Quatro meses após ter tomado posse como Procurador-Geral da República Portuguesa, Fernando Pinto Monteiro deu duas entrevistas (ontem à RTP e hoje ao Público), num registo calmo e prudente, evitando precitpitar-se em declaraçõe comprometedoras.
A excepção terá acontecido num momento da conversa que teve com Judite de Sousa, no qual o PGR assumiu perante a sua interlocutora e os telespectadores que a investigação ao processo "Apito Dourado" deverá estar concluída, em princípio, até Junho, independentemente de resultar no arquivamento ou na acusação.
Com esta posição, Pinto Monteiro demonstra ter confiança no trabalho desenvolvido pela procuradora-adjunta, Maria José Morgado, responsável pelas investigações daquele processo.
Quanto aos acontecimentos na Câmara Municipal de Lisboa, Pinto Monteiro anunciou a abertura de um processo de sindicância para "normalizar" a autarquia.
Mais interessante, é a entrevisa publicada no Público, na qual se fica a conhecer melhor a abordagem que Pinto Monteiro faz ao cargo de PGR. "É um lugar que comporta uma certa solidão", diz. No entanto, o Procurador parece estar disposto a pagar esse preço, para "contribuir para uma melhor justiça do povo português".
Pinto Monteiro está igualmente empenhado em marcar o seu estilo de liderança, embora rejeite o papel de "comandante" ou "senhor feudal". Agilizar e dinamizar o Ministério Público são objectivos propostos.
Desmentiu a extinção do Departamento de Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), algo, aliás, que "nunca lhe passou pela cabeça", e mostrou-se veementemente "contra as escutas [telefónica] indiscriminadas".
Relativamente ao processo "Furacão", Pinto Monteiro quis fazer passar a imagem de ser uma pessoa informada e próxima das investigações.
Por último, o PGR compreende que a Justiça terá de aprender a conviver com os órgãos de comunicação social, tendo, por isso, defendido a importância de os tribunais terem assessores de imprensa "capazes de facultar informação aos jornalistas de forma acessível". AG
