Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2016

Começa bem o ano no Médio Oriente

 

O Ano Novo começa de forma escaldante para os lados do Médio Oriente (para não variar). Riade decidiu reavivar (e de que forma) um dos conflitos mais antigos dentro do Islão, aquele que opõe o ramo xiita ao sunita. Em poucas horas, assistiu-se a uma escalada na crise diplomática entre a Arábia Saudita (sunita) e o Irão (xiita), com vários países sunitas a "alinharem" com o regime da Casa de Saud. Por outro lado, Teerão já deu provas de não estar minimamente interessado em apaziguar esta conflito. Os próximos dias prometem desenvolvimentos preocupantes.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:23
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Quarta-feira, 15 de Julho de 2015

Algumas notas sobre o acordo com o Irão

 

Ao fim de 12 anos, com avanços e recuos, momentos de muita tensão, foi finalmente alcançado um acordo entre o Irão e as seis potências mundiais envolvidas (Reino Unido, França, Rússia, EUA e a Alemanha). É de facto um acordo histórico, uma grande vitória política para o Presidente americano, Barack Obama, e um grande mérito para o secretário de Estado, John Kerry. Depois da reconciliação histórica com Cuba, os EUA aproximam-se do Irão, algo que vem inflectir toda a dinâmica nas relações entre os dois países desde a revolução dos ayatollas, em 1979. É nesta dimensão política que este acordo deve ser visto, ou seja, muito além da questão nuclear. E é, precisamente, por essa dimensão política que já há quem o compare aos acordos de Camp David, de 1978, entre Israel e o Egipto, ou à reconciliação entre os Estados Unidos e a China, em 1972.

 

A importância deste acordo não é tanto pelas questões técnicas que norteiam o dossier nuclear (também importantes), mas sobretudo pelas possibilidades que abre para a reconfiguração geopolítica daquela região. 

 

Seja como for, em termos concretos, este acordo tenta evitar que o Irão consiga obter uma bomba nuclear nos próximos dez anos. Mas, é preciso sublinhar que este acordo é temporário, já que não proíbe o Irão de ter acesso à tecnologia nuclear. Condiciona, sim, a sua capacidade para enriquecer urânio, ao reduzir em dois terços o número de centrifugadoras existentes actualmente no país, assim como o obriga a abdicar de 98% de todo o urânio enriquecido que tem em stock (para produzir electricidade não é preciso urânio enriquecido). Como contrapartida, são levantadas as sanções. Mas, volta-se a sublinhar, a questão principal são as potencialidades político-diplomáticas que este acordo proporciona entre Washington e Teerão. Para começar, no combate ao Estado Islâmico.

 

Mas há aqui um problema que é preciso ter em conta: este acordo vem de certa forma legitimar o Irão como Estado nuclear (algo que nunca aconteceu com o Paquistão e a Índia) e isto pode ser visto como um incentivo para países sunitas, como a Arábia Saudita. Além do mais, é importante sublinhar que se trata de um acordo político e não de um tratado e, como tal, estará sujeito às vontades políticas de futuros dirigentes.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 13:01
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Quarta-feira, 8 de Abril de 2015

E assim vai o terrorismo...

 

Quando se fala hoje em dia de terrorismo islâmico é importante perceber a suas diferentes nuances, já que não se está a falar exactamente da mesma coisa. Na verdade, existem diferentes realidades em diferentes contextos e que devem ter abordagens interpretativas diferentes. Por exemplo, o fenómeno do terrorismo internacional da al Qaeda não deve ser confundido com o terrorismo que durante anos foi praticado por movimentos ligados à libertação palestiniana. Tal como o terrorismo uigure (muçulmano), na região de Xiangxiang na China, ou aquilo que o PKK fez durante anos na Turquia (e não só), não deve ser comparado com os actos praticados pelo Estado Islâmico. É preciso perceber que por detrás destes diferentes movimentos, existem diferentes motivações e objectivos. 
 
Actualmente, é importante notar que dentro do terrorismo islâmico existem interesses contrários e que estão em confronto em locais como no Iraque ou no Iémen. Basicamente, estes dois confrontos espelham uma rivalidade crónica entre sunitas e xiitas. O Estado Islâmico no Iraque, maioritariamente sunita radical, tem estado a ser combatido por xiitas (apoio do Irão) ou sunitas moderados (iraquianos, sauditas, etc).
 
Já no Iémen, os terroristas Houthi são xiitas radicais e estão a ser apoiados pelo Irão no combate ao Governo de Sanaa. Ao mesmo tempo, o movimento da al Qaeda na Península Arábica,sunita radical e apoiado pela al Qaeda, combate os Houthis e o Governo. Entretanto, o Estado Islâmico também se está a imiscuir no Iémen para enfraquecer a filial da al Qaeda. De notar que estes dois movimentos transnacionais, sunitas, são rivais.     
 
