Domingo, 18 de Dezembro de 2016

Um assunto que devia incomodar...

 

0Q3A1550 - Copy.JPG

636173763756070033-AFP-AFP-J53C0-87408388.JPG

 

O que se está a passar em Aleppo é já um drama humanitário, mas tem todas as condições para se tornar numa tragédia sangrenta (é bom nunca esquecer acontecimentos como o de Srebrenica em Julho de 1995). Há uns dias, as Nações Unidas alertaram para o facto de cerca de 100 mil pessoas estarem encurraladas em pequenas áreas na zona oriental de Aleppo. Supostamente, está em curso um plano de evacuação, mas os poucos relatos fidedignos que nos chegam do terreno é de que está o caos instalado, com as forças governamentais sírias de um lado, apoiadas pela Rússia e milícias xiitas (que vieram do Irão, Paquistão, Líbano e Afeganistão), e os rebeldes sunitas do outro, que contam com a ajuda da Arábia Saudita, Turquia e EUA. Pelo meio, ainda estão vários grupos islamistas radicais, que não hesitarão em derramar sangue se a situação se precipitar em violência. Esta é uma daquelas alturas em que uma força de interposição multinacional, fosse da ONU ou da NATO, faria todo o sentido.

 

Estas duas fotos foram tiradas nos últimos dois/três dias e dão que pensar. As imagens que têm chegada de Aleppo são de uma intensidade tocante, numa altura em que as pessoas neste nosso mundo civilizado andam na normalidade das suas compras natalícias para os familiares, filhos e amigos. E é assim que devia ser em qualquer parte do mundo, mas, infelizmente, o contraste é brutal com algumas regiões e isso devia incomodar cada vez mais as lideranças mundiais. Mas pelos vistos...

 

tags: ,
Publicado por Alexandre Guerra às 16:42
link do post | comentar
partilhar
Sexta-feira, 19 de Agosto de 2016

Ontem, todos se comoveram. Hoje, já ninguém quer saber

 

460x.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais uma vez o mundo ocidental lá se consternou e emocionou perante o olhar vazio e desalmado de Omar Daqneesh, uma criança de 5 anos que, num estado letárgico quase catatónico, esperava pacientemente pelo salvamento do resto da família (felizmente todos sobreviveram, mas outras cinco crianças morreram), depois do seu prédio, localizado num bairro de Aleppo conotado com os rebeldes, ter sido atingido por um raide aéreo da aviação russa ou síria. Nem um choro ou lamento de Omar, apesar do seu rosto estar coberto de sangue e o seu corpo todo sujo de terra, como quem foi literalmente arrancado das entranhas da terra. Os jornais e as televisões, com o seu tom teatral do costume, mas sem qualquer eficácia na prossecução e pressão para uma solução política-militar, propagaram a fotografia de Mahmoud Raslan, o fotojornalista que estava no local e que captou o momento. As "redes sociais", sempre prontas para apanhar a onda da solidariedade internacional, também se indignaram e, claro está, o tema tornou-se "viral". As sociedades civis comoveram-se e a comunidade política indignou-se. Mas, tudo isto foi ontem, porque, hoje, já passou, a vida continua e já ninguém quer saber.

 

Recordo que há uns meses, em Setembro, esse mesmo mundo ocidental, sempre confortável no seu quotidiano, esses mesmos jornais e televisões, com a sua queda para o dramatismo, essas mesmas redes sociais, sempre voluntaristas, essa mesma sociedade civil, sempre predisposta para a comoção, essa mesma comunidade política, sempre indignada, reagia com lágrimas à chocante fotografia de Aylan Kurdi, um rapazinho de 3 anos, jazido de barriga para baixo, nas areias de uma praia da Turquia. Era um refugiado que, juntamente com a sua família, fugia do conflito da Síria. Na altura, por exemplo, a CNN escrevia: "Some said they hoped the images of the boy lying on the beach and his limp body being scooped up by a rescue worker could be a turning point in the debate over how to handle the surge of people heading toward Europe." O que foi feito desde então? Pouco, muito pouco mesmo, para quem se dizia tão chocado e indignado com tal barbárie.

