Segunda-feira, 30 de Maio de 2016

O mar e os submarinos

 

Os portugueses adoram o seu mar, orgulham-se dele e banham-se nele. Os políticos, académicos, jornalistas e toda a alma pensante cá do burgo vêem no imenso oceano a salvação do País, tal como já o foi nos tempos em que corajosos aventureiros nas suas caravelas se fizeram à vida para outras paragens. Ao fim e ao cabo, é o mar que faz de Portugal um país especial no contexto europeu e mundial e que, apesar de tudo, lhe deu uma dimensão geopolítica e geoestratégica relativamente significativa no sistema internacional, se se tiver em consideração a pequena dimensão do país. Naturalmente, que essa importância foi evoluindo de acordo com as contingências históricas, no entanto, basta recuarmos um pouco até à II GM para se perceber facilmente a relevância que o mar português teve para os Aliados. Já durante a Guerra Fria, essa importância manteve-se, materializada com a entrada de Portugal na NATO enquanto membro fundador daquela organização. Sem correr grande risco de exagero, pode dizer-se que, atendendo à extensa faixa costeira de Portugal Continental e dos respectivos arquipélagos, o nosso país foi sempre uma espécie de "guardião" de parte do Atlântico Norte, sobretudo no que diz respeito à sua imensa Zona Económica Exclusiva (ZEE), uma das maiores do mundo e que poderá aumentar, caso as Nações Unidas reconheçam os argumentos das autoridades nacionais para a extensão da Plataforma Continental portuguesa.

 

A questão principal, e um pouco à semelhança do que aconteceu no século XIX com o princípio da "ocupação efectiva" imposto aos governantes portugueses no território africano, não basta que políticos e cidadãos em geral olhem para o mar e digam que ele é bonito e que providencia boas sardinhas. É preciso exercer soberania efectiva sobre a actual ZEE, porque só dessa forma se pode potenciar e proteger os seus recursos de todo o tipo de ameaças. Este é um ponto fundamental e que, à luz daquilo que se vai lendo e vai ouvindo, não parece ainda estar bem percebido. Os anos passam, mas continuam a ser habituais os artigos de imprensa (como ainda esta Segunda-feira) sobre os tão polémicos submarinos, Arpão e Tridente, que estão ao serviço desde 2010. As suas despesas de manutenção são um tema recorrente, como se o erário público estivesse a ser usado para divertimento de alguns almirantes. Na verdade, trata-se de uma abordagem pouco acertada por parte da nossa "intelligentsia", já para não falar do povo, geralmente menos sabedor destas coisas. Mas admite-se que parte do problema está no facto dos Governos envolvidos na compra dos submarinos (e foram tanto do PS como do PSD) nunca terem tido a arte de explicar objectivamente as razões estratégicas que sustentaram a aquisição daqueles equipamentos. Porque, efectivamente, existiam e existem razões válidas e importantes à luz dos interesses nacionais que mereciam ser conhecidas pelos portugueses. 

 

É certo que Portugal actualmente não tem os problemas de outros países no que diz respeito à disputa militar de territórios insulares, sendo que aqui o território está claramente demarcado em relação aos seus vizinhos mais directos, Espanha e Marrocos. No entanto, muitos outros problemas surgem nas águas portuguesas directamente relacionados com questões de soberania e de interesse nacional. É certo que em termos geoestratégicos e geopolíticos o conceito de soberania vai hoje muito além do território físico do Estado, porém, a sua defesa e o seu controlo efectivo continuam a ser vectores basilares para qualquer Governo responsável. E aqui Portugal tem uma missão hercúlea na defesa do seu espaço marítimo. Uma defesa feita a vários níveis, tais como militar, económico, ambiental e até mesmo social. A vertente militar no sentido mais clássico está hoje mais atenuada, sobretudo depois do fim da Guerra Fria. Em contrapartida, assistiu-se nos últimos anos a uma ameaça crescente aos interesses económicos, ambientais e sociais de Portugal no mar.  

