Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007

Imobiliário: mais um factor desestabilizador entre a Geórgia e a Rússia?

 


O mercado imobiliário na Abkhazia, república que goza de uma independência "de facto" mas não "de jure" relativamente à Geórgia (país onde está incrustada), parece estar em alta. Aquele que foi o destino de eleição dos russos nos tempos soviéticos, volta agora a estar na sua mira, que vêem no território oportunidades de realizarem bons negócios. 


Com um excelente clima, paisagens deslumbrantes e banhada pelo Mar Negro, a Abkhazia oferece o que mais nenhuma região ou país nas costas daquele mar proporciona: preços baixos e bons imóveis. Ouvido pelo The Moscow Times, Sergei Mikheyev do Centro para as Políticas Tecnológicas refere que os russos estão novamente em condições para começarem a investir em força. 


Face a preços tão atractivos, motivados sobretudo pela conturbada conjuntura política que se abate sobre a Abkhazia e pela sua remota localização geográfica, os russos têm correspondido aos anúncios de particulares e de imobiliárias abkhazes publicados nos jornais da Rússia. 


Muitas das casas que estão à venda pertenceram a cidadãos georgianos que fugiram daquele território durante o período de conflito espoletado com a implosão da URSS em 1991 e que terminou em 1993, provocando 10 mil mortos. As autoridades da Abkhazia nacionalizaram os imóveis e, desde então, tem sido possível comprar casas a baixo custo. No entanto, só a partir de 2002 é que o mercado turístico e de arrendamento ganhou um maior fôlego, visto que as autoridades russas reabriram a sua fronteira com aquela república. 


Agora, com o poder de compra dos russos mais fortalecido o negócio parece estar em franco crescimento. Esta é, porém, uma situação que não agrada ao Governo de Tbilisi, que já fez saber que se prepara para processar todos os novos proprietários, tendo mesmo ameaçado levar o caso ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.


Dadas as já conflituosas relações entre a Geórgia e a república da Abkhazia, quem sabe não esteja aqui mais um potencial factor desestabilizador naquela região. Sobretudo entre Tbilisi e Moscovo, uma vez que o Kremlin tem promovido ao longo dos últimos anos uma política de influência sobre a Abkhazia. Relembre-se que este território é aos olhos do direito internacional parte integrante do Estado da Geórgia, apesar da maioria dos abkhazes rejeitar esse princípio e optar pela nacionalidade russa.   


Entretanto, quem quiser investir na Abkhazia o melhor é fazê-lo já, porque os preços estão a galopar de ano para ano. AG      

Publicado por Alexandre Guerra às 13:00
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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