 

150902112836-restricted-refugee-boy-bodrum-exlarge

  

Publicado originalmente no Delito de Opinião.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 12:52
link do post | comentar | ver comentários (15)
partilhar
Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2016

"Boiling point", a questão jordana

 

O gigantesco campo de refugiados Al Zaatari, na Jordânia, que acolhe refugiados sírios 

 

Nas últimas semanas, o Diplomata viu duas entrevistas do Rei Abdallah da Jordânia (uma na Euronews e outra na BBC News) a alertar para o problema que o seu país está enfrentar com o fluxo massivo de refugiados sírios, começando a provocar uma sobrecarga excessiva nos sistemas de saúde e educacional do país, já para não falar dos problemas acrescidos de segurança e integração. Mais do que um alerta, o monarca hachemita estava a fazer um sério aviso às potências com responsabilidades directas na procura de uma solução para o conflito sírio e para a questão dos migrantes. Ontem, à margem da conferência de dadores que se está a realizar em Londres, Abdallah teceu novas declarações, indo agora um pouco mais longe para dizer que o Jordânia está num "boiling point". Ou seja, o país está prestes a "rebentar".

 

Vejam-se os números: actualmente a Jordânia acolhe 600 mil sírios do total de 4,6 milhões que estão registados pela ONU. No entanto, o Governo jordano diz que existe mais de um milhão de refugiados sírios no país que não estão registados. Algo que não é muito difícil de acreditar. Tudo isto num país que tem uma população e área semelhantes à de Portugal. Além destes dados, é importante não esquecer que na composição de toda a sua população se encontram cerca de dois milhões de palestinianos com o estatuto de refugiado da UNWRA. Durante décadas, a Jordânia tem sido uma espécie de "segunda casa" para os palestinianos, num processo que, naturalmente, foi evoluindo e estabilizando ao longo dos anos. Ou seja, a questão dos palestinianos na Jordânia normalizou-se e deixou de ser um "issue" particularmente preocupante. O mesmo já não se pode dizer do que está a acontecer com a chegada de milhares de sírios à Jordânia num curto espaço de tempo, colocando novos problemas e ameaças ao reino hachemita.

 

Um desses problemas tem a ver com a ameaça à segurança, porque é importante lembrar que a Jordânia tem sido um dos poucos (senão o único) países do Médio Oriente que tem conseguido garantir estabilidade interna e apresentar-se como uma referência moderada na região. Tem sido um interlocutor de confiança com Washington, tem um tratado de paz com Israel, ao mesmo tempo que faz a ponte com vários estados árabes e, naturalmente, com a Palestina. A isto acresce o facto do Rei Adballah ter o seu território perfeitamente controlado no que diz respeito a grupos terroristas. Pelo menos até agora. E é esse um dos principais pontos de preocupação do Rei jordano, perante a chegada descontrolada de milhares de sírios ao seu país, uma realidade que pode comprometer o seu actual quadro de referência e estabilidade.  

 

Abdallah já percebeu o potencial problema e daí os vários alertas que tem lançado às potências internacionais: ou estas começam a olhar com atenção para a questão jordana ou então corre-se o risco daquele país ficar numa situação fragilizada e propícia à emergência de focos terroristas. O aviso está feito. 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 17:12
link do post | comentar
partilhar
Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2016

Uma nota sobre Guterres

 

Em Portugal é comum tecerem-se considerações acríticas altamente elogiosas sobre personalidades políticas que não "ameaçam" os alinhamentos da politiquice caseira, seja porque estão bem longe do país, a desempenhar funções no estrangeiro, ou porque estão...mortas. Almeida Santos foi um dos casos mais recentes que, de um momento para o outro, se tornou uma personagem amada e elogiada por todos (mas isso é outra história). O que o Diplomata quer aqui chamar a atenção é para a ideia generalizada que se instalou aqui no burgo de que António Guterres fez um trabalho irrepreensível enquanto Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Sendo certo que a vários níveis, nomeadamente em termos de ganho de peso político para aquele organismo, conseguiu importantes feitos, já quanto à sua capacidade de se deslocar no terreno e de gerir crises no imediato, o balanço já não é assim tão positivo. Na verdade, várias foram as críticas dentro da própria organização e de antigos responsáveis pela forma pouco hábil e enérgica como Guterres lidou com a crise dos refugiados. Uma das críticas que mais se tem ouvido (não aqui em Portugal) foi o de que Guterres nunca se deslocou à Síria desde que a guerra civil despontou há cinco anos. Por contraste, o seu sucessor desde 1 de Janeiro, o italiano Filippo Grandi, visitou ontem as instalações do Crescente Vermelho em Damasco. Será um sinal de mudança no estilo da liderança do ACNUR? Provavelmente.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 11:13
link do post | comentar
partilhar
Segunda-feira, 28 de Setembro de 2015

Putin, o mediador

 

Há uns dias, o Diplomata escrevia isto e hoje o Público noticia que "com tropas no terreno, qualquer solução [para a questão síria] tem agora que passar por ele [Putin]".

