Sábado, 4 de Maio de 2013

O processo de decisão e a complexidade das probabilidades

 

Obama, na Situation Room, no dia 2 de Maio de 2011, a acompanhar via teleconferência a operação dos Navy Seals para a captura de bin Laden/Foto: Souza/Casa Branca 

 

É muito interessante analisar-se todo o processo de decisão que sustentou a ordem presidencial de Barack Obama para a operação dos Navy Seals que culminou na eliminação de Osama bin Laden, a 2 de Maio de 2011, na cidade paquistanesa de Abbottabad, a poucos quilómetros de Islamabad.

 

Num esclarecedor documentário Panorama BBC, o último emitido esta semana na SIC N, são os próprios intervenientes, incluindo Obama, a explicar todos os passos do processo político que antecedeu a operação militar.

 

Uma das revelações mais interessantes tem a ver com a contratação de uma equipa de consultores externos, especialistas em análise de informação sensível, por modo a providenciar um olhar mais neutro sobre todo o processo de "intelligence" que a CIA e outras agências levaram a cabo.

 

Para a administração Obama era importante ter uma análise crítica de alguém que não tivesse estado envolvido no processo de recolha de informação, nomeadamente, aquela que colocou bin Laden num complexo em Abbottabad, numa determinada hora no dia 2 de Maio de 2011.

 

Perante a ausência de certezas, Obama teve que basear a sua decisão em probabilidades e, num último momento, no seu "feeling" político.  Perante um impasse, já que os assessores da Casa Branca davam mais de 60  por cento de probabilidades de bin Laden se encontrar no complexo identificado pela CIA,  e os consultores externos ficavam-se no máximo pelos 40 por cento, o Presidente recorreu à aritmética pura. 

 

Obama chegou à conclusão que fazendo a média existiam 50 por cento de probabilidades de bin Laden estar, ou não estar, naquele complexo. Ou seja, havia 50 por cento de possibilidade do Presidente tomar uma decisão acertada ou uma decisão desastrosa. Com este cenário qualquer opção seria racionalmente válida, no entanto, uma decisão errada teria custos enormes. Uma escolha acertada traria um novo fôlego político ao Presidente.

 

Com uma decisão dessas para tomar, e sem indicadores peremptórios que apontem num ou noutro sentido, é aqui que entra o "feeling político". Obama disse mesmo aos seus conselheiros, depois de colocados todos os cenários em cima da mesa, que "ia dormir sobre o assunto" e na "manhã seguinte" teria uma decisão. E assim foi. A ordem foi dada e tornou-se numa das operações de forças especiais mais bem sucedidas da história militar dos Estados Unidos. 

 

Obama, esse, pode orgulhar-se de ter sido o responsável pela eliminação de um fantasma que há uma década pairava sobre os Estados Unidos.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 22:04
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