 

A defesa da economia do mar deve merecer a maior atenção por parte das autoridades portuguesas porque quanto menor for o controlo do seu território marítimo, maior serão as delapidações dos recursos feitas por terceiros, como acontece com as pescas. Além das imposições de quotas legais de Bruxelas, os portugueses certamente que desconhecem as incursões ilegais feitas por embarcações de pesca espanholas e marroquinas em águas portuguesas. Dizia há uns anos uma fonte militar ao autor destas linhas, que até "histórias de tiro" costumava haver entre embarcações de patrulha e de vigilância portuguesas e barcos de pesca espanhóis e marroquinos.

 

O controlo e a vigilância dos mares assume hoje uma particular importância na defesa do ambiente e neste capítulo Portugal tem uma enorme responsabilidade. O caso da tragédia ambiental de 2002 na Galiza, provocada com o derrame de petróleo do Prestige, é um bom exemplo de como os interesses nacionais foram ameaçados no mar. A determinada altura do processo de gestão de danos, no qual a Espanha estava sem capacidade de resposta, Portugal foi obrigado a intervir com a sua marinha para evitar que os espanhóis "empurrassem" o Prestige para as águas nacionais. Este foi um episódio muito grave, mas muitos outros casos há. A existência de uma capacidade naval forte é totalmente justificada quando se tem uma ZEE que é corredor de passagem para todo o tipo de navios de várias partes do mundo. É por isso vital que a Marinha portuguesa esteja atenta contra todo o tipo de ameaça à integridade ambiental do seu território, tais como pequenos derrames, lavagens de tanques, despejo de detritos no oceano, e por aí fora. 

 

Muito do trabalho preventivo e reactivo que é desempenhado pela Marinha a este nível (e também por outros ramos, como é o caso da Força Aérea) não é do conhecimento público e, seguramente, não é valorizado quando as pessoas se banham alegremente nas águas limpas das belíssimas praias portuguesas de Norte a Sul do país. Ou então, quando diariamente chega às lotas portuguesas o pescado que delicia os portugueses e alimenta uma boa parte da economia. Para garantir a integridade do mar, é preciso muito esforço e investimento. Custa dinheiro e que ninguém tenha qualquer dúvida disso. 

 

Socialmente, a defesa do mar é também um pilar basilar dos interesses nacionais. O combate à imigração ilegal, ao tráfico humano ou ao contrabando de armas e de droga tem de ser uma obrigação do Estado português. Trágicas realidades para a qual a Marinha portuguesa tem de estar preparada para as enfrentar. Um Estado responsável e desenvolvido deve ter em consideração todos estes factores. Mesmo no que diz respeito aos compromissos militares propriamente ditos, Portugal deve estar dotado de capacidade naval para dar resposta aos compromissos internacionais, como o tem feito exemplarmente, inclusive com o Arpão e o Tridente, que nestes seis anos de actividade já participaram em inúmeros exercícios e missões, algumas das quais de combate ao terrorismo. Os submarinos não devem ser vistos como realidades isoladas, mas sim como parte de um modelo naval ajustado aos desafios do século XXI, no qual todos os tipos de navios, embarcações e sistemas de vigilância costeiros se complementam. 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 13:19
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Sábado, 28 de Maio de 2016

Ser Presidente até ao último dia

 

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Barack Obama na Sala Oval, 19 de Maio (Foto: White House/Pete Souza) 

 

Num dos episódios da realista série The West Wing, com o título "365", a equipa da presidência de Josiah Bartlet (Martin Sheen) vê-se confrontada com a inevitável aproximação do final do segundo mandato, num misto de nostalgia, desmotivação e desânimo. Normalmente, os poderes executivos, sejam Governo (em sistemas parlamentares ou semi-parlamentares) ou chefes de Estado (sistemas presidencialistas), olham para os últimos tempos de funções como um mero cumprimento de calendário, aguardando passivamente o dia em que os seus sucessores lhes tomem o lugar. Regra geral, a um, dois anos do término do mandato, há uma espécie de ideia tácita que pouco já nada há fazer, adiando-se grandes decisões e políticas para o próximo Executivo. Em países como Portugal, por exemplo, existe um consenso político-partidário em que os governantes que se encontrem nessa situação, ou seja, com a porta da rua semi-aberta, já não podem ousar assumir grande protagonismo, correndo o risco de serem acusados de estarem a condicionar o trabalho dos seus sucessores. 

