Quarta-feira, 28 de Setembro de 2016

A última "pomba" do Médio Oriente

 

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Desde que me lembro de ter alguma consciência política e sensibilidade para as questões do mundo, que convivo quase diariamente com o conflito do Médio Oriente, seja em momentos de maior ou menor intensidade. Não estarei a exagerar se disser que aquela realidade israelo-palestiniana me tem acompanhado ao longo da vida, onde aliás já tive o privilégio de estar por mais que uma vez. Havia três figuras que faziam parte desse meu mundo: duas já morreram há uns anos; Ytzhak Rabin, em 1995, e Yasser Arafat, em 2004. E a terceira figura era Shimon Peres, que morreu esta manhã. Todos eles foram em tempos das suas vidas "falcões", que lutaram pela sua terra, mas morreram como "pombas" na tentativa de encontrar uma solução de paz para um conflito milenar.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 10:39
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Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2016

Começa bem o ano no Médio Oriente

 

O Ano Novo começa de forma escaldante para os lados do Médio Oriente (para não variar). Riade decidiu reavivar (e de que forma) um dos conflitos mais antigos dentro do Islão, aquele que opõe o ramo xiita ao sunita. Em poucas horas, assistiu-se a uma escalada na crise diplomática entre a Arábia Saudita (sunita) e o Irão (xiita), com vários países sunitas a "alinharem" com o regime da Casa de Saud. Por outro lado, Teerão já deu provas de não estar minimamente interessado em apaziguar esta conflito. Os próximos dias prometem desenvolvimentos preocupantes.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:23
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Segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Sentido de oportunidade

 

Perante o anúncio da criação de um califado no Iraque e na Síria, por parte do grupo radical sunita do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS), Israel parece querer aproveitar a dinâmica de desmembramento das nações inimigos, e ontem o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu apelou à criação de um Estado curdo independente, que iria retirar território à Síria, Irão, Iraque e Turquia. É caso para dizer que Netanyahu teve sentido de oportunidade.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 17:03
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Quarta-feira, 28 de Agosto de 2013

Vá se lá perceber...

 

 

Uma jornalista de política internacional chamou a atenção do Diplomata para este (pouco) elucidativo quadro das relações entre os vários actores do Médio Oriente. Vá se lá perceber...

 

Publicado por Alexandre Guerra às 18:16
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Domingo, 18 de Agosto de 2013

O Médio Oriente cada vez mais "entretido" com os seus assuntos

 

Consequências do atentado de Sexta-feira em Beirute/Foto AP

 

Com os olhos todos postos no Egipto, passou quase despercebido o ataque bombista de Sexta-feira a sul de Beirute, em pleno bastião xiita do Hezbollah. Morreram 27 pessoas, naquele que foi um dos ataques mais mortíferos desde o início da guerra civil de 1975-1990.

 

Embora o atentado ainda não tenha sido reivindicado, tudo aponta para grupos extremistas sunitas, que vingam a intervenção do Hezbollah na Síria contra os rebeldes sunitas. Adensa-se e alastra-se a toda a região do Médio Oriente o conflito crónico entre sunitas e xiitas.

 

Do desgoverno egípcio à matança síria, passando pelo cocktail explosivo libanês, estando ainda pelo meio o micro e interminável conflito israelo-palestiniano, já há muitos anos que o Médio Oriente não estava tão "entretido" com os seus assuntos.

 

O problema é que desta vez, e ao contrário do que acontecia nos saudosos tempos da Guerra Fria, nenhuma potência externa parece ter mão no que para ali vai.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 21:19
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Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Os esforços da Liga Árabe para reanimar a iniciativa de paz de 2002

 

Imagem: The Economist


Publicado por Alexandre Guerra às 18:29
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Sexta-feira, 30 de Novembro de 2012

Consequente

 

Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestiniana a discursar esta Quinta-feira na Assembleia Geral da ONU/Foto: Andrew Gombert-EPA

 

Desde os Acordos de Oslo (Setembro de 1993) que os líderes palestinianos não protagonizavam um acto diplomático tão significativo como aquele que ontem foi celebrado na Assembleia Geral das Nações Unidas. Mas ao contrário de Oslo, que o tempo e as circunstâncias remeteram para a irrelevância, a Resolução aprovada por 138 nações vai ser consequente para os desígnios da Autoridade Palestiniana.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 00:29
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2012

A relatividade das palavras no Médio Oriente

 

Em Israel o impacto das palavras esbate-se com a dureza da realidade, e aquilo que poderia ser visto como um autêntico disparate em qualquer outra parte do mundo, é interpretado em terras judaicas como mais uma opinião (válida) no meio de tantas outras no que diz respeito ao relacionamento do Estado hebraico com os seus vizinhos inimigos.

 

É por isso que quando Robert Eisenman, conhecido escritor, investigador de assuntos bíblicos e professor de religião, defende no Jerusalem Post a reocupação do Sinai (Egipto) por parte de Israel, não se ouvem vozes de protesto ou de espanto.

