Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2016

O nascimento de Jesus Cristo e a política

 

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The Adoration of the Magi  
ANTONIO VIVARINI (Murano, 1440-1480) 
Gemäldegalerie, Berlin

 

O Natal é vivido pela maioria das pessoas como um acontecimento "familiar", no qual se celebra o nascimento do Rei dos Judeus (embora nas actuais sociedades pós-modernas já muito poucos façam essa associação). Nesta lógica de pensamento, a época natalícia é sobretudo um fenómeno social com um brutal impacto económico. No entanto, e remontando às origens do Natal, na pequena cidade de Belém, vislumbrava-se algo mais do que a componente familiar/social. Efectivamente, não foi preciso muito tempo para que o nascimento de Jesus Cristo fosse assumindo um carácter político e para que lhe tivesse sido atribuído uma dimensão para lá da manifestação familiar/social.

 

O Império Romano acabaria por constatar essa tendência nos seus terrítórios, ao ver transformado um fenómeno social e religioso numa questão política. A fundação da Igreja de Roma por São Pedro, o Pescador, e o respectivo "aval" do Império acabou por ser uma resposta política a um problema que extravasava as esferas social e religiosa. Porém, esta componente política raramente é associada ao nascimento de Jesus Cristo e ao Natal na altura das pessoas se reunirem na noite da Consoada. Aqui, sobressai sempre o espírito familiar daquela noite de Belém. Mas, repare-se que mesmo nesse ambiente surgiu o primeiro sinal político, com a presença de emissários (Três Reis Magos) que, vindos do Próximo Oriente, deslocaram-se à Cisjordânia para ver o recém nascido "rei" dos judeus. Aliás, este acontecimento gerou de imediato preocupações políticas na corte do Rei Herodes, sentindo-se este ameaçado com o nascimento de Jesus Cristo.

 

Tal como se veio a verificar mais tarde, as preocupações de Herodes adensaram-se, tendo o nascimento de Jesus Cristo transformado-se numa problemática de poder para a corte hebraica, originando as mais vis e perversas tácticas de propaganda e contra-informação, de forma a fragilizar o novo "Rei dos Judeus" perante o Império e mais tarde face ao Sinédrio. Apesar disto, a verdade é que o Natal é unicamente associado a uma noite idílica de criação, esquecendo-se quase sempre os ventos turbulentos que tal acto trouxe consigo. Por isso, seria um exercício interessante e curioso se as famílias aproveitassem esta época festiva para se reunirem à mesa não apenas para comer e trocar oferendas, mas para discutir e debater a sociedade que os rodeia, os seus problemas e desafios. Estariam a celebrar verdadeiramente o nascimento de Jesus Cristo.

 

Publicado originalmente a 23 de Dezembro de 2015

 

Publicado por Alexandre Guerra às 09:36
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5 comentários:
De Anónimo a 25 de Dezembro de 2016 às 18:52
O Natal tem origem pagã muito antes de Jesus nascer.
E Jesus não nasceu a 25 de Dezembro.
De Sergio Passos a 24 de Dezembro de 2016 às 20:59
Nascimento do Rei dos Judeus? Carácter político? ...que mais haverá para inventar?! Valha-te Deus!
De Anónimo a 23 de Dezembro de 2016 às 16:42
Só alguém sem o mínimo de conhecimento de História pode afirmar que são facto os seguintes:
1. "Fundação da Igreja de Roma por São Pedro" - Facto: Imperador constantino em 325ad;
2. "Três Reis Magos deslocaram-se ... para ver o recém-nascido" - Factos: Deslocaram-se primeiro a Herodes que em sequencia mandou matar todas as crianças com idade inferior a dois anos. Logo, não foram visitar nenhum recém-nascido, foram muito mais tarde e não eram Reis;
3. TODA a gente sabe que Jesus NÃO nasceu em Dezembro;
De Paulo a 23 de Dezembro de 2016 às 15:12
Aqui há dias a minha filha, frequentadora de catequese católica com o apoio dos pais, assiduos na ideologia, me perguntou o que era o Natal, depois de lhe reafirmar tudo o que tinha aprendido naquele domingo acerca do nascimento de Jesus, acrescentei: É uma época em que as pessoas têm o coração mais disponível para os outros. E porquê, perguntou a minha filha. Estou em crer pelo facto do que aprendeste hoje. A mensagem que nos foi deixada por aqueles que "escreveram" os livros que compõem a bíblia acerca do nascimento do menino Jesus é o primeiro passo do que ainda hoje se mantém atual: O amor é a solução no relacionamento entre os homens. E nesta altura do ano surge ou é relembrada de forma mais vincada. O facto de as pessoas em família já estarem reunidas nesta época é um bom exemplo disso.
Que não tenhamos receio, Jesus não foi nem nunca será trocado pelo pai natal ou por prendas. O pai natal é apenas mais elemento da magia que se manifesta entre as pessoas. E as prendas também fazem parte. O menino Jesus também recebeu prendas dos reis magos: ouro, incenso e mirra.
O mundo desenvolveu para o que conhecemos, mas não é por isso que nos esquecemos do nascimento de Jesus. Apenas temos outra forma de celebrar. Pelo menos é assim que vejo o desenvolvimento da sociedade, não só em relação ao Natal, como a outras celebrações. Acredito que as pessoas no fundo dos seus corações sabem o que motivou a celebração do Natal. Até porque antes de ser associado ao nascimento de Jesus já existia como festa romana.
Dois apartes.
Um, Pedro não fundou a Igreja Católica. Quando muito, junto com Paulo, teve intenção de o fazer, mas os romanos também o cruxificaram em Roma e, de acordo com a tradição, ficou exposto de cabeça para baixo, pois não era digno de o ser como Jesus.
Dois. A cima escrevi a palavra "escreveram" pois é difícil de acreditar que a maior parte dos apóstolos fosse letrada, face às origens de familias de pescadores. Um dos poucos que seria letrado, tendo a origem diferente, seria Mateus, e igualmente Jesus, onde existem passagens de ler aos doutores do templo. Mas dele não foi escolhido nenhum evangelho para figurar na bíblia.
Mas isto são temas que, como se costuma dizer, dariam pano para mangas. Por isso, vamos centrar-nos na mensagem que, na época do Natal, é de facto mais lembrada e, como tal, mais vivida.
Feliz Natal 2016.
De Papagaio Giló a 23 de Dezembro de 2016 às 10:43
Interessante!

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