Terça-feira, 21 de Junho de 2016

Trump livrou-se do mal para se transformar num outro candidato

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Corey Lewandowski foi até ontem o "campaign manager" de Donald Trump/Foto Getty

 

O dia de ontem na cena política dos Estados Unidos foi dominado pelo despedimento de Corey Lewandowski, nada mais nada menos do que o até agora "campaign manager" de Donald Trump e um dos operacionais responsáveis pela caminhada triunfante daquele candidato até à Convenção do Partido Republicano. A notícia caiu que nem uma bomba, porque apesar das divergências internas no seio da campanha de Trump e que eram conhecidas há algum tempo, os sinais dos últimos dias não anunciavam uma decisão deste genéro e, sobretudo, tomada desta forma tão abrupta. De tal maneira que Lewandowski, em entrevista à CNN poucas horas depois de ter sido despedido (o que por si só já é estranho), afirmou desconhecer as razões que levaram ao seu afastamento. A alguns colaboradores teria dito que seria uma questão de tempo até se demitir ou ser demitido, talvez estando ciente das forças que começavam a crescer contra si. E, talvez por isso, quando na Segunda-feira foi informado por Trump de que os seus serviços não eram mais precisos, Lewandoswki nada disse, levantou-se e quando saiu da sala do quartel-general da campanha na Trump Tower em Manhattan já tinha segurança à sua espera para o acompanhar ao seu lugar, arrumar as suas coisas e abandonar o edifício. Seja como for, não mostrou ressentimento e à CNN manifestou todo o seu apoio a Trump e que tudo faria para ajudá-lo a chegar à Casa Branca.

 

Muitos republicanos viram neste gesto um passo positivo na direcção de um registo mais conservador e menos populista e conflituoso, características que marcaram o estilo de Lewandowski e que chegaram mesmo a criar situações extremadas, nomeadamente na relação com jornalistas. A verdade é que Trump bem pode agradecer ao seu antigo colaborador, mas a questão é que o processo do seu afastamento foi pouco claro, intempestivo e com contornos ainda por esclarecer. Talvez um dia, em livro, Lewandowski conte a história toda. Aquilo que se vai lendo é que Trump terá começado a sofrer muito pressão de alguns dos seus aliados e doadores para mudar a estratégia da campanha, numa altura em que vai iniciar uma corrida nacional e para a qual Lewandowski não estaria preparado. Também os filhos de Trump terão tido um papel no despedimento daquele assessor. Provavelmente, Lewandowski terá sido vítima da sua própria "criação" política, transformando um homem que era gozado pelo seu cabelo num temido candidato presidencial. Como disseram algumas pessoas próximas de Lewandowski, ele neste momento tinha inimigos em todo o lado e, perante este cenário, dificilmente se poderia assistir a outro desfecho.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 18:22
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