Terça-feira, 11 de Julho de 2017

A ameaça Vermelha

 

 

Para quem gosta e acompanha os fenómenos da comunicação política e da propaganda entre os Estados, recomendo que veja este mini-documentário com cerca de nove minutos, que foi publicado esta Terça-feira pela NATO. O filme pretende fazer uma homenagem aos antigos partisans, que após a IIGM combateram heroicamente as forças invasoras do Exército Vermelho nas florestas dos países bálticos. Além do interesse histórico deste vídeo, o mais relevante, em minha opinião, é o contexto em que surge, quase como que se fosse uma peça de propaganda ao bom e velho estilo da Guerra Fria, com o objectivo de demonizar o inimigo (neste caso, a Rússia). A questão é que os países bálticos sentem uma ameaça constante da Rússia, levando muito a sério os ímpetos expansionistas do Kremlin. Há uns anos visitei dois daqueles lindos países e é extraordinário perceber que a percepção da ameaça Vermelha continua a pairar no ar.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 20:29
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2016

O reforço de poder

 

Não há dúvida alguma que Vladimir Putin tem reforçado o seu poder interno, como as recentes eleições parlamentares o confirmaram. Mas não é só nas urnas que isso acontece, já que o Presidente russo parece estar a criar uma rede de segurança e de interesses à sua volta, que parece assemelhar-se à lógica que norteava os líderes dos tempos comunistas. Politicamente, tem enfatizado uma retórica anti-Europa e anti-ocidental, ao mesmo tempo que vai intensificando a presença da Rússia nalgumas zonas do globo, como na Europa Oriental (Ucrânia), no Médio Oriente (via Síria) ou no Cáucaso. Por exemplo, o parlamento da Arménia ratificou há dias um acordo com a Rússia para se criar um sistema de defesa anti-míssil para a zona do Cáucaso. Já noutra zona do globo, recentemente vieram notícias a dar conta de que Moscovo pretende reactivar bases militares dos tempos da Guerra Fria em Cuba e no Vietname.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 20:27
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Quinta-feira, 23 de Junho de 2016

"Brincadeiras" que um dia podem correr muito mal

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Lançamento na Quarta-feira de um dos dois mísseis de médio alcance Musudan com a presença de Kim Jong-un/Yonhap 

 

Nos últimos anos vai-se tendo cada vez mais a impressão de que, a acontecer qualquer drama militar de dimensões cataclísmicas, começará numa "brincadeira" para os lados da Ásia oriental. Se é na Península da Coreia (que, "by the way", continua formalmente em estado de guerra), no Mar do Japão ou no Mar Oriental ou Sul da China, ainda está para se ver (esperemos que não). Além dos interesses territoriais inconciliáveis entre várias nações que se jogam naquelas paragens, esta região é, no actual contexto geopolítico e geoestratégico, uma espécie de ponto de confluência de várias "placas tectónicas". Porque, além dos actores regionais directamente envolvidos nas disputas territoriais, tais como a China, o Japão, a Coreia do Norte, a Coreia do Sul, a Rússia, o Vietname, as Filipinas, entre outros, o jogo de alianças e de interesses acaba por envolver também os EUA, sobretudo pela sua ligação aos aliados nipónicos e a Taiwan.

 

Qualquer acidente ou incidente que por ali aconteça (e têm acontecido alguns) pode acender o rastilho para algo de dimensões problemáticas. Da disputa das Ilhas Curilhas, entre o Japão e a Rússia, à das Ilhas Spratly, entre Pequim e várias nações, tais como as Filipinas ou o Vietname, passando pelas "escaldantes" Ilhas Senkaku (ou Diayou para os chineses), sob administração japonesa mas reclamadas por Pequim, os factores de ignição são muitos. São recorrentes os episódios militares hostis, sobretudo por parte de Pequim, com Washington, por exemplo, à distância, a ir dizendo que não permitirá qualquer ameaça à integridade territorial do Japão. Isto já para não falar do "dossier" Taiwan. Mas é principalmente de Pyongyong que vem a maior ameaça sistémica. A Coreia do Norte não abdica da sua retórica bélica e provocadora e tem dado claros sinais de que a acompanha com uma escalada militar. Ainda ontem testou mais dois mísseis balísticos de médio alcance, conhecidos no Ocidente como Musudan, tendo o primeiro falhado, mas o segundo alcançado os objectivos. E trata-se de informação já confirmada pela Coreia do Sul e EUA.

