Terça-feira, 12 de Julho de 2016

Mais um "condimento"

 

Há uns dias escrevi aqui no Diplomata sobre um tema que há muito acompanho com interesse, que tem a ver com as perigosas "brincadeiras" que vão acontecendo para os lados da Península da Coreia e dos mares do Japão e da China. E disse que "qualquer acidente ou incidente que por ali aconteça (e têm acontecido alguns) pode acender o rastilho para algo de dimensões problemáticas". Hoje, o Tribunal Permanente de Abritragem, em Haia (sem poderes vinculativos), acrescentou mais um "condimento" ao dar razão às reivindicações das Filipinas contra os interesses da China. Pequim já disse que não vai acatar qualquer recomendação ou decisão.

 

Map showing the South China Sea

 

Publicado por Alexandre Guerra às 12:53
link do post | comentar
partilhar
Quinta-feira, 23 de Junho de 2016

"Brincadeiras" que um dia podem correr muito mal

20160623001277_0.jpg

Lançamento na Quarta-feira de um dos dois mísseis de médio alcance Musudan com a presença de Kim Jong-un/Yonhap 

 

Nos últimos anos vai-se tendo cada vez mais a impressão de que, a acontecer qualquer drama militar de dimensões cataclísmicas, começará numa "brincadeira" para os lados da Ásia oriental. Se é na Península da Coreia (que, "by the way", continua formalmente em estado de guerra), no Mar do Japão ou no Mar Oriental ou Sul da China, ainda está para se ver (esperemos que não). Além dos interesses territoriais inconciliáveis entre várias nações que se jogam naquelas paragens, esta região é, no actual contexto geopolítico e geoestratégico, uma espécie de ponto de confluência de várias "placas tectónicas". Porque, além dos actores regionais directamente envolvidos nas disputas territoriais, tais como a China, o Japão, a Coreia do Norte, a Coreia do Sul, a Rússia, o Vietname, as Filipinas, entre outros, o jogo de alianças e de interesses acaba por envolver também os EUA, sobretudo pela sua ligação aos aliados nipónicos e a Taiwan.

 

Qualquer acidente ou incidente que por ali aconteça (e têm acontecido alguns) pode acender o rastilho para algo de dimensões problemáticas. Da disputa das Ilhas Curilhas, entre o Japão e a Rússia, à das Ilhas Spratly, entre Pequim e várias nações, tais como as Filipinas ou o Vietname, passando pelas "escaldantes" Ilhas Senkaku (ou Diayou para os chineses), sob administração japonesa mas reclamadas por Pequim, os factores de ignição são muitos. São recorrentes os episódios militares hostis, sobretudo por parte de Pequim, com Washington, por exemplo, à distância, a ir dizendo que não permitirá qualquer ameaça à integridade territorial do Japão. Isto já para não falar do "dossier" Taiwan. Mas é principalmente de Pyongyong que vem a maior ameaça sistémica. A Coreia do Norte não abdica da sua retórica bélica e provocadora e tem dado claros sinais de que a acompanha com uma escalada militar. Ainda ontem testou mais dois mísseis balísticos de médio alcance, conhecidos no Ocidente como Musudan, tendo o primeiro falhado, mas o segundo alcançado os objectivos. E trata-se de informação já confirmada pela Coreia do Sul e EUA.

 

Se ainda estou recordado das aulas de Problemática e Controlo de Armamentos, um míssil balístico de médio alcance (MRBM/IRBM) poderá ter um raio de acção entre os 500 quilómetros e os 5000. A partir daí estamos a falar de mísses Intercontinentais (ICBM). Este míssil norte-coreano terá voado 400 quilómetros, o que, segundo os especialistas, representa uma melhoria em relação ao teste anterior. Há poucas dúvidas de que se o regime de Pyongyang continuar a testar os seus mísseis, irá conseguir desenvolver na sua plenitude de forma eficaz estes vectores de lançamento de eventuais ogivas nucleares. E, por isso, o líder norte-coreando, Kim Jong-un já veio dizer que o seu país está em condições de atacar interesses dos Estados Unidos na ilha de Guam, no Pacífico. Se é certo que muitas das vezes a retórica proveniente dos líderes daquele regime é mera propaganda, desta vez, e a julgar por algumas reacções, as palavras de Kim Jong-un estão a ser levadas mais a sério.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:25
link do post | comentar
partilhar
Segunda-feira, 16 de Maio de 2016

Um silêncio conveniente

 

No dia em que se assinalam os 50 anos da Revolução Cultural lançada pelo líder chinês Mao Tsé-Tung, precisamente a 16 de Maio de 1966, na China reina o silêncio. Não há qualquer referência nem menção por parte das autoridades e meios de comunicação social a esta data. Não se trata de qualquer operação de censura, já que o tema, apesar de tudo, tem sido referido nas redes sociais, sobretudo por causa do "silêncio" de Pequim em relação a um acontecimento que levou à morte de milhares de pessoas e fez retroceder o tecido industrial chinês para níveis rudimentares. Mao Tsé-Tung, apelando a uma juventude supostamente liberta dos vícios do passado, eliminou os seus opositores e destruiu aquilo que considerava ser uma estrutura política e ideológica obsoleta. O resultado foi desastroso para o desenvolvimento da China e só teve um fim com a morte do "Grande Timoneiro" em 1976. Este silêncio de hoje por parte das autoridades chineses não é de estranhar, se tivermos em consideração que em 1981 é o próprio Partido Comunista Chinês (PCC) a reconhecer os malefícios da Revolução Cultural.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:11
link do post | comentar
partilhar
Quarta-feira, 8 de Abril de 2015

E assim vai o terrorismo...

