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A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) está receptiva à discussão sobre a possibilidade de se instalar uma central nuclear em Portugal. Na quarta-feira (7-02-2007), o vice-presidente da ANMP, Ribau Esteves, referiu que vai levar este assunto à próxima reunião do Conselho Directivo, de modo a que aquela organização participe formalmente neste debate.
Esta notícia surgiu no mesmo dia em que um grupo de empresários, liderado por Sampaio Nunes e ligado a Patrick Monteiro de Barros, apresentou um pacote de potenciais benefícios fiscais para os municípios que decidam optar por este tipo de energia. Esta ideia foi sustentada com um estudo exaustivo que visa enfatizar a viabilidade técnica e financeira de um projecto deste género. Projecto esse que parece contar com o apoio do Centro de Fusão Nuclear.
Comissão Europeia dá luz verde
Quando recentemente o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, deu luz verde aos Estados-membros para que optassem pelo recurso à energia nuclear, caso fosse essa a sua vontade, estava assim dado um passo importante para a consolidação de algumas políticas energéticas nacionais que, nos últimos anos, privilegiaram a reactivação ou activação de programas nucleares visando a produção de energia eléctrica.
A sua capacidade produtiva permite-lhe ainda exportar electricidade que, segundo os dados mais recentes, rende anualmente 3 mil milhões de euros aos cofres gauleses. Trata-se de um autêntico negócio, que aliás se verifica noutros países europeus como, por exemplo, na Bulgária.
Neste caso, o país está munido apenas com uma central em Kozloduy, embora seja uma das maiores do mundo (www.kznpp.org) com seis reactores (o que é raro). Porém, só dois estão a funcionar (com 1000 MW cada), sendo responsáveis por cerca de 40 por cento da electricidade consumida naquele país. A Bulgária consegue ainda exportar electricidade para os vizinhos balcânicos. Cerca de 75 por cento da população daquele país apoia este tipo de fonte energética. Está prevista ainda a construção de uma nova central com 4 ou 6 unidades na localidade de Belene, devendo estar concluída em 2013.
Voltando ao caso francês, a decisão do Governo tomada em 1974 após o primeiro choque petrolífero, permitiu ao país ter hoje um alto grau de independência energética, com um dos custos de electricidade mais baixos da Europa.
China, EUA, Índia, Brasil, todos apostam no nuclear
Assim, energia limpa, barata e segura é ainda um sonho, mas que começa a ter contornos reais no projecto ITER. Um tema ao qual o Diplomata dedicará, em breve, algumas linhas.