 

Mas a verdade, é que um primeiro-ministro ou um Presidente está de plenos poderes até ao último dia do mandato e, como tal, deve exercê-los com a mesma determinação e convicção como se estivesse a iniciar funções. Nesse episódio aqui referido, e perante o "baixar de braços" do Presidente e de quase todo o "staff", conformados com o fim à vista do seu mandato, entra em cena Leo McGarry (John Spencer), chefe de Gabinete da Casa Branca, experiente e sábio, que, num discurso emotivo, lembra à sua equipa que ainda faltam 365 dias para o mandato terminar e que em cada um destes dias eles tinham o poder, como mais ninguém tinha, de fazer algo pelo bem comum.  

Como em tantas outras passagens daquela série, também esta parece ter sido premonitória em relação ao que Barack Obama viria a fazer (e está a fazer) nos seus dois últimos anos de mandato, aproveitando todas as oportunidades para fazer história. Acordo do clima de Paris, Tratado Trans-Pacífico, reatamento das relações diplomáticas com Cuba, reaproximação ao Irão e agora a visita a Hiroshima, são apenas alguns eventos da agenda externa de Obama dos últimos meses, carregados de significado e importância histórica. Também a nível interno, Obama tem mantido uma actividade política constante, até porque ainda tem alguns dossiers da máxima importância para resolver. Tudo leva a crer que nestes meses finais Obama não irá abrandar a sua acção governativa. E caso isso se confirme, é assim mesmo que deve ser... Presidente até ao último dia.

 

Publicado originalmente no Delito de Opinião.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 17:47
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2015

A solução do mal menor à vista de todos

 

Nestas coisas da Política (leia-se a arte de governar) é preciso habilidade, alguma criatividade e até mesmo ousadia, porque, normalmente, as possibilidades de escolha com que um governante (ou aspirante a tal) se depara são (quase que por definição) males menores. Na verdade, raras são as vezes em que o decisor pode optar pela solução (quase) perfeita, já que esta não se enquadra no quadro normal da Política. Aliás, se um qualquer governante tivesse pela frente opções virtuosas óbvias e inequívocas, o seu papel estaria de tal forma facilitado que poderia ser desempenhado por qualquer um, assente num critério meramente técnico. 

 

Como disse um antigo pensador da Antiguidade, se todos fôssemos anjos, então a Política não seria necessária. Mas, a realidade é que vivemos no reino dos homens e cabe ao político governá-los, normalmente, em cenários adversos quando se trata do processo de decisão. E quando todas as vias se esgotam, a decisão do político poderá implicar a escolha de um caminho menos ortodoxo, para lá das regras estabelecidas nos manuais ou, até mesmo, da prática política. 

 

Este pensamento vem a propósito do mais recente quadro pós-eleitoral em Portugal, marcado por um impasse na formação de Governo, no qual muitos políticos, analistas e comentadores têm dissertado, mas sem que qualquer um deles tenha visto o óbvio: é preciso ir à procura da solução do mal menor e ela está à vista de todos, sendo uma mistura de política pura e dura com aritmética básica. 

 

Actualmente, a coligação PSD-CDS tem 104 lugares na Assembleia da República, precisando de 12, e apenas 12, para ter a maioria absoluta no Parlamento. Ou seja, não precisa de mais deputados além desses. Perante a dificuldade que se vislumbra, pelo menos até ao momento, num acordo com o principal partido da oposição (que até ameaça coligar-se com outras forças de esquerda para formar Governo, embora não tenha sido o partido mais votado) , os estrategos da coligação governamental deviam focar-se antes na forma de como arranjar mais 12 deputados para poderem viabilizar os principais diplomas na Assembleia nos próximos quatro anos.

 

Refira-se, aliás, que isso já foi feito em Portugal com um Governo de minoria, liderado na altura por António Guterres, embora na altura tenha apenas precisado de "arranjar" só mais um deputado da Assembleia para aprovar os orçamentos de 2001 e 2002. Neste caso em concreto, Guterres foi à bancada do CDS-PP negociar com o deputado Daniel Campelo que, na defesa dos interesses da sua região (tinha sido eleito pelo círculo de Viana do Castelo), chegou a acordo com o primeiro-ministro. Diga-se que o negócio foi proveitoso para ambos: Guterres conseguiu manter o seu Governo em funções e Campelo tornou-se o exemplo de um deputado e autarca que colocou os interesses da sua região acima das lógicas partidárias. 

