontro com 500 líderes tibetanos, que estaria a perder "esperança" de que a sua abordagem diplomática fosse alguma vez produzir resultados junto da China, mesmo estando a falar de uma autonomia alargada e não de independência.

 

Efectivamente, o movimento tibetano no exílio nunca teve força política nem diplomática para provocar pouco mais do que embaraços ao Governo de Pequim (sobre este assunto, o Diplomata sugere a leitura de um texto de sua autoria de Julho de 2008). Perante este cenário, hoje mais do que nunca, constata-se uma autêntica ausência de estratégia para abordar a questão tibetana com a China.

 

Esta situação começa a provocar fissuras acentuadas no seio do movimento no exílio, que poderão adensar-se na altura em que chegar o processo de sucessão do líder espirutal. O actual Dalai Lama já afirmou que poderá romper com uma tradição de séculos e nomear ele próprio o novo líder tibetano.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 19:05
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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