 

Quando se fala hoje em dia de terrorismo islâmico é importante perceber a suas diferentes nuances, já que não se está a falar exactamente da mesma coisa. Na verdade, existem diferentes realidades em diferentes contextos e que devem ter abordagens interpretativas diferentes. Por exemplo, o fenómeno do terrorismo internacional da al Qaeda não deve ser confundido com o terrorismo que durante anos foi praticado por movimentos ligados à libertação palestiniana. Tal como o terrorismo uigure (muçulmano), na região de Xiangxiang na China, ou aquilo que o PKK fez durante anos na Turquia (e não só), não deve ser comparado com os actos praticados pelo Estado Islâmico. É preciso perceber que por detrás destes diferentes movimentos, existem diferentes motivações e objectivos. 
 
Actualmente, é importante notar que dentro do terrorismo islâmico existem interesses contrários e que estão em confronto em locais como no Iraque ou no Iémen. Basicamente, estes dois confrontos espelham uma rivalidade crónica entre sunitas e xiitas. O Estado Islâmico no Iraque, maioritariamente sunita radical, tem estado a ser combatido por xiitas (apoio do Irão) ou sunitas moderados (iraquianos, sauditas, etc).
 
Já no Iémen, os terroristas Houthi são xiitas radicais e estão a ser apoiados pelo Irão no combate ao Governo de Sanaa. Ao mesmo tempo, o movimento da al Qaeda na Península Arábica,sunita radical e apoiado pela al Qaeda, combate os Houthis e o Governo. Entretanto, o Estado Islâmico também se está a imiscuir no Iémen para enfraquecer a filial da al Qaeda. De notar que estes dois movimentos transnacionais, sunitas, são rivais.     
 
Na Somália, o movimento terrorista al Shabab tem provocado a desestabilização nos últimos anos, levando mesmo à queda do seu Governo. As acções daquele movimento têm igualmente se estendido ao Quénia, país que em 2011 enviou um contingente militar para intervir na Somália, precisamente para combater a al Shabab. Este movimento, ao contrário de outros, não tem ligações fortes nem alinhamentos com polos de poder sunitas (Arábia Saudita) ou xiitas (Irão), já que se trata de um grupo de cariz sobretudo criminoso, assente na pirataria. No entanto, desde 2012 que estabeleceu alguns laços com a al Qaeda, assim como com alguns movimentos africanos, tais como o Boko Haram. 
 
Publicado por Alexandre Guerra às 12:36
link do post | comentar
partilhar
Segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

Sem "degelo", de pouco serve um aperto de mão para as câmaras

 

1912625b-afa7-4994-a0c7-fafe109108f7-2060x1236.jpe

 

Será difícil quantificar em palavras o valor desta imagem, mas uma coisa é certa, a fotografia tirada esta Segunda-feira aos líderes do Japão e da China, à margem da cimeira da organização Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), é bem elucidativa da frieza que existe, actualmente, nas relações diplomáticas entre aqueles dois países. Foi a primeira vez, em dois anos, que o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e o Presidente chinês, Xi Jinping, encetaram negociações formais, mas se o resultado era para ser este, mais valia que os seus assessores não tivessem promovido este "aperto de mão", um gesto que nas relações internacionais serve, normalmente, para transmitir uma mensagem de confiança e de aproximação entre os Estados. Sem um "degelo" efectivo, de pouco serve que os dois governantes tenham posado para as câmaras com um aperto de mão feito por obrigação. Um momento comunicacional sem qualquer ganho e facilmente evitável.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:27
link do post | comentar
partilhar
Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Protestos que não abalam a equação "um país, dois sistemas"

 

Foto AFP/BBC NEWS

 

Para já, os protestos que se têm visto nas ruas de Hong Kong nos últimos dias dificilmente põem em causa o famoso modelo "um país, dois sistemas", uma equação de equilíbrio entre os interesses da China e a realidade contrastante de um território que regressava à soberania de Pequim, em 1997. Quase 20 anos passaram e as "liberdades" concedidas pelo regime chinês a Hong Kong parecem já não chegar para agradar a alguns dos seus cidadãos, sobretudo jovens, que exigem agora mais reformas pró-democracia, nomeadamente no que diz respeito à eleição dos seus líderes. Mas, o Diplomata não crê que este movimento consiga ter o impacto que outros do género tiveram noutros locais do mundo.