 

O "negócio" que Guterres e Campelo fizeram é uma prática bastante comum, por exemplo, no Congresso norte-americano, sendo usual ver-se congressistas democratas a viabilizarem legislação republicana e vice-versa, e isto não implica necessariamente acordos alargados entre as cúpulas dos dois partidos. Tudo depende do que se negoceia. Ora, os homens que estão nos bastidores da coligação não parecem ter esta noção e parecem querer insistir numa solução idílica (coligação com PS), esquecendo-se que na Política às vezes as soluções possíveis são aquelas que resulta do pragmatismo, da dureza e até mesmo do cinismo. 

 

Assim de repente, o Diplomata identifica três ou quatro nomes do PS que, certamente, estariam abertos a viabilizar os orçamentos da coligação na Assembleia da República, por estarem descontentes com o rumo que António Costa estar a dar a todo este processo. Seguramente, que, com jeitinho, seria possível encontrar-se mais alguns "descontentes" na bancada do PS e que estariam dispostos, em nome da Pátria, de sustentar a actual coligação no Governo em vez de virem o seu partido a coligar-se com o PCP ou BE.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 11:50
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Segunda-feira, 29 de Junho de 2015

A percepção do terror

 

Por mais que custe admiti-lo, o Estado Islâmico (ISIS) tem sido muito eficaz na propagação do terror, ou melhor dizendo, na propagação de uma sensação de terror a uma orla cada vez mais distendida e que já se aproxima, perigosamente, da costa do sul da Europa. E o problema é que basta um atentado para que o ISIS coloque em causa um dos bens mais preciosos de países como a Tunísia: a sua relativa estabilidade de segurança. De facto, a Tunísia, no conjunto dos países do Magreb, sempre foi aquele que melhores condições de segurança apresentou, um vector essencial para a dinamização do turismo e que, aliás, cativou ao longo dos últimos anos muitos portugueses. Ali, com um voo de pouco mais de duas horas entre Lisboa e Tunis, já podiam encontrar um "cheirinho" da cultura árabe, boas praias, bons hotéis, costumes relativamente ocidentalizados e...segurança. Até ontem.

 

Essa estabilidade de que a Tunísia gozava até ontem (excepto durante aquele período mais conturbado da fantasiosa "Primavera Árabe" e de um atetntado mais recente) é hoje uma miragem, não necessariamente em termos objectivos e de segurança, mas naquilo que é a percepção das pessoas. Na verdade, a Tunísia será nos próximos dias um dos países mais vigiados e seguros do mundo, mas não é por isso que milhares de turistas cancelaram as suas férias e tentam regressar a casa.  

 

Este ataque na Tunísia deve alertar as consciências dos líderes políticos de Portugal, Espanha e França, cujas suas costas do sul são fortes atractivos turísticos e, nalguns casos, estão a relativos poucos quilómetros do norte de África.  Porque, qualquer estratego do ISIS saberá que um atentando numa praia do Algarve, da Costa do Sol ou da Côte d'Azur é o suficiente para, além das consequências humanas directas, inflingir danos douradouros na imagem de tranquilidade e calmaria que estes locais hoje em dia representam para milhares de turistas. E como foi dito acima, bastava um atentado, mesmo sem vítimas, para que os objectivos do ISIS se revelassem cumpridos. A percepção mudaria...

 

Publicado por Alexandre Guerra às 14:53
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Segunda-feira, 27 de Abril de 2015

Os militares portugueses no estrangeiro

 

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Fonte: DN

Publicado por Alexandre Guerra às 12:13
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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

Angola pouco "diplomática" na atribuição de vistos de trabalho a portugueses

 

As autoridades angolanas têm vindo a aumentar o número de estrangeiros expulsos que se encontram em situação irregular no seu país. Até ao fim de Agosto, eram expulsos cerca de 1000 estrangeiros por semana, um valor que subiu para 1400 na primeira semana de Outubro. O Serviço de Migrações e Estrangeiros (SME) tem também intensificado o controlo sobre os cidadãos estrangeiros em situação ilegal que se encontram em Angola, nomeadamente, com passaportes falsos. Segundo aquele órgão, só no final do mês de Agosto foram apreendidos mais de 200 passaportes de diferentes nacionalistas com vistos de trabalho alegadamente falsos, com Portugal a liderar a lista dos cidadãos supostamente infractores. Uma tendência que se tem mantido nas últimas semanas, segundo o próprio SME. Tem igualmente aumentado o número de cidadãos portugueses em situação ilegal em Angola.