 

Publicado por Alexandre Guerra às 11:15
link do post | comentar
partilhar
Sábado, 19 de Setembro de 2015

Crise dos refugiados? O melhor é Bruxelas começar a ligar para o Kremlin

 

Enquanto os líderes europeus estão sem qualquer estratégia comum para fazer face à crise dos migrantes/refugiados, deixando transparecer um lamentável espectáculo de vazio político para o resto do mundo, optando por uma táctica de "cada um por si", Moscovo percebeu há bastante tempo que qualquer solução para este assunto terá sempre que passar por Damasco e não por Berlim, Budapeste, Roma, Atenas ou Zagreb. O que estas chancelarias europeias estão neste momento a fazer é a colocar "pensos rápidos" numa ferida profunda a céu aberto.

 

O líder russo Vladimir Putin tem aproveitado a distracção europeia para ir reforçando a sua presença política e militar na Síria, tornando-se num actor incontornável em qualquer futuro processo negocial entre a União Europeia e o regime de Damasco. Aliás, nos últimos dias, Moscovo tem surgido como o interlocutor privilegiado do Departamento de Defesa norte-americano, tendo Washington já percebido que, mais uma vez, não pode contar com a União Europeia para qualquer acção concertada mais afirmativa. O melhor mesmo é a Casa Branca ligar directamente para o Kremlin. 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 12:51
link do post | comentar
partilhar
Terça-feira, 4 de Novembro de 2014

Operação americana no Iraque e a na Síria custa entre 200 a 320 milhões/mês

 

As contas mais recentes apontam para mais de mil milhões de dólares gastos até final de Setembro com a operação militar que os Estados Unidos estão a desenvolver no Iraque e na Síria desde oito de Agosto contra o Estado Islâmico (ISIS). São valores avançados pelo Center for Strategic and Budgetary Assessment (CSBA) e podem subir até ao máximo de 1,8 mil milhões de dólares por mês, caso Washington intensifique os ataques aéreos e decida avançar massivamente com 25 mil soldados no terreno (Boots on the Ground). Até ao momento, as operações militares norte-americanas têm-se limitado a acções aéreas cirúrgicas, com uma presença terrestre tímida de um staff de 1600 homens, sobretudo ao nível de apoio de decisão e de aconselhamento (Lower-Intensity Air Campaign).

 

Se tudo se mantiver neste nível, daqui por diante está-se a falar num custo mensal entre 200 milhões a 320 milhões de dólares. No entanto, basta que as operações aéreas aumentem de ritmo e que estejam no terreno 5000 homens, para que os custos ascendam logo aos 350 a 570 milhões (Higher-Intensity Air Campaign).

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:29
link do post | comentar
partilhar
Terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Um "puzzle" difícil de montar

 

O leitor repare no seguinte "puzzle" geoestratégico: por um lado, os rebeldes curdos sírios apelam ao Governo de Ancara para apoiá-los militarmente na defesa da cidade de Kobani (cidade síria contígua à fronteira sudoeste turca) contra os militantes do Estado Islâmico (ISIS), algo que a Turquia até estaria disposta a fazer, caso os Estados Unidos decidissem por uma intervenção terrestre; por outro lado, ontem, caças F-16 e F-4 turcos bombardearam posições dos guerrilheiros curdos do PKK na província de Hakkari, junto à fronteira do Iraque.

 

Contradições próprias da guerra? Talvez, mas de certa forma compreensíveis à luz daquilo que é a "grande zona cinzenta" das Relações Internacionais. É importante não esquecer que, desde há cerca de três décadas, o Estado turco trava um combate interno com o movimento curdo do PKK, que luta pela independência do Curdistão, na região sudeste da Turquia. Teoricamente, aquilo que poderia ser o "grande" Curdistão incluiria zonas do norte do Iraque e da Síria, onde existem grandes comunidades curdas e que, neste momento, são o principal pilar de resistência aos combatentes do Estado Islâmico naquelas áreas.

 

Sendo o ISIS uma ameaça para todos, sem excepção, começaram a desenvolver-se algumas alianças tácitas, mais ou menos camufladas, mais ou menos improváveis, tais como a de soldados e mercenários americanos a combatentes iranianos na Síria. Outra dessas alianças, seria entre o Governo turco e os rebeldes curdos da Síria, no entanto, Ancara rejeita, para já, qualquer intervenção em Kobani. Uma rejeição que estará a deixar os curdos do PKK revoltados com as autoridades turcas, ao ponto destas terem respondido com os bombardeamentos acima referidos.

 

Neste momento, a questão é saber até quando conseguirá a Turquia manter-se militarmente fora deste conflito, sendo que o mesmo está a decorrer literalmente às suas portas. Além de exigir uma operação militar terrestre, Ancara já fez saber que só intervirá se os EUA definirem também como alvo o regime sírio de Bashar al-Assad. 

