Sábado, 24 de Março de 2007

“Sinto que existe vontade de avançar”

A realização da II Cimeira Europa-África no segundo semestre deste ano é um dos grandes objectivos da presidência portuguesa da União Europeia, no entanto, a preparação diplomática daquele evento não deverá ser fácil, atendendo à conjuntura política de alguns Estados africanos.


Destes, o Zimbabwe será o caso mais sensível e aquele que trará mais preocupações ao Governo português. O Reino Unido, por exemplo, opõe-se veementemente a participar numa cimeira na qual estejam representados elementos zimbabweanos e, muito menos, o seu chefe de Estado, Roberto Mugabe.



Seja como for, a iniciativa proposta por Portugal para a realização da cimeira está a ser apoiada pela actual Presidência alemã da UE, que fez da assistência ao desenvolvimento dos países ACP (África, Caraíbas e Pacífico) uma das suas prioridades. Também a Comissão Europeia aguarda com entusiasmo a realização deste evento, considerando premente uma aproximação entre a União Europeia e a União Africana.    

 


Françoise Moreau, da Direcção Geral para o Desenvolvimento, considera que neste momento “existem temas, tais como ambiente ou questões humanitárias, que geram consenso quanto à sua discussão”. Certamente, que o mesmo já não se aplica a matérias políticas, mas para aquela funcionária da Comissão este é o momento para se dar um novo passo nas relações entre os Estados europeus e África. “Sinto que existe vontade de avançar”, sublinhou Moreau ao Diplomata, referindo-se à posição manifestada pelos líderes africanos e europeus.

 


É neste contexto que Portugal poderá assumir um papel muito importante no diálogo entre as duas partes, sobretudo por causa de dois factores que Moreau realça.

 


O primeiro tem a ver com o facto de Portugal ser um país “com bom conhecimento” da realidade africana e com relações privilegiadas com alguns Estados daquele continente. O segundo factor deve-se à constatação de Portugal gerar menos desconfiança quando comparado com outras antigas potências coloniais, como a França, a Bélgica ou o Reino Unido. O diálogo com África “é mais fácil para países pequenos, tais como Portugal”, porque, aos olhos dos Estados africanos, são menos suspeitos”. Alexandre Guerra    
Publicado por Alexandre Guerra às 18:08
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Da autoria de Alexandre Guerra, o blogue O Diplomata foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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