Terça-feira, 20 de Março de 2007

As quatro dimensões da política externa europeia

A poucos dias da celebração do 50º aniversário da assinatura do Tratado de Roma, mais do que nunca é premente falar-se na estratégia da política externa da União Europeia (UE). Sobretudo interessa saber quais os princípios em que assenta e de que modo define as suas prioridades.


Sobre este assunto, o Diplomata ouviu Sven Biscop, investigador do Royal Institute for International Relations (um think tank sedeado em Bruxelas e fundado em 1947 por proeminentes líderes políticos), a estabelecer quatro dimensões que deverão enquadrar toda a estratégia da política externa da UE: Segurança e defesa; economia e prosperidade; dimensão política; e dimensão social.


Na opinião daquele investigador, qualquer política definida em Bruxelas com efeitos no sistema internacional deverá ter em consideração as quatro dimensões acima referidas. No entanto, há que adaptá-las às realidades a que se destina a mesma política. Por exemplo, não faz sentido encetar iniciativas desarticuladas, tais como enviar solados para uma zona de conflito, sem haver uma articulação com a dimensão política (eleições, instituições, etc).


Da mesma maneira que não faz sentido estar a promover o investimento em determinado país, sem o devido acompanhamento social (por exemplo, através da educação ou da formação).
  Porque, caso não se verifique esse equilíbrio na aplicação das políticas da União Europeia, é provável que o trabalho fique incompleto. “A UE não pode parar a meio”, sublinhou Sven, exemplificando com a actual situação no Líbano.  

Embora considere positivo o facto de países europeus contribuírem quase com 8 mil soldados para a força da ONU, a UNIFIL II, o investigador avisa que a UE terá de continuar o processo de estabilização do país, aprofundando a dimensão política de modo a valorizar a dimensão de segurança e militar, actualmente a ser aplicada no terreno.  Por outro lado, não se percebe por que é que a UE, que doa tanto dinheiro em ajuda ao desenvolvimento para os países africanos, apostando, assim, na economia e prosperidade, não complemente esta iniciativa com a dimensão militar. Basta ver o parco número de soldados europeus em missões no continente africano ao serviço da ONU ou da UE.


Ora, este desequilíbrio inviabiliza a prossecução de boas políticas.  E, na opinião de Sven, é uma situação contraproducente porque quanto mais os falhanços da política externa europeia, mais credibilidade a UE vai perdendo junto de outro actores das relações internacionais. Alexandre Guerra, em Bruxelas
Publicado por Alexandre Guerra às 06:21
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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