Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2017

Leituras

 

O Washington Post faz uma excelente análise às motivações de Donald Trump para a criação de momentos que sustentem a ideia de vitória, mesmo que fictícia. É sobre isso que se pode ler em The simple reason that Trump is holding a rally in Florida this weekend.

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 20:12
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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2017

Meet the Donors: Does Money Talk?

 

 

Meet the Donors: Does Money Talk? é um documentário da HBO realizado por Alexandra Pelosi e o seu interesse deve-se ao facto de ter o testemunho de forma sincera e transparente de alguns dos principais contribuintes financeiros das campanhas políticas dos Estados Unidos. Alexandra Pelosi, que o New York Times vê como uma versão feminina mais "friendly" do polémico Michael Moore, é filha de Nancy Pelosi, o que lhe facilitou o acesso a estas figuras que, em regra, gostam pouco de falar dos milhões que investem nas campanhas. O mais curioso neste documentário é constatar-se que nem sempre há uma relação directa entre os milhões disponibilizados para determinado candidato e o retorno esperado. Ainda mais interessante é perceber as diferentes motivações de cada um e verificar que, nalguns casos, são os próprios multi-milionários que contribuem para estas campanhas a reconhecer que o sistema está viciado e que eles próprios estão contra o modelo de financiamento em vigor.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 18:58
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Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2017

O padre que se fez Santo dos apaixonados depois de ter desafiado o poder de Roma

 

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Santo Valentinus baptiza Santa Lúcia/Pintura de Jacopo Bassano de 1575/ A primeira representação conhecida do Santo Valentinus encontra-se na "Crónica de Nuremberg de 1493"

 

Muitos namorados e casais um pouco por todo o mundo estarão, certamente, a contar as horas para celebrar, esta Terça-feira, mais um Dia de São Valentim, provavelmente num jantar à luz de velas em ambiente todo romântico. E enquanto os apaixonados se preparam para trocar todo o tipo de mensagens, rosas, bombons, peluches (e sabe-se lá mais o quê), poucos saberão que na origem destes rituais está uma história de poder, que acabou em decapitação e no martírio de um padre.

 

Apesar de não haver uma certeza absoluta sobre quem era o Santo que se celebra neste Dia, seria provável que fosse um padre cristão romano, de nome Valentinus (latim), que desafiou o poder instituído de Roma, personificado no imperador de Cláudio II. Embora se possam encontrar pelo menos outros dois Santos Valentinus associados ao dia 14 de Fevereiro, um bispo de Interamna (moderna Terni) e um outro que terá morrido em África em difíceis condições, foi sem dúvida o padre de Roma que se tornou no mártir mais famoso e celebrado, até porque os arqueólogos descobriram uma catacumba e uma antiga igreja dedicada ao Santo Valentinus precisamente naquela cidade. Além disso, no ano de 1493, na Crónica de Nuremberg, é pela primeira vez feita referência ao Santo Valentinus, como padre romano martirizado durante o reinado de Cláudio II. O padre Valentinus, tal como aconteceu com outros cristãos, desafiou a lei do Império, que proibia a prática do cristianismo, assim como o auxílio a quem praticasse esta religião.

 

Valentinus não só era um homem de fé cristã como casava em segredo os casais cristãos e auxiliava todos aqueles que eram perseguidos pelas autoridades. Supostamente, também ajudava a libertar os cristãos enclausurados sujeitos a torturas. O padre acabou por ser detido e, segundo consta, terá tentado converter o Imperador ao cristianismo. Um erro capital. Valentinus acabou por ser espancado e, finalmente, morto. Decapitado. No dia 14 de Fevereiro (instituído formalmente pelo Papa Gelásio em 496) do provável ano de 269.

 

Rezam as crónicas que, durante o seu cativeiro, a filha do seu carcereiro se terá apaixonado pelo padre, com quem chegou a encontrar-se. Apaixonada e cega, a jovem terá recuperado a visão depois daquele encontro. Um autêntico milagre. Diz ainda a lenda que na noite anterior à sua execução o padre terá feito chegar uma carta à jovem apaixonada, na qual exprime o seu amor cristão, despedindo-se com um “do seu Valentinus”.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 14:55
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Leituras

 

Numa altura em que a União Europeia enfrenta inúmeros desafios, vários ilustres cidadãos da Europa assinam no El País a opinião Por una refundación de la UE, em defesa de um Governo europeu.