 

O Diplomata sabe que isto se deve às dificuldades crescentes que as autoridades angolanas estão a impor aos cidadãos portugueses na atribuição e renovação de vistos, sobretudo os de longa duração (máximo três anos e prorrogáveis), ou seja, aqueles que permitem aos cidadãos nacionais trabalhar em Angola. O Diplomata apurou ainda que esta situação tem obrigado alguns portugueses a optar por vistos de curta duração (máximo três meses e não prorrogáveis), fazendo viagens ida e volta, de três em três meses, entre Lisboa e Luanda, sob o pretexto, por exemplo, de “dar formação” ou “fazer prospecção de mercado”, quando efectivamente estão a trabalhar em território angolano. Uma situação que foi descrita ao Diplomata como de “grande risco”, já que, em caso de denúncia, e se um cidadão português por apanhado trabalhar nestas condições, será detido pelas autoridades angolanas, podendo nunca mais conseguir entrar no país.

 

Ao todo, o SME recebeu na semana de 6 a 12 de Outubro, 4005 pedidos para emissão de diversos tipos de visto, tendo sido autorizados apenas 639.

 

De acordo com o Observatório da Emigração (Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas - DGACCP/ISCTE - CIES), entraram em Angola um pouco mais de 23 mil cidadãos portugueses no ano de 2009 (últimos números disponíveis). Também as estimativas anuais do Governo português apontam para mais de 20 mil, o número de portugueses que nos últimos anos têm emigrado para Angola. Ainda segundo o Observatório da Emigração, entre 2001 e 2008 terão entrado em Angola por ano 10 mil portugueses, no entanto, atendendo à ausência de dados estatísticos credíveis fornecidos pelas autoridades angolanas, este número é apenas uma estimativa com base em indicadores indirectos.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 12:04
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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

...é sempre o dinheiro

 

Jordi Pujol

 

Ricardo Salgado

 

Nos últimas dias, em Portugal e Espanha duas figuras cimeiras "caíram em desgraça" e, de certa forma, pela mesma razão: dinheiro. No caso português, Ricardo Salgado está neste momento nas mãos da Justiça, por causa do escândalo no GES/BES. Já em Espanha, Jordi Pujol, ex-líder catalão, assumiu que durante 34 anos manteve uma fortuna escondida no estrangeiro sem a declarar.

 

Pujol, tal como Salgado, teve um reinado longo nas suas funções, presidindo à Generalitat durante 23 anos. Mas, ao contrário do banqueiro português, Pujol tinha-se tornado numa referência para milhares de pessoas, sobretudo catalães, que sonham com a independência daquela região. Agora, com 84 anos, Pujol vê todo o seu percurso político manchado pela cobiça e pela ganância e, sobretudo, pelo facto de ter enganado o seu Estado e os seus concidadãos. 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 12:48
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Quarta-feira, 11 de Junho de 2014

Uma decisão do Governo chileno que envergonha Portugal

 

O Governo chileno acabou de inviabilizar aquele que seria o maior projecto energético do País: a construção de cinco mega-barragens em dois rios numa zona da belíssima Patagónia. Uma decisão louvável nos tempos que correm e que revela inteligência por parte das autoridades chilenas na equação custos/benefícios.

 

O Governo chilento, resistindo, provavelmente, a inúmeros lobbys e pressões, percebeu que a médio e a longo prazo aquele projecto revelar-se-ia prejudicial para o país, já que, além dos enormes impactos ambientais, iria colocar em causa a sustentabilidade social e cultural daquela região e, deste modo, afectando também o turismo, uma actividade fundamental.