 

Ora, para já, Washington parece menos interessada em fazer cair Bashar al-Assad, uma vez que os soldados governamentais sírios são fundamentais no combate aos guerrilheiros do Estado Islâmico dentro da Síria, onde reside o seu principal foco de actividade. 

 

Perante estas variáveis todas e condicionantes, não é de estranhar que o Estado Islâmico tenha conseguido conquistar uma importante área daquela região do Médio Oriente em relativamente pouco tempo e que agora esteja a ser muito complicado expelir aquela estrutura de extensas zonas da Síria e do Iraque.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 12:16
link do post | comentar | ver comentários (1)
partilhar
Terça-feira, 7 de Outubro de 2014

A simbologia de Kobani

 

Bandeira do ISIS hasteada na parte oriental da cidade de Kobani/Foto: Lefteris Pitarakis/AP

 

Kobani, cidade síria fronteiriça que avista do outro lado a localidade turca de Suruc, é por estes dias palco de um combate intenso entre os militantes do Estado Islâmico (ISIS) e os resistentes curdos, que têm o apoio dos ataques da aviação americana. Do lado turco, Ancara mobilizou tropas e meios militares, que estão a menos de um quilómetro a vigiar a situação, em alerta máximo, perante uma possível entrada dos homens do ISIS na Turquia.

 

Os relatos veiculados pela imprensa internacional dão conta dos avanços do ISIS nalgumas zonas da cidade, no entanto, Kobani ainda não caiu nas suas mãos.

 

Esta cidade tornou-se um símbolo importante na estratégia delineada pelos Estados Unidos, porque o seu destino estará, de certa forma, associado à percepção que se poderá ter do sucesso, ou não, da campanha que Washington está a levar a cabo na Síria. 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 11:34
link do post | comentar | ver comentários (1)
partilhar
Quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

O F-22 Raptor faz a sua estreia em missões reais de combate nos céus da Síria

 

F-22 Raptor/Foto: Lockheed Martin

 

Uma das novidades da campanha militar norte-americana contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria, segundo o jornal The Guardian, foi a estreia em combate do F-22 Raptor, o caça mais avançado e caro de sempre. Foi na passada Segunda-feira à noite que o Raptor sobrevoou os céus da Síria, com a sua capacidade "stealth" em combate, a possibilidade de voar a baixa altitude e, entre outras coisas, de conseguir alcançar a velocidade supersónica sem recorrer ao "afterburner (pós-combustão)".

 

Este F-22 é um caça de combate aéreo puro e, talvez por isso, todo o projecto que envolveu a sua criação e produção tenha estado envolvida em polémica, já que muitos se questionaram se seria este o caminho a seguir perante a ausência de missões reais de combate ar-ar nos dias hoje. Além disso, o seu elevado custo de venda, na ordem dos 160 milhões de dólares por unidade e a proibição de exportação daquele avião por uma questão de segurança nacional fizeram do F-22 um luxo insustentável para o Departamento de Defesa americano. Relembre-se que o F-22 Raptor, introduzido em 2005, foi desenvolvido pela Lockeed Martin e pela Boeing, e acabou por revelar-se um sorvedouro de dinheiro, tal como o Diplomata já tinha referido em 2012, tendo a sua produção terminado no final de 2011, com 187 caças. Estima-se que o projecto de desenvolvimento do F-22 tenha ficado nos 67 mil milhões de dólares.

 

O F-22 é o "state of the art" da aviação militar, nomeadamente na aviónica e nos sistemas de armas a bordo. Para Christopher Harmer, antigo piloto da Marinha e membro do Instituto para o Estudo da Guerra, a utilização do Raptor não é propriamente necessária, tendo em conta a presença de outros meios aéreos nos céus do Iraque e da Síria, tais como os F-16, os F-15 ou os bombardeiros B-1, e a inexistência de meios anti-aéreos avançados nas fileiras do Estado Islâmico. 

 

O Raptor ficará, provavelmente, na história da aviação militar americana como um marco tecnológico, e pouco mais, já que a sua existência pouco acrescenta ao poderio aéreo dos Estados Unidos em termos militares, que continua a fazer-se valer de caças como os F-14, os F-15, os F-16 ou os F-18.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:44
link do post | comentar
partilhar

About

O Diplomata é um blogue individual e foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

Facebook

O Diplomata

Promote Your Page Too

Rubricas

Momentos com história; Leituras; Registos; Pontos de interesse; O despacho...; Apontamentos históricos; Dispatches from...

subscrever feeds

Contacto

maladiplomatica@hotmail.com

tags

todas as tags

pesquisa

arquivos