 

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Publicado por Alexandre Guerra às 14:19
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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2017

O despacho...

 

"Neste país ninguém quer saber de intelectuais ou escritores. As únicas figuras públicas que as pessoas gostam de ouvir são os actores de cinema. Os actores de cinema são a realeza americana. Se vierem muitos actores falar de política, as pessoas prestam atenção, mas aos escritores não. Ninguém se interessa por escritores nos Estados Unidos."

 

Uma observação crítica de Paul Auster em entrevista ao jornal Público desta Sexta-feira. Se, por um lado, o escritor enaltece as qualidades da América, por outro, lamenta como o país pode ser "tão cruel, cego, estúpido e violento", numa alusão ao momento actual que se vive com a chegada de Donald Trump ao poder. 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 16:48
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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2017

O Diplomata celebra 10 anos

 

Faz esta Quinta-feira, 2 de Fevereiro, precisamente 10 anos que o Diplomata apresentou as suas credenciais, o que faz deste blogue um dos mais veteranos da blogosfera nacional a produzir ininterruptamente, certamente com períodos de maior ou menor actividade, mas sem nunca parar. Uma década de opinião e análise sobre assuntos políticos e Relações Internacionais, sem prescindir das vertentes social, cultural e filosófica, fundamentais para se perceber o mundo e as sociedades em que vivemos. Não posso deixar de fazer um agradecimento especial à equipa do Sapo Blogs e, em particular, ao Pedro Neves pela atenção e carinho com que têm tratado o DiplomataAos leitores deste espaço, um muito obrigado, com o compromisso de que por aqui se continuará a fazer diplomacia.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 19:45
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2017

O que é importante saber sobre o Supremo Tribunal dos EUA

 

Quando o ex-Presidente George W. Bush teve a rara oportunidade de nomear dois juízes para o Supremo Tribunal dos Estados Unidos, John Roberts, em 2005, e Samuel Alito, um ano depois, conseguiu impor um registo mais conservador naquele órgão de nove elementos, cujos seus membros são vitalícios. Estas nomeações foram vistas como um dos principais legados da administração republicana de Bush para a posteridade, já que a sorte das circunstâncias permitiu-lhe perspectivar marcar ideologicamente futuras decisões sobre as questões mais fracturantes da sociedade americana. Na altura, não se esperava que tão cedo um outro Presidente tivesse a oportunidade de voltar a ter uma interferência tão influente na composição do Supremo. Mas, depois do Presidente Barack Obama ter tido a oportunidade de nomear Sonia Sotomayor logo no seu primeiro ano de mandato, após a saída do juiz David Souter por vontade própria, voltou, em 2010, a ter a possibilidade de escolher outra mulher para o Supremo, neste caso Elena Kagan. Tal só foi possível com a retirada do juiz John Paul Stevens.

 

Apesar destas mudanças de cadeiras, em termos de equilíbrio ideológico o Supremo ficou na mesma, já que os dois juízes que tinham saído alinhavam quase sempre pelo campo liberal, ou seja, Obama não conseguiu trocar um juiz conservador por um progressista. Essa oportunidade só surgiu em Fevereiro de 2016, com a morte do juiz conservador Antonin Scalia, só que, com as eleições presidenciais à vista, os republicanos do Congresso e o então candidato Donald Trump avisaram logo que não valeria a pena Obama tentar propor algum nome para o Supremo, já que nem sequer seria considerado, quanto mais nomeado. Apesar das ameaças, Obama propôs o juiz Merrick B. Garland que, se tivesse sido aceite, teria, efectivamente, voltado a fazer pender o cariz ideológico do Supremo para o lado mais progressista, uma vez que ficariam cinco juízes mais liberais contra quatro mais conservadores. Ora, tal não aconteceu e o processo de substituição de Scalia ficou suspenso até ontem, com a escolha, por parte de Trump, do juiz conservador Neil Gorsuch. É o mesmo que dizer que o Supremo manterá a sua maioria conservadora. Aliás, para o New York Times, Gorsuch está muito próximo do estilo e da filosofia do falecido Scalia e adivinha-se agora uma batalha feroz no Senado, onde os republicanos têm uma maioria de apenas 52 lugares (em 100), sendo que uma maioria simples não é suficiente para fazer passar o nome proposto por Trump. São precisos pelo menos 60 votos. Aqui, deverá acontecer o primeiro grande embate entre democratas e republicanos nesta nova presidência. 