 

Eisenman, que não é propriamente um desconhecido, defende na prática a invasão de um Estado soberano, mas nem por isso motiva qualquer reacção inflamada, seja de quem for.

 

As palavras daquele judeu americano são vistas como “normais” no contexto anormal do Médio Oriente. São apenas mais uma perspectiva. Aliás, há algumas bem mais radicais. Há judeus ortodoxos que defendem a expansão dos colonatos e a ocupação de todo o território da Cisjordânia.

 

Mas também do lado palestiniano há quem deseje convictamente que os judeus sejam todos “empurrados” para o Mar Mediterrâneo.

 

E o mais extraordinário é que todas estas opiniões são expressas de forma mais ou menos livre por aqueles lados do globo, seja em jornais, rádios, televisões ou na rua, sem que haja qualquer estranheza ou repulsa, mesmo por parte dos mais moderados ou de entidades com responsabilidades na sociedade.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 17:40
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Domingo, 11 de Novembro de 2012

O Médio Oriente volta a "aquecer"... e de que maneira

 

Como lembra este Domingo o Haaretz, "pela primeira vez desde a Guerra de Yom Kippur, Israel dispara um tiro de aviso à Síria". Depois da Turquia, agora é a vez de Israel se "meter ao barulho". Com estes ingredientes, o Médio Oriente volta a "aquecer"... e de que maneira.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:03
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Domingo, 4 de Novembro de 2012

A asfixiante "tunnel economy" entre a Faixa de Gaza e o Egipto*

 

Um jovem palestiniano descansa dos trabalhos de escavação de mais um túnel/Foto: Eyad Baba/AP

 

Um das questões que se pode colocar perante a existência de “novos milionários” na Faixa de Gaza – actualmente, segundo se sabe, entre 100 a 200, e capazes de fazer dois milhões de dólares de dois em dois meses, como foi referido no segundo de três textos sobre a realidade do enclave palestiniano –, é saber como é possível que isso acontece num território literalmente isolado pelas forças de segurança israelitas (IDF)?

 

A mesma pergunta se pode fazer sobre o facto da economia em Gaza, embora débil, permanecer minimamente activa, quando as IDF apenas permitem a entrada de alguns bens de consumo, estando impedida, por exemplo, a importação de materiais para indústria pesada.  

 

Ou visto que a circulação de pessoas está muito limitada entre a Faixa de Gaza e o exterior, como é que os palestinianos naquele enclave conseguem ir ao Egipto para consultas médicas ou para outro tipo de serviço?

 

Trabalhador a retirar terra durante a escavação de um túnel algures entre a Faixa de Gaza e o Egipto/Foto AP

 

Um das centenas de túneis que saem de Rafah em direcção ao Egipto/Foto Time - Richard Moesse

 

A maior parte destas questões encontra resposta nas centenas de túneis construídos ilegalmente entre a Faixa de Gaza e o Egipto. Embora não haja dados exactos sobre esta “tunnel economy” (como lhe chama as Nações Unidas), estima-se que esta realidade tenha um impacto considerável na economia e na vida dos palestinianos da Faixa de Gaza. E traz sobretudo benefícios “de facto” às autoridades de Gaza e a uma certa elite próxima do Hamas. Quem o diz é a próprio International Labour Organization (ILO).

 

De acordo com um relatório deste ano da ILO, o volume do comércio ilegal feito nos túneis é quatro vezes superior àquele que é registado oficialmente. Já o Peres Center for Peace referia no ano passado que o valor dos bens contrabandeados todos os meses situava-se entre os 50 a 70 milhões de dólares, o que representava cerca de 80 por cento do total de bens importados para a Faixa de Gaza. Uma dimensão apenas possível pela existência de mais de 1000 túneis em 2010, segundo aquela entidade.    

 

Tudo se contrabandeia nos túneis, incluindo animais vivos/Foto: Eyad Baba

 

Também o Peace Research Institute Oslo, num relatório de 2010, referia que cerca de 15 mil trabalhadores (escavadores, etc) e 25 mil negociantes (leia-se contrabandistas) estariam envolvidos na “tunnel economy”. Números que seriam atenuados com o aligeiramento do cerco por parte de Israel no Verão de 2010.

 

A escavação de túneis começou depois do início da intifada de al Aqsa, em Setembro de 2000, na sequência do bloqueio cerrado imposto por Israel à Faixa de Gaza, por mar, terra e ar.

 

Quase todos estes túneis partem de Rafah, cidade no sul da Faixa de Gaza junto à fronteira egípcia, e tudo é contrabandeado por estes canais subterrâneos, como produtos alimentares, artefactos para a casa, electrodomésticos, material de construção e animais vivos, como ovelhas, vacas e burros. Tudo feito sob o comando do Hamas.

 

*Este é o último de uma série de três textos sobre a Faixa de Gaza

Publicado por Alexandre Guerra às 21:17
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