Dick Cheney raramente fala, mas quando se pronuncia sobre qualquer assunto o eco é bem audível. Em visita à Austrália, o vice-Presidente dos Estados Unidos enviou um "recado" à China, fazendo saber que o investimento massivo que este país está a fazer na área da Defesa é um motivo de "preocupação" para Washington.
Embora tenha elogiado o papel que Pequim desempenhou no processo negocial com a Coreia do Norte, que resultou no acordo de 13 de Fevereiro, não deixou de sublinhar que "as outras acções [militares] levadas a cabo pelo Governo chinês enviam outra mensagem".
As palavras de Cheney têm particular importância uma vez que reflectem, quase sempre, a posição da Casa Branca.
Cheney, que falava durante uma conferência da organização Australian-American Leadership Dialogue em Sydney, sustentou as suas declarações com o ensaio militar que a China efectuou no passado mês de Janeiro, no qual procedeu à destruição de um seu satélie inactivo em órbita com um míssil balístico, num gesto claramente desafiador à mais recente doutrina da administração norte-americana quanto ao uso de armas no Espaço.
Washington, que em 2002 recusou um acordo com Moscovo para a interdição de armas no Espaço, pretende ter uma abordagem unilateral relativamente a esta questão. Confiando nas suas capacidades técnicas ao nível militar e espacial (para já ainda sem concorrência digna desse nome), a administração liderada pelo Presidente George W. Bush visa o controlo total da utilização do Espaço com fins militares.
Bush chegou mesmo a emitir um decreto, em Agosto no ano passado, no qual se lê o seguinte: "Os Estados Unidos opor-se-ão ao desenvolvimento de novos regimes legais ou outras restricções que procurem proibir ou limitar o uso norte-americano do Espaço." AG