Na Somália, o movimento terrorista al Shabab tem provocado a desestabilização nos últimos anos, levando mesmo à queda do seu Governo. As acções daquele movimento têm igualmente se estendido ao Quénia, país que em 2011 enviou um contingente militar para intervir na Somália, precisamente para combater a al Shabab. Este movimento, ao contrário de outros, não tem ligações fortes nem alinhamentos com polos de poder sunitas (Arábia Saudita) ou xiitas (Irão), já que se trata de um grupo de cariz sobretudo criminoso, assente na pirataria. No entanto, desde 2012 que estabeleceu alguns laços com a al Qaeda, assim como com alguns movimentos africanos, tais como o Boko Haram. 
 
Publicado por Alexandre Guerra às 12:36
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Segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Sentido de oportunidade

 

Perante o anúncio da criação de um califado no Iraque e na Síria, por parte do grupo radical sunita do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS), Israel parece querer aproveitar a dinâmica de desmembramento das nações inimigos, e ontem o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu apelou à criação de um Estado curdo independente, que iria retirar território à Síria, Irão, Iraque e Turquia. É caso para dizer que Netanyahu teve sentido de oportunidade.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 17:03
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Terça-feira, 10 de Dezembro de 2013

Como se compreendem os iranianos... era impossível ficar indiferente

 

 

Quando há uns dias a modelo brasileira Fernanda Lima se tornou na "estrela" do sorteio do Mundial do Brasil 2014, as razões foram evidentes para quase todos os adeptos de futebol (e quer este autor crer que também o foram para algumas adeptas).

 

Quem não terá gostado muito do "desfile" da sumptuosa Fernanda Lima, foi a televisão estatal iraniana que transmitiu o sorteio em directo. O apresentador do programa, Adel Ferdosipour, fez questão de sublinhar que a (falta) indumentária de Fernanda Lima não correspondia aos critérios da estação e, numa prática já habitual, censurou a imagem. 


Perante uma decisão destas, que impediu os iranianos de ver o sorteio em condiçoes normais, os adeptos daquele país vieram para as redes sociais manifestar o seu descontentamento com Fernanda Lima, mas com bastante humor, partilhando cartoons, apelando a Lima para vestir um hijab (véu islâmico). Houve outros que foram um pouco mais agressivos nos comentários no Facebook da modelo brasileira, no entanto, os adeptos iranianos já vieram pedir desculpa pelos excessos da sua reacção.   


Legenda de um dos cartoons mais partilhados: "Tome isto e vista o seu hijab para que possamos ver o sorteio do Campeonato do Mundo"

 

Publicado por Alexandre Guerra às 18:25
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Segunda-feira, 4 de Novembro de 2013

34 anos depois do início da crise dos reféns

 

 

Assinalam-se hoje 34 anos sobre o início da crise iraniana dos reféns americanos após a tomada da Embaixada dos Estados Unidos em Teerão, um acontecimento tão fielmente retratado no filme Argo de Ben Affleck.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:28
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Sábado, 15 de Junho de 2013

E não é que foi mesmo...

 

Foto: Abedin Taherkenareh/EPA


E não é que foi mesmo o clérigo "reformista" Hassan Rouhani a ganhar as eleições presidenciais no Irão.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 23:04
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Sexta-feira, 14 de Junho de 2013

Vá lá perceber-se...

 

 

Dos seis candidatos que hoje disputam as eleições presidenciais no Irão, apenas um é considerado pelos analistas como mais reformista: o clérigo Hassan Rouhani. Vá lá perceber-se... 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 17:06
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Segunda-feira, 4 de Março de 2013

Obama não faz "bluff" em relação ao Irão, diz Biden

 

Joe Biden, vice-Presidente dos Estados Unidos/Chip Somodevilla/Getty Images

 

Joe Biden falou esta Segunda-feira na conferência anual da Aipac, o maior lobby pro-israelita nos Estados Unidos, para dizer palavras que certamente agradaram à comunidade judaica naquele país. O vice-Presidente dos Estados disse que a ameaça de uso da força contra o Irão feita por Barack Obama não é um "bluff".

 

Biden deixou bem claro que a opção militar continua "em cima da mesa" perante a intransigência do Irão em cessar o seu programa nuclear, no entanto, sublinhou que Washington privilegiará sempre a via diplomática. 

 

Ora, mas é precisamente esta hesitação e inacção demonstrada pela Casa Branca em relação a Teerão que a comunidade judaica nos Estados Unidos não compreende. Para os sionistas e judeus mais radicais a solução defendida é uma acção militar preventiva, do estilo de um ataque nocturno às principais instalações nucleares iranianas.

 

É por esta solução que a comunidade judaica faz agora lobby junto de Obama. Resta saber até quando irá resistir o Presidente americano às pressões do lobby judaico, sobretudo se, entretanto, o Irão voltar a desafiar a comunidade internacional com o anúncio de mais etapas no seu programa nuclear. 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 20:10
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Domingo, 3 de Fevereiro de 2013

Uma viagem ao Irão dos ayatollahs

 

Diplomata convida o leitor a clicar na imagem (abaixo) para ter acesso a um trabalho multimédia espectacular do Council of Foreign Relations sobre o Irão dos ayatollahs.

 

Crisis Guide: Iran
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Publicado por Alexandre Guerra às 20:59
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O Diplomata é um blogue individual e foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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