 

É certo que as soluções energéticas que apontem no caminho das renováveis e na menor dependência dos combustíveis fósseis são, à partida, de saudar, no entanto, é preciso equacionar todos os custos e benefícios de forma cuidadosa e numa lógica de longo prazo. Porque, em matéria de energia nenhuma solução é perfeita e nem está isenta de custos, sobretudo na área hidroeléctrica.   

 

Embora necessite de novas fontes de electricidade, o Governo chileno fez as suas contas e chegou à conclusão que o projecto do consórcio HidroAysen, composto pela Endesa e pela chilena Colbun, não servia os interesses do país. Uma decisão que parece ser a mais acertada.

 

Só é pena que o Governo português, em 2007, não tenha tido a inteligência e a sensibilidade de fazer essas mesmas contas, quando aprovou o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH). Uma iniciativa que de pouco servirá em termos de fornecimento de electricidade, contrapondo com os enormes custos ambientais, sociais e culturais que a medida implica. A barragem da Foz do Tua é exemplar na forma como o Estado português encara a médio e a longo prazo os seus interesses estratégicos.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:18
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Domingo, 30 de Março de 2014

No more turning way

 

 

Os mais recentes números avançados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) são muito preocupantes no que à taxa do risco de pobreza em Portugal diz respeito. Está quase nos 19 por cento. Um valor que merece uma reflexão empenhada por parte das lideranças políticas, que parecem ter andado algo esquecidas deste importante tema.

 

As Nações Unidas, como há uns dias referia o professor Adriano Moreira, identificaram a miséria e também as armas de destruição maciça (WMD) como as grandes ameaças à existência da Humanidade nas próximas décadas. 

 

Ora, se no que diz respeito às WMD, Portugal pouco poderá fazer, já quanto à pobreza os governantes nacionais têm tudo a fazer. O importante é que não virem as costas a um problema que, aliás, deve ser de todos.

 

Quando em 1987 os Pink Floyd lançavam o segundo single do álbum "A Momentary Lapse of Reason" faziam precisamente um alerta nesse sentido. "On the Turning Way" aborda o tema da pobreza e a forma como a sociedade tende a afastar-se daqueles que mais sofrem.

 

Don't accept that what's happening

Is just a case of others suffering

Or you'll find that you're joining

In the turning away  

 

Publicado por Alexandre Guerra às 17:30
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Terça-feira, 11 de Fevereiro de 2014

Temas fracturantes

 

 

Desde Domingo até esta Terça-feira à noite, Portugal debateu-se com um tema fracturante que agitou a sociedade portuguesa: a cobertura do Estádio da Luz. Alimentou paixões, inflamou ânimos e suscitou debates do mais alto nível protagonizados pela "intelligentia" deste País. Os portugueses, orientados por uma classe jornalística cada vez mais pobre e inculta, exprimiram, mais uma vez e de forma inequívoca, as suas prioridades no que concerne aos temas fracturantes para o futuro do País.

 

Também nas últimas 48 horas, um outro país europeu, supostamente mais evoluído e civilizado, mergulhou num debate intenso sobre um tema fracturante: a eutanásia...de uma girafa. Pois é verdade, na Dinamarca não se tem discutido outra coisa, desde que o Jardim Zoológico de Copenhaga abateu a girafa Marius para evitar a consaguinidade na comunidade daquela espécie no zoo da capital dinamarquesa. O próprio director científico daquele estabelecimento veio justificar a sua decisão ao abrigo do "programa internacional de procriação", que exige o cumprimento de várias regras, nomeadamente, na gestão do excedente de exemplares daquela espécie.

 

Quem não aceitou estas justificações foram pelo menos as 30 mil pessoas que assinaram uma petição para salvar a Marius. Entretanto, parte da sociedade dinamarquesa exige a demissão do director científico zoo e até já houve mesmo ameaças a alguns dos seus funcionários. 

 

A conclusão de tudo isto parece óbvia: Pouca gente terá dúvidas sobre as diferenças abismais entre Portugal e Dinamarca relativas aos estádios de desenvolvimento social, mas quando chega a hora do debate de temas fracturantes, parece que a irracionalidade é um vírus que tanto afecta o Sul como o Norte da Europa. 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 21:53
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O Diplomata é um blogue individual e foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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