 

Mas antes de se entrar num debate histérico, com troca de argumentos muito pouco fundamentados, é importante ter alguma noção histórica do papel dos nove juízes do Supremo Tribunal e conhecer o perfil de cada um deles, porque se percebe que há uma certa lógica ideológica na composição daquele órgão. A verdade é que o Supremo Tribunal dos Estados Unidos é daqueles órgãos de soberania que, independentemente da sua composição ideológica, revela sempre um elevado nível de bom senso e um sentido muito apurado dos tempos. O que de certa forma é surpreendente, se tivermos em consideração que os seus nove juízes são nomeados vitaliciamente e carregam consigo, quase sempre, uma carga ideológica bem vincada, seja mais para o lado conservador, seja mais para o lado liberal. Mas o que é certo, e a avaliar pelas decisões mais importantes dos últimos anos, o discernimento daquele instituição não costuma ser afectada e, quase sempre, vai no sentido certo do progresso da Humanidade. 

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:06
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Terça-feira, 31 de Janeiro de 2017

Sean Spicer, um porta-voz à medida do seu líder

 

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Depois de Donald Trump ter dado, na Quarta-feira passada, a primeira entrevista em sinal aberto ao canal ABC, no dia a seguir reparei que um dos apresentadores da FOX News não deixou de atirar uma "boca" ao Presidente por ter escolhido a concorrência para tão importante momento televisivo. De facto, nessa altura, só faltava mesmo a "insuspeita" FOX News juntar-se ao coro de críticas que vinham dos media americanos. Trump foi literalmente arrasado durante a primeira semana de mandato, com os principais canais noticiosos americanos a dissecarem até ao tutano os vários disparates que se iam sucedendo. Tive o privilégio de assistir a essa primeira semana da presidência de Trump nos EUA, mas a questão é de que não me recordo de qualquer outro mandato ter começado de forma tão atribulada e polémica. Primeiro, foi a argumentação patética de Trump por causa da assistência que esteve na cerimónia do "inauguration day" em Washington, depois veio a polémica do muro e a questão do imposto de 20 por cento sobre produtos mexicanos. Trump lançou ainda a "bomba" da possível fraude eleitoral, algo que terá passado despercebido nos media europeus, mas que os jornalistas americanos consideraram uma acusação de proporções monumentais, questionando o Presidente por que razão então não concretizava essa acusação e pedia uma investigação federal. E, finalmente, a "immigration order". Muita coisa para apenas uma semana e meia de trabalho. E em todas estas frentes de combate mediático, Trump tem contado basicamente apenas com uma pessoa ao seu lado: Sean Spicer, o seu assessor de imprensa. Nestes quatro casos, Spicer, tal e qual como se estivesse frente a um pelotão de fuzilamento, surgiu perante os jornalistas num exercício penoso e que o próprio um dia deverá recordar como momentos bastante humilhantes na sua carreira.

 

Spicer, num dos briefings da Casa Branca, chegou mesmo a ser interregoado por um dos jornalistas se acreditava mesmo naquilo que estava a dizer. Uma pergunta que eu nem queria acreditar estar a ouvir logo na primeira semana de trabalho de uma presidência. Como era possível que os jornalistas questionassem a palavra do assessor de imprensa do Presidente logo nos primeiros dias de mantado? Mas a verdade é que Spicer tem sido o único porta-voz das trapalhadas de Trump e isso certamente terá custos na sua reputação e credibilidade junto dos jornalistas. Nem mesmo outras figuras republicanas se têm atravessado pelas medidas que o Presidente tem adoptado. Na verdade, as figuras de topo do Partido Republicano ou estão caladas ou as que têm aparecido é para criticarem.

 

Reconheça-se que, apesar dos erros e dos disparates, coragem é coisa que parece não faltar a Spicer porque, mesmo caminhando para o abismo, ele segue em frente. Ou, por outro lado, também pode ser apenas loucura. Lembro-me sempre daquele ministro iraquiano da Informação e que foi o porta-voz de Saddam Hussein durante a invasão americana em 2003, que ficou célebre pela sua propaganda tola (e que divertiu muita gente, incluindo o Presidente George W. Bush), ao repetir convictamente que o Exército iraquiano iria vencer aquela batalha, quando a realidade mostrava os soldados americanos já às portas de Bagdade. Loucura à parte, a verdade é que a partir daí Mohammed Saeed al-Sahaf se tornou uma estrela à escala global até com direito a clube de fãs. Pode ser que Spicer tenha a mesma sorte.

