Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2016

Alguma serenidade, precisa-se!

 

Os alarmes soaram mais uma vez nas chancelarias europeias, com a possibilidade de ser eleito na Áustria o primeiro chefe de Estado de extrema-direita desde a II GM na Europa. Mas, a derrota de Norbert Hofer, ontem, na segunda volta das presidenciais, acabou por esvaziar os maiores receios e, para já, a Áustria "livrou-se" de ter um Presidente do Partido da Liberdade (FPÖ).  A questão é que neste momento parece haver um histerismo excessivo em redor de tudo o que seja a possível emergência de partidos ou factores políticos fora do "mainstream". O "sim" ao Brexit e a eleição de Donald Trump vieram contribuir ainda mais para o pânico generalizado, o que poderá, por vezes, toldar a razão e a capacidade de análise dos líderes políticos, conduzindo a uma situação de precipitação e de ostracismo a grandes franjas do eleitorado que, legítima e democraticamente, fizeram a sua escolha em opções menos convencionais, mas mesmo assim respeitáveis. Ora, quem votou no Trump, no "sim" ao Brexit ou no candidato Norbert Hofer merece igual respeito a quem tenha votado em Clinton, no "não" ao Brexit ou no rival ecologista de Hofer. 

 

O problema é que quanto mais os ditos líderes políticos tradicionais se vão assustando, mais os acontecimentos se vão precipitando e as massas reagindo em sentido contrário, depositando o seu voto em todos e em tudo que seja contra o sistema. Sistema esse que está em pânico e não está a conseguir assimilar os novos fenómenos que vão surgindo.  Além disso, é preciso ter a humildade democrática e perceber que em Democracia, desde que respeitadas as regras, todas as escolhas são válidas e há que aceitá-las serenamente. Porque, uma das virtudes dos mecanismos da democracia é precisamente dar possibilidade aos cidadãos de corrigirem eventuais erros de escolha, caso se sintam desiludidos com o seu voto, já que terão sempre as próximas eleições para poderem "correr" com o político que elegeram.

    

Publicado por Alexandre Guerra às 12:01
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1 comentário:
De pedro s a 5 de Dezembro de 2016 às 14:27
Bem dito. Finalmente alguém com algum discernimento. Parabéns

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O Diplomata é um blogue individual e foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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