Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2017

O adeus de Obama

 

Quando já se anda há algum tempo nos bastidores da comunicação política e, ainda há mais tempo, atento às figuras políticas nacionais e internacionais que nos rodeiam, percebe-se que o “produto genuíno” é escasso, é um bem raro… Aquele homem ou mulher que admiramos, que nos inspira como pessoa e como líder, que queremos servir ou seguir, pela qual nos sacrificamos em prol de uma causa maior.

 

Personagens e actores políticos, há muitos, aqueles que desempenham um papel em seu benefício ou interesse próprio, que pensam apenas numa lógica de poder. Verdadeiros líderes, há poucos, os que pensam primeiro nos outros e só depois em si, os que inspiram e transmitem uma confiança, os que dão esperança e elevam a auto-estima das pessoas, os que defendem os seus e os que consideram que a democracia é sobretudo para servir o povo.

 

Podemos passar uma vida a procurar esse “produto genuíno” e não encontrá-lo, como também podemos ter a sorte de um dia nos cruzarmos com ele quando menos esperamos. Por vezes, é tudo uma questão de circunstância e oportunidade, como aconteceu há oito anos, quando os americanos elegeram Barack Obama. Ao longo destes anos vi nele uma inspiração, fui escrevendo sobre a aventura única desta administração vivida por alguns membros da sua equipa, dos seus assessores, dos seus homens de confiança, tais como David Plouffe ou David Axelrod. Do que fui lendo e vendo, era a personificação do político que nos faz lembrar por que é que às vezes optamos por um determinado estilo de vida profissional e até pessoal.

 

Nesta Terça-feira à noite, Barack Obama regressou a Chicago, cidade que o viu nascer para a política, para se despedir num tom emotivo e poderoso. Ouvi-o e vi-o com muita atenção e foi quase uma hora de discurso brilhante, porque, numa altura em que os EUA e o mundo atravessam crises de valores e desumanizam-se, Obama veio sublinhar a importância do reforço contínuo da democracia e do papel do povo na construção das suas sociedades.

 

É um daqueles discursos que se sonha um dia poder ajudar a escrever para momentos tão marcantes. Só posso imaginar o privilégio que deve ter sido para Cody Keenan, “speechwriter” de Obama, que foi até ao quarto draft e que ainda teve de introduzir as alterações do Presidente na Terça-feira à tarde. É todo um processo de criação e de convicção que só é possível quando acreditamos verdadeiramente.

 

Ouvi Obama reconhecer que, depois destes oitos anos, se tornou um melhor Presidente mas, sobretudo, um melhor homem. Agradeceu ao seu povo, à sua mulher e filhas, ao seu vice, mas também apelou aos concidadãos para que lutem pela sua democracia e pelos seus interesses. Obama disse que vai estar ao lado das pessoas e incentivou-as a acreditarem nelas próprias. É isso mesmo, acreditar em nós próprios e ter esperança nas sociedades que vamos construindo.

 

Na hora do adeus, Obama verteu uma lágrima… acredito que muitos outros o tenham feito.  

 

Publicado por Alexandre Guerra às 14:41
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1 comentário:
De Carlos a 20 de Janeiro de 2017 às 12:58
Sinceramente não vejo muito de positivo em 8 anos de Obama. O mundo está muito pior no geral desde que Obama foi presidente. Nao consigo lembrar uma única medida tomada por Obama que tenha feito deste mundo um lugar melhor. Ou serei só eu ?

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O Diplomata é um blogue individual e foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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