 

Publicado originalmente no Delito de Opinião.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 12:52
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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2017

Nem tudo é mau

 

Há uns dias acompanhei a audição de confirmação no Senado do novo secretário de Defesa norte-americano, o General James Mattis, e, não o considerando propriamente bem preparado para as perguntas que o senador John McCain lhe ia colocando, achei-o calmo e ponderado nas afirmações que ia proferindo, nomeadamente no que dizia respeito ao relacionamento dos EUA com os aliados e organizações internacionais. Já esta Quinta-feira estive com atenção à primeira conferência de imprensa do novo "press secretary" de Trump e, não tendo uma presença propriamente simpática, penso que Sean Spicer, além de se mostrar moderado nas suas palavras, esteve bastante seguro e bem preparado na resposta aos jornalistas.

 

Publicado por Alexandre Guerra às 15:35
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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2017

O adeus de Obama

 

Quando já se anda há algum tempo nos bastidores da comunicação política e, ainda há mais tempo, atento às figuras políticas nacionais e internacionais que nos rodeiam, percebe-se que o “produto genuíno” é escasso, é um bem raro… Aquele homem ou mulher que admiramos, que nos inspira como pessoa e como líder, que queremos servir ou seguir, pela qual nos sacrificamos em prol de uma causa maior.

 

Personagens e actores políticos, há muitos, aqueles que desempenham um papel em seu benefício ou interesse próprio, que pensam apenas numa lógica de poder. Verdadeiros líderes, há poucos, os que pensam primeiro nos outros e só depois em si, os que inspiram e transmitem uma confiança, os que dão esperança e elevam a auto-estima das pessoas, os que defendem os seus e os que consideram que a democracia é sobretudo para servir o povo.

 

Podemos passar uma vida a procurar esse “produto genuíno” e não encontrá-lo, como também podemos ter a sorte de um dia nos cruzarmos com ele quando menos esperamos. Por vezes, é tudo uma questão de circunstância e oportunidade, como aconteceu há oito anos, quando os americanos elegeram Barack Obama. Ao longo destes anos vi nele uma inspiração, fui escrevendo sobre a aventura única desta administração vivida por alguns membros da sua equipa, dos seus assessores, dos seus homens de confiança, tais como David Plouffe ou David Axelrod. Do que fui lendo e vendo, era a personificação do político que nos faz lembrar por que é que às vezes optamos por um determinado estilo de vida profissional e até pessoal.

 

Nesta Terça-feira à noite, Barack Obama regressou a Chicago, cidade que o viu nascer para a política, para se despedir num tom emotivo e poderoso. Ouvi-o e vi-o com muita atenção e foi quase uma hora de discurso brilhante, porque, numa altura em que os EUA e o mundo atravessam crises de valores e desumanizam-se, Obama veio sublinhar a importância do reforço contínuo da democracia e do papel do povo na construção das suas sociedades.

 

É um daqueles discursos que se sonha um dia poder ajudar a escrever para momentos tão marcantes. Só posso imaginar o privilégio que deve ter sido para Cody Keenan, “speechwriter” de Obama, que foi até ao quarto draft e que ainda teve de introduzir as alterações do Presidente na Terça-feira à tarde. É todo um processo de criação e de convicção que só é possível quando acreditamos verdadeiramente.

 

Ouvi Obama reconhecer que, depois destes oitos anos, se tornou um melhor Presidente mas, sobretudo, um melhor homem. Agradeceu ao seu povo, à sua mulher e filhas, ao seu vice, mas também apelou aos concidadãos para que lutem pela sua democracia e pelos seus interesses. Obama disse que vai estar ao lado das pessoas e incentivou-as a acreditarem nelas próprias. É isso mesmo, acreditar em nós próprios e ter esperança nas sociedades que vamos construindo.

 

Na hora do adeus, Obama verteu uma lágrima… acredito que muitos outros o tenham feito.  

 

Publicado por Alexandre Guerra às 14:41
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O Diplomata é um blogue individual e foi criado em Fevereiro de 2007, mantendo, desde então, uma actividade regular na blogosfera.

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