Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017

Xi Jinping, uma agenda a pensar na China de 2049

 

Na China o tempo tem outro tempo. Os líderes chineses pensam a longo prazo, não em termos de ciclos eleitorais de quatro ou cinco anos, mas numa lógica de décadas. Xi Jinping, o Presidente chinês e secretário-geral do Partido Comunista Chinês (PCC), tem uma estratégia de “modernização socialista” definida para 2049, ano em que aquele país celebra o centenário da instauração da República Popular. Na chefia do Estado desde 2012, dizem os analistas que nunca nenhum outro líder chinês acumulou tanto poder desde Mao Tse Tsung. Efectivamente, Jinping tem revelado uma agenda de imposição de autoridade dentro do próprio PCC, levando a cabo uma autêntica purga no seio das estruturas e subestruturas do partido, quer a nível central, quer a nível local. A corrupção entre os quadros do partido tornou-se um vírus, que Xi Jinping não hesitou em erradicar. Ao mesmo tempo que a economia continuou a crescer e o país a modernizar-se, o regime tem apostado forte numa agenda militar, reforçando ano após ano o orçamento da Defesa, estando neste momento em construção um segundo porta-aviões, num claro sinal de que a China, a par do seu Exército, quer ter argumentos para a disputa dos mares. E por falar em mares, tem sido no Mar da China que Pequim tem revelado tendências expansionistas, algo que não tem sido propriamente característico na sua longa história.

 

Toda esta estratégia entronca no discurso de Xi Jinping na abertura do 19º Congresso do PCC, no qual proclamou uma “nova era” para a China, tendo chegado a altura daquela potência “ocupar o palco central no mundo”. O Congresso do PCC, neste momento reunido em Pequim com mais de 2300 delegados, é o principal órgão do partido, porém, só é convocado apenas de cinco em cinco anos. Entre outras coisas, tem a função de eleger os membros do poderoso Comité Central, cerca de 250 membros, que, por sua vez, nomeiam os elementos do Politburo, perto de 25. E é daqui que saem os sete poderosos homens que governam a China, o chamado Politburo Standing Committee, no qual está o Presidente e secretário-geral do partido (de notar, que cabe ao Comité Central a escolha do nome para secretário-geral e posterior Presidente, sendo que nesta matéria nada de novo acontecerá).

 

A questão que se coloca neste Congresso é saber até onde vai o poder de Xi Jinping e que orientações ditará para os próximos anos, nomeadamente, no que diz respeito à apresentação de novos nomes que possam um dia suceder-lhe na liderança do PCC. Tradicionalmente, é isso que costuma acontecer, mas existem dúvidas de que Xi Jinping queira, para já, perfilar potenciais sucessores, para não emitir sinais de que, num horizonte próximo, a sua saída poderia estar a ser equacionada. Além disso, é inegável que está claramente em curso um reforço do poder do Presidente. Por exemplo, aquilo que é conhecido como “Pensamento de Xi Jinping” ou “Teoria de Xi Jinping”, que na prática consubstancia a ideologia do líder chinês, poderá ficar inscrito na Constituição, já que o Congresso tem poderes para alterar aquele documento. A acontecer, será o primeiro líder, desde Mao, a ver a sua doutrina incorporada na Constituição com referência directa ao seu nome.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 19:37
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