Terça-feira, 30 de Abril de 2013

A irresistível política italiana

 

 

A Itália é um país fascinante a vários níveis. A arte, a história, a cultura, a beleza, a elegância, o prazer, a gastronomia, a paisagem, tudo se conjuga de uma forma desorganizada, mas ao mesmo tempo irresistível. 

 

Com a política italiana passa-se o mesmo. Apesar de por vezes ser dominada por uma total ausência de ordem e lucidez, a verdade é que é impossível ficar-se indiferente ao que por lá se vai passando. Por vezes, assemelha-se a uma arena romana que vai servindo para entreter o povo, onde tudo é possível, mesmo as maiores barbaridades, mas os aplausos não deixam de soar.

 

Em Itália tudo é vivido com intensidade, paixão e irracionalidade, para o melhor, mas também para o pior. Nada é inconsequente.  

 

Só em Itália se encontram fenómenos como o da deputada Cicciolina (hoje seria apenas uma pequena excentricidade, mas como explicar uma coisa destas ainda nos anos 80) ou de Sílvio Berlusconi (imagine-se, o político que se manteve durante mais tempo no cargo de primeiro-ministro desde a II GM). Ou mais recentemente, o da ascensão meteórica de um palhaço (no sentido literal) na cena política transalpina.

 

É por isso que o sistema político italiano é um autêntico laboratório. Só num país extravagante é que um presidente de 87 anos é obrigado a cumprir mais um mandato para assegurar a formação de um Governo. Um Executivo que, por sua vez, tem uma amplitude ideológica de tal forma acentuada que mais parece as pernas abertas de uma dançarina de cabaré.

 

Em Itália tudo é possível e tudo é aceite com a maior das normalidade. Regras e normas ficam para os europeus "normais", já que os italianos preferem a incerteza do dia seguinte e a animação da anarquia sistémica. Mas, o curioso é que o sistema político italiano lá vai funcionando. À sua maneira, é certo.   

 

É isto acontece perante a desconfiança, mas também inveja (pois claro), dos restantes parceiros europeus. O que até é compreensível, porque no fundo são os italianos que a "levam bem". Têm a melhor a arte, a melhor história, a melhor cultura, a melhor gastronomia, o melhor design, as melhores roupas... e já agora, as mulheres e os carros mais bonitos.  

 

Assim, é impossível não gostar da política italiana.

 

tags:
Publicado por Alexandre Guerra às 00:23
link do post | comentar
partilhar

About

O Diplomata é um blogue individual e foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

Facebook

O Diplomata

Promote Your Page Too

Rubricas

Momentos com história; Leituras; Registos; Pontos de interesse; O despacho...; Apontamentos históricos; Dispatches from...

subscrever feeds

Contacto

maladiplomatica@hotmail.com

tags

todas as tags

pesquisa

arquivos