A primeira notícia que merece atenção, e caso se confirme marcará a agenda política da próxima semana, prende-se com o possível "regresso" de Paulo Portas ao CDS. De acordo com a edição de ontem do jornal Sol, o antigo ministro da Defesa deverá anunciar na terça ou quarta-feira, em conferência de imprensa, "a sua disponibilidade para se candidatar à liderança" do partido.
Certamente, que esta era uma notícia há muito aguardada pelos "portistas" e seguidores fiéis daquele dirigente que, desde a eleição de Ribeiro Castro para a liderança do CDS, foram saneados ou, pelo menos, afastados dos lugares de destaque.
A única excepção foi, de facto, o grupo parlamentar, que durante algum tempo ainda se manteve como uma força contrária à influência de Ribeiro Castro. De tal forma, que o resultado foi aquele que se viu recentemente, com episódios lamentáveis, envolvendo acusações e trocas de argumentos entre Nuno Melo e dirigentes nacionais do partido, incluindo Ribeiro e Castro.
Perante o clima de conflito que se vive dentro do CDS, é quase certo que desde ontem já se contam espingardas nos dois lados das trincheiras. Nuno Melo e Telmo Correia não deverão perder esta oportunidade para clamarem "vingança": o primeiro, por ter perdido a liderança da bancada parlamentar (de que tanto gostava), o segundo, por não ter conquistado a liderança do partido (que tanto queria).
Mas, outros actores se deverão juntar a este processo (interessante será ver o papel de Maria José Nogueira Pinto, sobretudo com esta crise na Câmara de Lisboa).
Do lado do poder instituído, pode-se já amanhã saber qual o nível de preocupação de Ribeiro Castro. Se decidir ficar por Lisboa e não apanhar o tradicional voo das segundas-feiras à tarde para Bruxelas (onde funcionam os serviços do Parlamento Europeu), então está definido: a sua recandidatura começa a ser preparada de imediato, significando que o início das hostilidades está para breve.
A segunda notícia a reter neste fim-de-semana foi publicada, ontem, pelo Público e poderá antecipar uma nova tendência governativa nos próximos dois anos, mais concretamente até às eleições legislativas. Tendo possivelmente se inspirado em Carmona Rodrigues, José Sócrates aderiu à "moda" da acumulação de competências.
A julgar pelo Público, o primeiro-ministro "decidiu chamar a si a condução política do processo de encerramento dos serviços de urgência, tentando extinguir o rastilho que o ministro da Saúde, Correia de Campos, ateou quando, esta semana, acusou os autarcas de estarem a contribuir para a fúria das populações".
Numa altura em que o Governo faz dois anos, ora aqui está mais um bom caso prático que permite, por um lado, ver as falhas no seio do Executivo (falta de comunicação interna e pouco clareza na transmissão da mensagem para a opinião pública) e, por outro, uma melhor compreensão do estilo governativo de Sócrates. AG
