Quarta-feira, 21 de Março de 2007
Num almoço informal com o porta-voz do comissário belga, Louis Michel, veio à conversa a problemática da “transparência” da informação que é veiculada pela Comissão. Amadeo Altajaf, que já foi jornalista, foi franco o suficiente para assumir que em Bruxelas nunca ninguém diz toda a verdade. As razões são de ordem vária, mas efectivamente fica sempre algo por revelar.
Mas isso não significa que a informação em causa não seja mais tarde veiculada num ambiente informal ou para um “contacto” mais próximo. Refira-se que em ambos os casos, a fonte impõe sempre a regra do “off the record”.
Tudo isto para dizer que a “Europa” que os cidadãos dos Estados-membros, nomeadamente os portugueses, conhecem está sobretudo dependente da habilidade dos jornalistas em se “mexerem” pelos corredores de Bruxelas e da sua inteligência e perspicácia com que tratam as notícias (e aqui é importante que seja filtrada a informação que é debitada diariamente em Bruxelas e trabalhá-la de acordo com os interesses dos leitores da cada Estado-membro). No fundo, a “boa” informação resulta da combinação destas duas realidades.
Numa altura em que se celebra o 50º aniversário do Tratado de Roma, é importante que se discutam formas de fazer chegar a informação comunitária aos cidadãos em moldes perceptíveis e compreensíveis. Porque o “comissionês” (termo que o Diplomata ouviu pela primeira vez da boca de uma funcionária da Comissão) só é entendido por num núcleo restrito que lida mais directamente com as questões comunitárias. Mas, o projecto da União Europeia assenta num conjunto de povos e não apenas de pessoas e, como tal, tem que chegar mais longe.
Esta tem sido uma das preocupações da Comissão levada muito a sério pelos funcionários intermédios (leia-se de Direcções-Gerais) da Comissão, assim como do Parlamento Europeu. Porém, o esforço terá que ser coordenado entre instituições e Estados-membros, sendo imprescindível o papel dos jornalistas nesta equação. Alexandre Guerra, em Bruxelas
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