Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2012

Algumas incertezas e (quase) certezas no mundo em 2013

 

Num exercício prospectivo, ficam aqui algumas incertezas e (quase) certezas no mundo em 2013. Fica também o convite aos leitores deste blogue para acrescentarem na caixa de comentários as suas incertezas ou (quase) certezas para o novo ano que se aproxima.


As incertezas 

 

- O papel do Japão na região Ásia-Pacífico com a nova liderança de Shinzo Abe, sobretudo ao nível das relações diplomáticas com a China e com os Estados Unidos.

- Que impacto terá a eleição da primeira mulher para a presidência da Coreia do Sul nas relações político-diplomáticas entre os dois países da Península Coreana?

- É possível que Pyongyang volte a fazer lançamentos de propulsores balísticos (foguetões) em 2013. Mas haverá algum teste nuclear?

- O cenário político em Itália é neste momento uma incerteza, com as eleições legislativas no horizonte.

- Uma das grandes questões em aberto é saber se a Espanha vai resistir a um resgate massivo.

- Embora já tenha delegado poderes no seu vice, é ainda uma incógnita se Hugo Chávez abandona de vez o poder na Venezuela.

- Será que 2013 marcará o divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia?

- Qual o impacto das ondas de choque da “Primavera Árabe” na Casa de Saud da Arábia Saudita e no Reino Hachemita da Jordânia?

- Quantos mais casos de corrupção vão afectar a presidência de Dilma Roussef?

- Os próximos tempos trarão luz sobre o futuro da Direita francesa.

- A Bélgica é um país instável, com duas comunidades linguísticas a reclamarem duas visões diferentes de sociedade. Será que em 2013 as divisões voltarão a vir ao de cima?

- Numa altura em que as divisões entre o Hamas e a Fatah voltam a acentuar-se e com Israel a rejeitar, por completo, o novo estatuto da Autoridade Palestiniana, enquanto Estado observador não membro das Nações Unidas, conseguirá Mahmoud Abbas manter-se à frente dos desígnios palestinianos?

- Depois de Osama bin Laden, será que as forças americanas conseguirão capturar Ayman al-Zawahiri em 2013?

- Poucas dúvidas há quanto à possibilidade de ocorrerem atentados terroristas no próximo ano, a grande questão é saber onde e quando.

- É ainda pouco claro qual o registo que Vladimir Putin pretende impor à política externa da Rússia nos próximos tempos. 

- Em 2013 haverá uma reaproximação entre Washington e Islamabad?

- Os Estados Unidos vão cair no precipício?

- A África do Sul continuará a ser um país com uma sociedade muito tensa e dividida. O presidente Zuma não tem dado grandes provas de ser um homem de bom senso e de apaziguamento. Será incerta a reacção da sociedade sul-africano perante um eventual desaparecimento de Nelson Mandela em 2013.

 

As (quase) certezas


A vitória de Benjamin Netanyahu nas próximas eleições legislativas é quase uma certeza. Mesmo que perca alguns deputados no Knesset, Bibi deverá aproveitar a vitória para reforçar a sua política de expansão dos colonatos e de isolamento da Autoridade Palestiniana.

- Vão continuar a surgir inúmeras notícias a dar conta da proximidade do Irão à "bomba nuclear", mas dificilmente haverá novidades concretas neste capítulo.

- Os ataques cibernéticos camuflados promovidos pelos Estados Unidos contra o Irão deverão continuar, no seguimento do que já aconteceu com os vírus Stuxnet e Flame. 

É das poucas certezas absolutas: a Somália continuará a ser uma manta de retalhos e o melhor exemplo de um "Estado falhado".

- A Al Qaeda irá continuar a perder força e a ficar sem estrutura de cúpula, mas as suas afiliadas instaladas em zonas como o Norte e Corno de África vão manter-se activas e com capacidade mobilizadora.

- Os movimentos fanáticos religiosos na Nigéria, na República Centro Africano, no Uganda e na República Democrático do Congo manter-se-ão activos. Muitos senhores da guerra, como Joseph Kony, líder do LRA, continuarão a deslocar-se livremente pelas selvas africanas, cruzando fronteiras altamente permeáveis.

- Em 2013 vai perceber-se se Hillary Clinton está empenhada em ser a próxima candidata pelo Partido Democrata às presidenciais americanas. Por outro lado, o Partido Republicano vai continuar dividido entre diferentes correntes ideológicas.

- A Irmandade Muçulmana deverá cimentar o seu poder no Egipto, levando a que muitos egípcios recordem os "bons velhos" tempos de Mubarak com saudade. A desconfiança entre o Cairo e Telavive vai aumentar. Washington vai certamente estar muito atenta à evolução da situação interna egípcia, país para o qual é canalizado um grande apoio financeiro americano.

- O Iraque e o Afeganistão manterão o trilho do calvário.

- É muito provável que a guerra civil da Síria vá sendo "alimentada" por potências externas, como a Rússia, o Irão, os curdos e, até mesmo, os Estados Unidos de forma camuflada.

- O Brasil, a Índia ou a China vão continuar a brilhar na economia internacional, embora esta última possa revelar de forma mais evidente algumas fragilidades.

- Pequim irá manter a escalada de investimento em equipamento militar.

- Alguns estados do Golfo continuarão a implementar reformas e a captar investimento estrangeiro.

- A Birmânia irá acentuar a sua política reformista e de abertura ao exterior.

- Nem a UE nem o Euro vão acabar, assim como as intermináveis reuniões do Conselho Europeu.

- Países enormes como o Canadá ou a Austrália continuarão a ser irrelevantes no sistema internacional.

- O nome de José Manuel Durão Barroso começará a ser falado para cargos internacionais como a ONU ou a NATO.

- A Croácia tornar-se-á o 28º membro da União Europeia e a Alemanha continuará a ser a grande potência da Europa.

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 22:34
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O Diplomata é um blogue individual e foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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