 

Pequim parece não querer ceder naquilo que ficou definido no acordo de 1984 com o Reino Unido, porque apesar de ter dito que iria permitir eleições directas em 2017 para a chefia do Governo de Hong Kong, acabou por introduzir em Agosto último uma nuance, ao informar que os eleitores só poderão escolher entre dois ou três candidatos que sejam previamente escolhidos por um comité definido por Pequim.

 

Para muitos cidadãos de Hong Kong esta questão é de menor importância e, por isso, não se identificam com os actuais protestos, já que aquele território goza de grande autonomia a vários níveis. Tratando-se de um debate muito político sobre um assunto que, de certa forma, é visto por muitos como pouco relevante para a dinâmica económica do território, é compreensível que as manifestações estejam a ser alimentadas, sobretudo, por uma massa de estudantes universitários. Aliás, muitos dos empresários estão contra estes protestos e um estudo recente realizado pela Universidade de Hong Kong referia que a maioria dos habitantes vêem a ligação à China de forma mais positiva do que negativa.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 12:20
link do post | comentar
partilhar
Terça-feira, 2 de Setembro de 2014

Os alinhamentos geoestratégicos e geopolíticos do futuro

 

Putin com Alexei Miller (dir.) da Gazprom e Zhang Gaoli (esq.), ontem em Namsky Highway/Foto: (RIA Novosti / Alexey Nikolsky)

 

Poucos deram atenção, mas ontem ocorreu um facto revelador daquilo que poderão ser os alinhamentos geoestratégicos e geopolíticos dos próximos anos na Ásia, com base na interdependência complexa entre os Estados. O Presidente russo, Vladimir Putin, e o vice-primeiro-ministro chinês, Zhang Gaoli, estiveram presentes no início da construção do novo gasoduto que vai ligar os dois países.

 

As obras arrancaram na Sibéria e pela primeira vez a parte oriental da Rússia vai estar toda ligada por um gasoduto que chegará à China. O "Power of Siberia", nome pelo qual o gasoduto é conhecido, era uma obra há muito ambicionada pelos dois países. São 4000 quilómetros e trata-se do maior projecto do mundo deste género. O gasoduto deverá começar a funcionar em 2019 e será um elo forte nas relações entre Pequim e Moscovo. 

 

Por um lado, a China consegue uma fonte de energia segura e eficiente e, por outro, a Rússia garante a diversificação do seu mercado exportador, passando a depender menos da Europa. 

 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 17:21
link do post | comentar
partilhar
Quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Bom senso

 

Um confronto entre a China e os Estados Unidos "seria definitivamente um desastre". Quem o disse foi o presidente chinês Xi Jinping, em Pequim durante o encontro anual entre aqueles dois países. Nada mais do que bom senso, portanto.

 

tags: ,
Publicado por Alexandre Guerra às 11:18
link do post | comentar
partilhar
Terça-feira, 1 de Julho de 2014

Reinterpretar a Constituição

 

As constituições dos países não devem ser interpretadas de forma estrita e literal. Devem ser lidas com bom senso e à luz de determinado contexto histórico. Podem ser textos mais ou menos genéricos, mas todos eles enunciam princípios e conceitos que resistem bem ao passar dos tempos, necessitando apenas de uma interpretação mais lata e adequada aos dias que se vivem. 

 

Talvez um dos melhores exemplos desse exercício esteja na Constituição dos Estados Unidos que, com mais de 300 anos e apenas sete artigos e 27 emendas subsequentes, nunca parece perder actualidade. E isto deve-se não apenas ao espírito mais genérico e abstracto do seu texto, mas também ao facto da sua interpretação atender às diferentes contingências políticas, sociais, económicas e religiosas que a sociedade americana tem atravessado ao longo dos anos. 

 

Com base neste princípio, o Governo japonês decidiu "reinterpretar" a sua Constituição, datada de 1947, na parte que concerne à cláusula da "renúncia à guerra enquanto direito soberano da nação", imposta por Washington, na ressaca da derrota do Japão da II GM. Foi à conta deste artigo que o Japão nos quase últimos 70 anos assumiu um perfil pacifista, arredado dos assuntos da "guerra e paz" nas Relações Internacionais. 

 

O Executivo de Shinzo Abe pretende, assim, dar uma maior vitalidade às suas forças armadas, alegando o interesse da defesa colectiva e regional naquela zona do Pacífico. Washington acolhe com agrado esta "reinterpretação". Já Pequim não a vê com bons olhos.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 12:44
link do post | comentar
partilhar
Terça-feira, 5 de Novembro de 2013

Council on Foreign Relations explica o conflito no Mar da China

 

 

O conflito no Mar da China explicado num pequeno documentário pelo Council on Foreign Relations (CFR).

 

Publicado por Alexandre Guerra às 12:11
link do post | comentar
partilhar

About

O Diplomata é um blogue individual e foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

Facebook

O Diplomata

Promote Your Page Too

Rubricas

Momentos com história; Leituras; Registos; Pontos de interesse; O despacho...; Apontamentos históricos; Dispatches from...

subscrever feeds

Contacto

maladiplomatica@hotmail.com

tags

todas as tags

pesquisa

arquivos