 

Se ainda estou recordado das aulas de Problemática e Controlo de Armamentos, um míssil balístico de médio alcance (MRBM/IRBM) poderá ter um raio de acção entre os 500 quilómetros e os 5000. A partir daí estamos a falar de mísses Intercontinentais (ICBM). Este míssil norte-coreano terá voado 400 quilómetros, o que, segundo os especialistas, representa uma melhoria em relação ao teste anterior. Há poucas dúvidas de que se o regime de Pyongyang continuar a testar os seus mísseis, irá conseguir desenvolver na sua plenitude de forma eficaz estes vectores de lançamento de eventuais ogivas nucleares. E, por isso, o líder norte-coreando, Kim Jong-un já veio dizer que o seu país está em condições de atacar interesses dos Estados Unidos na ilha de Guam, no Pacífico. Se é certo que muitas das vezes a retórica proveniente dos líderes daquele regime é mera propaganda, desta vez, e a julgar por algumas reacções, as palavras de Kim Jong-un estão a ser levadas mais a sério.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:25
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Sexta-feira, 3 de Junho de 2016

A próxima cimeira da NATO em Varsóvia

 

A 8 e 9 de Julho vai realizar-se a Cimeira da NATO em Varsóvia. Em visita à Polónia esta semana, o secretário-geral da Aliança, Jens Stoltenberg, fez uma antecipação do que estará na agenda do encontro. Perante os desafios de segurança e também de valores aos fundamentos europeus, pretende-se que nesta cimeira a NATO reforce a sua presença nos países da parte Leste da organização e que se projecte estabilidade para lá das fronteiras da Aliança.

 

Quanto ao reforço da posição da NATO nesses países de Leste, um dos pontos que será discutido tem a ver com a colocação de vários batalhões em diferentes Estados daquela região, embora o secretário-geral da NATO tenha referido que esta medida não tem um carácter ofensivo contra a Rússia. Para já, sabe-se que os três países bálticos e a Polónia irão receber estes batalhões. Além disso, a Polónia anunciou hoje que vai criar uma força paramilitar de 35 mil civis que terão treino militar e que serão distribuídos por várias brigadas territoriais, com o objectivo de estarem preparados para um tipo de conflito como aquele que aconteceu no leste da Ucrânia.

 

Sobre a capacidade de projecção de estabilidade para lá das fronteiras da Aliança, Jens Stoltenberg adiantou que a NATO vai intensificar a cooperação e o treino conjunto com países do Médio Oriente e Norte de África, para que estas regiões possam fortalecer as suas instituições de defesa e forças militares com dois objectivos: reconquistarem território que tenham perdido para forças terroristas, como o Estado Islâmico ou a Al Qaeda; criarem condições mais favoráveis para facilitar a eventualidade de mobilização de tropas da NATO naqueles países.

 

Na próxima cimeira será também discutido o investimento do PIB que cada país faz na área da Defesa, com a meta de dois por cento sempre presente. Outro dos pontos que será também abordado é a cooperação entre a NATO e a União Europeia em matéria de ameaças híbridas, como a ciber defesa e a segurança marítima. 

 

Entretanto, dentro da NATO Response Force (NRF), que conta com 40 mil homens, foi activada há dias a Very High Readiness Joint Task Force (VJTF), que é uma espécie de “ponta de lança” composta por 5 mil homens com capacidade de mobilização em 48 horas em qualquer parte do mundo. Será anunciado, certamente, com entusiasmo e pompa na cimeira de Julho.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 18:30
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Sábado, 19 de Setembro de 2015

Crise dos refugiados? O melhor é Bruxelas começar a ligar para o Kremlin

 

Enquanto os líderes europeus estão sem qualquer estratégia comum para fazer face à crise dos migrantes/refugiados, deixando transparecer um lamentável espectáculo de vazio político para o resto do mundo, optando por uma táctica de "cada um por si", Moscovo percebeu há bastante tempo que qualquer solução para este assunto terá sempre que passar por Damasco e não por Berlim, Budapeste, Roma, Atenas ou Zagreb. O que estas chancelarias europeias estão neste momento a fazer é a colocar "pensos rápidos" numa ferida profunda a céu aberto.

 

O líder russo Vladimir Putin tem aproveitado a distracção europeia para ir reforçando a sua presença política e militar na Síria, tornando-se num actor incontornável em qualquer futuro processo negocial entre a União Europeia e o regime de Damasco. Aliás, nos últimos dias, Moscovo tem surgido como o interlocutor privilegiado do Departamento de Defesa norte-americano, tendo Washington já percebido que, mais uma vez, não pode contar com a União Europeia para qualquer acção concertada mais afirmativa. O melhor mesmo é a Casa Branca ligar directamente para o Kremlin. 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 12:51
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Domingo, 8 de Março de 2015

O Diplomata no Público

 

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Artigo assinado este Sábado pelo Diplomata no jornal Público.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 00:37
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2015

A geopolítica da crise grega

 

Para os EUA, a questão da Grécia deixou de ser um assunto meramente europeu sobre “quem paga o quê a quem”, para passar a ser um assunto geoestratégico, a partir do momento em que Atenas, mais concretamente o seu ministro da Defesa, diz que o seu país precisa de um “plano B” e que poderá vir a pedir um empréstimo à Rússia. Aqui, Washington passa a seguir este assunto com toda a atenção, já que a Grécia é, e sempre foi, um importante membro da NATO, sobretudo naquela região da Europa.  

