
Londres – 1984
Na maioria dos casos, os homens e mulheres entregavam-se aos prazeres da vida, independentemente das consequências de tais actos. No fundo, cada um pensava aquilo que entendia, namorava com quem gostava, comia aquilo que lhe apetecia, praticava o desporto que lhe agradava e “vegetava” quando queria.
Ao “descobrir” essa Londres, Winston ficou fascinado e libertou-se do modelo de pensamento dominante, entretanto, instituído pelo Big Brother, que formatava uma sociedade quase pós-humana. Winston decide, também ele, entregar-se aos “pequenos prazeres” de outras vidas. Nesta altura, volta a sentir-se humano.
O Presidente Cavaco Silva, em declarações na Academia Portuguesa de Medicina, alertou para a “necessidade de legislação e procedimentos administrativos claros, não só sobre o tabagismo, mas no combate ao consumo excessivo de álcool, obesidade e estilos de vidas sedentários.” Nesta frase existem duas ideias que combinadas são potencialmente perturbadoras: “Necessidade de legislar” e “estilos de vidas”.
Constança Cunha e Sá, no seu artigo de opinião de sexta-feira (9-02-2007), sublinha que a saúde se transformou na nova religião do Estado, o qual obriga os cidadãos a “ter uma vida longa e saudável e a morrer tarde e a más horas, com os pulmões limpos e os músculos em forma”. A saúde e a técnica surgem como o primado da sociedade.
Vasco Pulido Valente complementa, hoje (10-02-2007), este raciocínio com uma crítica feroz a Cavaco: “Não ocorreu com certeza a nenhum homem público do Ocidente, em nenhuma época e em nenhum sítio, uma ideia deste inexplicável teor.” Alexandre Guerra