 

É importante sublinhar que a Grécia é um país ortodoxo, tal como o Chipre, que, através do seu Presidente, já veio dizer que está em negociações com a Rússia, para permitir que este país utilize portos e espaço aéreo cipriota em manobras militares com fins humanitários ou em situações de emergência. Nicosia prepara-se, assim, para renovar o acordo de cooperação militar com Moscovo, o que está a levantar sérias preocupações no Reino Unido, que utiliza duas bases no Chipre ao abrigo de um acordo de 1960. Tudo isto faz da questão grega um assunto bem mais vasto do que aquele que à partida parece ser.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:34
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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014

O que dirá Putin amanhã?

 

Foram precisos alguns meses, mas as consequências do "cerco" económico e financeiro que a União Europeia e os Estados Unidos estão a fazer à Rússia sentem-se, finalmente, de forma estrondosa. Sobre o Presidente Vladimir Putin abate-se uma autêntica tempestade perfeita, que conjuga não apenas a fuga de capital estrangeiro e a desvalorização do rublo para níveis preocupantes, como também a queda acentuada do preço do petróleo, que obrigará o Kremlin a rever o orçamento para 2015, elaborado na premissa de que o barril de petróleo se situaria entre os 80 e 90 euros.

 

O discurso de Putin sobre o estado da Nação no passado dia 4 foi fraco e não trouxe quaisquer ideias para travar a espiral económica e financeira que o país atravessa. Entretanto, já passaram mais de duas semanas e os acontecimentos pioraram, o que vai obrigar Putin a reagir de forma veemente na mensagem a transmitir os cidadãos e aos agentes económicos. Por isso, é com expectativa que se aguarda o que vai dizer o Presidente na tradicional conferência de imprensa de Fim de Ano, agendada para esta Quinta-feira. 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:47
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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

Anna Chapman volta a colocar os seus dotes ao serviço da Mãe Rússia

 

Quando Anna Chapman se tornou uma "estrela" da espionagem internacional, e já lá vão mais de quatro anos, o Diplomata fazia eco daquilo que a imprensa americana considerava ser uma beleza escaldante num corpo “Victoria’s Secret”. Quase um ano depois, e com o Diplomata sempre atento às suas movimentações, Chapman, já na condição de simples "civil", dava a sua primeira entrevista, revelando aquilo que iria fazer. Agora, Anna Chapman volta a colocar os seus "dotes" ao serviço da Mãe Rússia, promovendo o Exército russo e dando "moral" às tropas através de um vídeo institucional.

 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:02
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Quarta-feira, 5 de Novembro de 2014

Clima económico degrada-se na Rússia e investidores abandonam o país

 

Os investidores internacionais estão a abandonar a Rússia e já retiraram daquele país 75 mil milhões de dólares só no primeiro semestre deste ano. A crise na Ucrânia e as consequentes sanções económicas impostas pela União Europeia e pelos Estados Unidos estão a contribuir para a degradação do clima económico e de confiança.

 

Desde o início do ano que o rublo desvalorizou 20 por cento. Os principais motores económicos russos já estão a sofrer o impacto da redução de investimento e torna-se cada vez mais difícil o acesso a material tecnológico para o sector da energia. Os preços dos alimentos estão a subir, nomeadamente da carne e dos vegetais, enquanto o turismo vai-se ressentindo de forma acentuada, ao ponto de já ter levado à falência dezenas de operadores durante este Verão.

 

A queda do preço do petróleo está a agravar a conjuntura interna e o equilíbrio orçamental.    

 

Para colmatar a ausência de liquidez nos cofres do Estado, o Governo já se apropriou de partes de alguns fundos de pensões por modo a injectar capital em empresas estatais. Por sua vez, o Banco Central russo, só no passado mês de Outubro, despendeu 3,2 mil milhões de dólares em “forex interventions” para travar desvalorização do rublo.

 

Com a previsão de um crescimento praticamente nulo para este ano, os analistas estimam que a Rússia possa entrar já num período de recessão ainda último trimestre deste ano. No entanto, é pouco provável que o Presidente Vladimir Putin altere a sua política a curto prazo, valendo-se das altas taxas de aprovação junto da opinião pública.

 

A degradação do clima económico e de negócios manter-se-á nos próximos tempos, agravado pela perseguição política que o Presidente Vladimir Putin mantém contra a elite empresarial do país. Vladimir Yevtushenkov que, segundo a revista Forbes, é o 15º homem mais rico da Rússia, foi a mais recente vítima do Kremlin, tendo sido detido em meados de Setembro sob a acusação de lavagem de dinheiro. No entanto, a verdadeira razão, dizem algumas fontes, foi a recusa de Yevtushenkov ceder a sua participação na empresa petrolífera, Bashneft. Aquele magnata russo encontra-se neste momento em prisão domiciliária, pelo menos até 16 de Novembro.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:35
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O Diplomata é um blogue individual e foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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